sexta-feira, 4 de junho de 2021

Curso da Língua Kokama. Aula nº 43: Sábado, 05 de junho de 2021. A música tradicional Kokama.

Aula nº 43: Sábado, 05 de junho de 2021.
Ikara ɨmɨnapan Kukamɨe.
A música tradicional Kokama.
A música Kokama surgiu das conversas com o Criador (Tiutsu Muki Y+ara), que disse que para se comunicar com Ele era necessário assobiar (y+urutsapu), cantarolar resmungando suave (gemendo), cantar (orar) suave, baixo, calmo e ligado com um chocalho de palha (Shakapa) ou flauta (Tiama) para poder seus cânticos de oração pudesse chegar até Ele e ser atendidos seus pedidos. Daí dos primórdios tempos Kokama o cântico oração faz parte da vida Kokama. Quando os pedidos eram atendidos eles reunião para agradecer através de danças (Ratsantikana).
Ancestrais (ɨmɨnuan) [ümünuam]: termo usado por homens e mulheres. ɨmɨnuan y+apurachitsuri titirapa. Os ancestrais dançavam a sós.
Andar (Ukua) [ucua]: transladar de um lugar a outro. É a pessoa que anda de um lugar a outro sem ficar em um lugar fixo. Pode significar andarilho ou nômade. Mitan tua ukua ɨwɨratɨkuara tutu inupawa y+apurachiwa. A mãe-do-carnaval anda pela floresta tocando o bombo e dançando.
Assobiar (Tsapu) [tisapu]: também significa soprar. ɨwɨtu tsapun kuatiaran uwe mesatsui y+ai eretsen ɨwɨtu itika tsa chiru ikanarin ɨwɨrari. O vento soprou o papel e caiu da mesa, também o vento forte fez voar minha roupa que estava secando no varal.
Consertar; Curar algo estragado (Mutsanaka): Y+ukuchi upukan ini mutsanaka paun kaipu. Curamos (consertamos) a panela esburacada com resina de fruta pão. ɨara chautakan ini mutsanaka iratunapu. Consertamos a canoa destroçada com breu.
Curar (Erata) [irata]: significa também “ajudar alguém a melhorar sua saúde”, ajudar a melhorar ou curar. Tsa memɨra kunia aikuapan tsa erata mutsanaka. Minha filha que esta doente curando-a se sara (melhora). Tsumi erata ta mirikua aikuan ra mutsanakapu. O Sábio curou a minha mulher doente com sua medicina.
Curar um doente (Mutsanaka) [mutisanaca]: o povo Kokama cura as pessoas através de “icaros” como estratégias preventivas, para protegê-las de possíveis males ou para que os seres espirituais os dêem alguns poderes. ɨmɨnan amuinu ikua mutsanaka churaminu ukuatsuri inu ikua ipurakaritsen, iy+an wainakɨranu inu ikua y+aukitsen upi mari ukakuara. Os avôs de antes sabiam curar as crianças para que sejam bons pescadores e as meninas para que façam tudo em casa.
Dança tradicional (Ratsanti) [ratisanti]: inclui uns passos e uma coreografia em particular. Esta dança se realiza nas celebrações religiosas como o Natal, a dia da Santíssima, dia de Santa Rosa e etc. Se dança em filas frente ao altar. Tsa y+aparachi ratsantipu. Estou bailando dançando. Tsa nai amɨra ratsantitsuri Niniu artaru chitsaka. Minha avó finada dançava diante do altar do Menino.
Dançante (Ratsantiwara) [ratisandiwara]: significa também bailarino. Ratsantiwara y+apurachi tutumisha y+atinpu. O dançante dança tocando o tambor e a flauta.
Dançar (Ratsanti) [ratisanti]: Etse ratsantiari. Estou dançando.
Dançar qualquer outra dança (Y+apurachi) [zapurati] -Variante: (Y+aparachi) [zaparati]: dançar qualquer tipo de música, não necessariamente tradicional. ɨmɨna y+aparachinpura y+awatikana. Antigamente os jabutis dançavam. ɨmɨnuan wainakana y+apurachitsuri titirapa. As mulheres de antes dançavam sozinhas. ɨmɨnan y+aparachipura aipukatu ukaimapa. Os bailes antigos se tem perdido nestes tempos.
Dar voltas (Y+atatamanika) [zatatamaniga]: girar sobre si mesmo; rodear; dar voltas ao redor de algo. Por exemplo, dançando ao redor do pau de açaí de carnaval. Y+ukun awa y+apurachi y+atatamanika unisha tsa pɨetari. Essa gente dança dando voltas ao pé de açaí de carnaval. Churankɨra y+umatsarika y+atatamanika raepe rɨway+upan uwari. Esse menino joga girando, dando a volta e cai com tontura.
Fazer curar (Y+upita) [zupita]: mandar(se) curar de maneira tradicional através de um Sábio ou Pajé. Estas curas, é realizada por um Médico tradicional a través de icaros, sopros, fumadas, chupadas da doença, etc. Curar num hospital ou curar paciente na casa não é “y+upita”. Awa inu aitsetan y+upita wepe tsumika y+a eratsen. Uma pessoa a quem tenham feito dano (feitiçaria), se manda curar por um sábio para que se cure. Tsa memɨra kunia inu aitsetapan tsa erutsu tsumika y+upitatara. A minha filha, a que fizeram dano (feitiçaria), levamos ela para um sábio para poder curá-la.
Movimentos sensuais (Tsemuni) [tisimuni]: ação de movimentos do quadril e outras partes do corpo. Por exemplo, a dança de alguns pássaros que ao buscar seu par se movem e dançam. Ikun kuarachi awanu y+apurachi tsemunika. Hoje em dia a gente dança fazendo movimentos sexuais.
Oração (Maria) [maria]: também significa “Reza”. Ai tɨma tsa y+akuarara maria. Já não me lembro de nenhuma oração. Ta wanakari y+ukan wainiu ra ikuatsen maria. Mandei essa mulher aprender a oração.
Orar (Mariata) [mariata]: também pode ser “rezar por alguém”. Ikun ɨpɨtsa penu mariata aikuan utsu. Esta noite vamos orar pelo doente.
Pau de açaí para dançar carnaval (Unisha) [Unicha]: pau de açaí enfeitado que se dança ao redor no dia de carnaval. Na véspera do dia do carnaval os Kokama vão ao mato para trazer uma árvore açaí. As folhas do açaí são tecidas e colocadas em formas de arcos, logo é decorado com frutas, carnes, telas, etc. Logo, se finca a árvore e se dança até o dia seguinte. No dia de carnaval, se derruba a árvore. Y+uitsaratsui ini y+auki ipamata “unisha” era warimatan. Do açaí fazemos a “unisha” bem enfeitada.
Pular dançando (Upupurika) [upupuriga] - Variante: upurika [upurica]: saltar, brincar no mesmo lugar reiterativamente. Pode se referir também a uma forma de dançar. Kirimata ipirakua y+ay+akati parana tsɨmara upupurikawa. A piracema de curimatã atravessa pela margem do rio saltando. ɨmɨnua, ratsanti upupurika. Antes, dançavam saltando.
Pulseira (Iwarin) [iúarim]: significa também bracelete, adorno do braço que colocam as mulheres e os homens nas danças. Tsa nai chirata iwarin puwa tsapɨta warimata. Minha avó chama pulseira ao adorno do braço. Waina warimata iwarin y+a puwa tsapɨtari y+anukatan. A mulher coloca a pulseira no punho.
Rezar (Mariay+ara) [mariazara]: termo usado por Kokama católicos. Tsa pai ikua mariay+ara. Meu tio sabe rezar. Inu mariay+ara tsantu chitsaka. Eles rezam diante do santo.
Sofrer (Tsapiru) [sapiru]: significa também chorar gemendo, com lamentos, sentimento de desolação. O povo Kokama tem um choro característico. Por exemplo: chorar quando alguém morre. Tsa mamakɨra tsapiru y+a mama umanun y+akuarara. Minha tia chora gemendo ao lembrar-se de sua mãe falecida.
A música Kokama esta intrusivamente ligado a cura. Mas atualmente falar em música Kokama, tenho que falar também de instrumentos musicais tradicionais e as danças tradicionais que são muitas (este último tema para uma aula futura).
A dança nasceu primeiro, antes dos instrumentos musicais, quando o Kokama descobriu que batendo uma coisa em outro produzia sons e que isso não era simplesmente, um tanto de barulhos e levava às maiores estímulos nas danças.
Também observavam os animais que dançava e os pássaros que cantavam lindas melodias, então pediram para ao Criador como fazer lindas melodias para agradecer-Lo, então enviou um tipo de flauta que levava seus agradecimentos aos céus.
Quando velavam um Kokama, enquanto a família chorava, a comunidade fazia uma dança fúnebre para que durante a travessia fosse bem recebido pelos ancestrais. Choravam, sorriam e dançavam. Depois de enterrado como símbolo de agradecimento honroso colocavam as melhores frutas ou um prato de comida em cima da tumba. Jogavam perfumes no caixão durante o enterro e nos final todos se abraçavam e se despediam.
A música Kokama tem funções importantes como para louvar, pedir, celebrar e agradecer ao Criador. A música tradicional Kokama tem o objetivo curar alguém. Também de exaltar autoridades, guerras, sucessos na caça ou pesca, missões, plantações, mutirões, lutar, homenagear uma planta ou um oficio da comunidade, bem como lembrar ou celebrar uma vitoria, derrota, nascimento ou morte.
O povo Kokama celebrava tudo, tanto a vitoria quanto a derrota, tanto o nascimento, a vida ou falecimento de alguém. Dalí nasce os contos. E dos contos nascem muitas musicas.
Conto (ɨmɨntsara) [ümüntisara]: relato tradicional ou antigo. Aplica-se geralmente a relatos tradicionais, histórias antigas. Ra ɨmɨntsara eran. Seu conto é lindo. Ta nai ɨmɨntsara ta erukua aipukatuka. O conto de minha avó demorou até agora.
Desde os tempos primórdios de nosso Povo Kokama, temos as notas musicais que foram entregues pelos anjos a nós Kokama para fazer lindas musicas de agradecimento ao tudo ao Criador: LÁ - DÓ – RÉ – MI – FÁ – SOL – SI, que se assemelham as notas usadas pelos não kokama. Mas não foram os brancos que trouxeram as notas musicais para nós. Quando esses brancos invadiram nossa grande casa nós já tocávamos flautas e cantávamos. Tocamos de forma natural e não como tocam os brancos.
Cantar (ikara) [icara]: ação dos sábios, taitas ou pajés quando realizam cantos curativos tradicionais. Atualmente a palavra “ikara” signfica musica, cântico e canção. Tsumi ikara mutsanakapuka. O sábio canta quando vai curar.
Ação de fazer soar um objeto (Ipuari) [ipuari]: significa também “está soando algo”. Ipuari y+urutsapu. A sirena soa. Ta tsenu wapuru pitu ipuarin. Eu escuto o apito da lancha que está soando.
Assobiar (Wiy+uta) [uizuta] - Variante: (wiuta) [uiuta]: chamar, produzir o som “wiii”. Baseado na onomatopéia para o assobio da jibóia “wiii”. Unikuaratsui wiii na ra wiy+utaura ikiara ra taɨratu tsapukiarin. A jibóia assobia desde a água chamando a sua cria. Y+ukan niapitsara wiy+utapa ta mirikua rikua ta y+umɨra ra tsu. Esse homem assobiou a minha mulher, por isso me chateei com ele.
Assobiar (Y+urutsapu) [zurutisapu]: produzir assobios. Também pode ser suspiros, apitos e sons de sirenes. Composição de “y+uru = boca” e “tsapu = soprar”, que significa “Soprar com a boca”. Y+urutsapu, ikaran awa, ai y+umita amua awa quina tsapuari. A pessoa que canta assobiando (soprando), ele ensina a entoar quena a outra pessoa.
Enfeitar (Warimata) [uarimata]: consertar, decorar colocando objetos. O povo Kokama se enfeitam com tiaras (todos os Kokama), cocares (somente os líderes), colares, brincos (somente as mulheres), pulseiras e roupas tradicionais para dançar. Cada kokama sem cargo usa um cocar sem pena, com pena de arara somente os Caciques, com pena de garça somente os músicos e com pena de gavião somente os pajés. Mainu warimata memɨra kunianu namichirupu. Os mestiços enfeitam com brincos a suas filhas. Wɨra tsa pɨtaninkɨranu tsa y+akɨ warimata. Enfeito minha cabeça com penas vermelhas.
Soar (Ipu) [ipu]: zombar; produzir um som. Tutu ipui amutse. O bombo soou longe. Rana tsapu maniamaniakan ipunkana urutsapu. Eles tocam toda classe de sons com a flauta pan (flauta de 11 canos).
Soar (kutsuta) [cutisuta]: significa também barulho; fazer ou causar ruído, por exemplo, sons de folhas secas no mato, pisadas ao caminhar. Também os sons de líquidos como a caiçuma. Kutsuta ɨwɨratikuara ikanan iputaka ini uwatapuka y+ai animaru pɨta ipu uwata. Soa dentro do mato seco quando caminha, também soa as pisadas de animal. Tsa kaitsuma kutsuta, irawarin. Minha caiçuma soa quando está fermentado.
Som do bombo (Tintin) [tindin]: Tsupaikana uwata ɨwɨratikuara ra tutu y+atiwa tintin, tintin, tintin ra iputaka. Os demônios andam no mato tocando seu bombo soando tintin, tintin, tintin.
Som; Tocar instrumento; Soprar para fazer Som; Soar (Tsapu) [tisapu]: Ai ikian tiy+ama y+aran tsapu ra utsu epe y+aparachitsen. Este vai soprar sua flauta de dois furos para que dancem.
Tocar batendo (Y+ati) [zati]: toque, por exemplo, do bombo. Uri y+ati tuntu rana y+aparachitara. Ele toca este tambor para que eles dancem.
O músico também usa cocar (coroa). Para diferenciar dos poderes tradicionais Kokama o cocar dos músicos são de pena de garça. Só pode usar cocar com pena branca de garças os que participam da banda musical tradicional, fica proibido aos demais Kokama usar a pena de garça. Todos podem cantar e dançar, mas existem os que são os membros da banda tradicional, por isso temos essa divisão de organização. O pajé não é cantor de musica para dançar, somente de musica para curar, então seu cocar é de águia ou gavião ou falcão para diferenciar.
Para saber o que é música (Ikara), é preciso primeiro ter conhecimento do que é som (kutsuta), e, som, nada mais é do que a vibração produzida nos corpos elásticos e essas vibrações podem ser:
- Sons regulares: aquelas que possuem altura definida, ou seja, quando conseguimos ouvir que ali foi produzida uma nota musical, como “dó, ré, mi, fá, sol, lá, si,” bem como suas variações com sustenidos e bemóis;
- Sons irregulares: as vibrações irregulares são todos aqueles barulhos que ouvimos no dia-a-dia, que podem ditar o ritmo para uma música, como a batida de um instrumento de percussão (tutu, que produzem sons regulares) ou barulhos do dia-a-dia, que compõem a paisagem sonora, como som de cortar uma árvore, o som de nadar, o som de cair algo, o som da de algo fervendo e outros inúmeros sons, na qual não podemos distinguir a altura (onomatopéia – tema de aula futura).
Agudo (Miri) [miri]: Waina kumitsa miri. A mulher fala fino (tem a voz más aguda que a do homem).
Quanto mais agudo e mais baixo o timbre de voz, mas poder tem o individuo Kokama.
O que é musica?
A música é combinação de sons simultânea e sucessivamente, em ordem, em equilíbrio e dentro de um tempo determinado. A música deve ter harmonia (sons tocados ao mesmo tempo), melodia (sons que são tocados um após o outro) e ritmo (o andamento, velocidade da música).
A música pode ser usada em ritual tradicional de cura como a Ayahuasca onde só de ser combinado ao cântico suave e tom baixo do que preside o ritual e tocado suavemente um chocalho de palha e pode ser usado também um tipo de flauta durante um ritual, mas deve ser tocado baixinho.
Num som mais alto em danças celebrativas de agradecimentos ou de acontecimentos onde se dança combinados em grupos ou em duplas.
Existem também os cânticos de homenagens onde não se dança.
A música e a dança na escola indígena:
Na Escola Indígena temos a missão de formar bons ouvintes, que tenham noções daquilo que forma a música (harmonia, melodia e ritmo), bem como as suas propriedades que são:
- Altura: através dela podemos identificar se um som é grave (grosso) ou agudo (fino);
- Intensidade: através dela podemos perceber a força com que o som foi produzido, ou seja, o volume do som, que muitos chamam erroneamente de altura;
- Timbre: através dele podemos identificar os instrumentos que compõem a música;
- Duração: através dela podemos ter uma noção do tempo utilizado na música, podendo identificar compassos ou andamentos.
Na cultura Kokama a música sempre esteve muito ligada à oração para falar com o Criador, antes enquanto era executada, eram recitadas a orações de cura. Com o passar dos tempos elas passaram a se unir com escritos que falavam do dia-a-dia ou um fato para ser lembrado, ou um líder a ser homenageado na letra da musica, se tornando uma poesia. Então a musica para dançar na Comunidade se torna música combinada com os instrumentos musicais tradicionais, a parte instrumental/vocal e a poesia, a letra da música em si numa só sintonia. E todos dançam.
Na escola indígena atual podemos trabalhar o ensino da música, que ajuda a criança na coordenação do ritmo do corpo, como o andar, caminhar, correr, saltitar, balançar, podendo sincronizar-se com o som dos banzeiros; sons dos ventos, sons da chuva, sons dos galopes de cavalos e outros ritmos da natureza que pode-se explorar e criar novos ritmos e novas coreografias, desde que respeitando a tradição milenar.
Na escola indígena podemos trabalhar com a música, que envolve a voz, que por sua vez cuida da respiração. Ao se produzir sons com objetos, inventando uma linguagem própria, dirigindo a educação indígena no rumo da experiência e da descoberta.
Ouvir (tsenu) [tisinu]: também significa escutar. Ikian wɨrakɨrakana ikatu ra tsenu kanatari utsupuka. Escucha estes passarinhos cantam quando vai amanhecer.
Para se ter uma boa noção de tudo isso é importante que o estudante Kokama seja treinado auditivamente, pois, treinando o seu ouvido, conseguirá identificar as propriedades do som. Temos que levar os alunos Kokama não apenas a ouvir a música, mas sim, identificará os elementos que a compõem. Deve-se explorar a criatividade.
Como o aluno Kokama vai aprender tudo isso?
Assim, como em tudo na vida, para se aprender música e necessário muito treino, seja para entendê-la ou para se tocar ou cantar bem. Para que a pessoa aprenda música, existem várias formas e métodos, um deles, que é muito utilizado na educação básica, é o método da utilização de jogos e brincadeiras, que funciona muito bem, principalmente com as crianças.
Na escola indígena Kokama podemos utilizar cantigas de roda, criar com elas escritas musicais alternativas, etc., traduzir em Kokama e em português, fazendo com que elas tenham uma noção rítmica, harmônica e melódica do que estão realizando.
Outra coisa importante para aprender música, é ouvir bastante e imitar os sons que são ouvidos, adquirindo influências das musicas tradicionais de André Samias (In memória), para com o tempo, poderem criar a sua própria identidade musical. No canto, por exemplo, para se adquirir afinação, é preciso treinar bastante a respiração (ela deve ser igual à de um bebê, diafragmática), além de se imitar as notas musicais, para afinar a voz e ter hábitos saudáveis de alimentação.
Uma atividade que pode integrar música e artes plásticas é a criação de instrumentos musicais tradicionais com objetos considerados reciclados, que vão trabalhar com a criatividade dos alunos, obtendo sonoridades diferenciadas e estilos diversificados, além de desenvolver o consciente dos alunos quanto à preservação do meio ambiente. Ao invés de usar bambu para fazer as flautas podemos usar tubos PVC.
Nossos instrumentos musicais tradicionais milenares são: Urutsa, Tiama, Kina, Maraka, Shakapa, Patakura, Tutu, Tutu tuan.
Flauta de 11 canos; Flauta pan Kokama (Urutsa) [urutisa]: instrumento musical de sopro elaborado de bambu de diferentes tamanhos ou de uma palmeira que dar para fazer tubinhos. Awa y+auki urutsa. A gente faz flauta pan Kokama.
Flauta de dois furos (Tiama) [tiama] - Variante: (tiy+ama) [tizama]: instrumento musical parecido a uma flauta, porém somente com dois furos, um do lado da frente e outro no lado de baixo. Faz-se de bambu, madeira ou tacana. Tsa papa ikua tsapu tiama awanu y+apurachitara. Meu pai sabia tocar a flauta de dois furos para que pessoal dançasse.
Flauta quena (Kina) [quina]: é um instrumento musical de sopro, da família das flautas. É feita de bambu ou madeira e executada através do sopro em uma reentrância em sua extremidade superior. Possui 6 furos por onde são obtidas as digitações para as notas. É um instrumento transpositor com afinação na tonalidade sol maior (G). Embora tenha se originado como um instrumento pentatônico, desenvolveu-se para permitir a execução cromática. ou seja, permite a execução de todas as notas (bemóis e sustenidos). Sua escala estende-se por 3 oitavas. Existe a versão grave da quena, chamada quenacho (Kinashu). O quenacho é um instrumento transpositor com afinação na tonalidade de “ré maior” (D). Tsa kiwi ikua tsapu kinatsuri ɨmɨnua. Meu primo sabia tocar a quena antigamente.
Maracá (Maraka) [maraca]: A maracá completa é um par de maracás. O povo Kokama não pode tocar somente uma maracá, devem ser tocados os dois por uma só pessoa. Proibido usar separadamente. Purupurukuy+a emete katupe ɨpatsunu tsɨmarupe, tseruwishka yauki maraka. A cabaça aparece as margens dos lagos, serve para fazer maracás.
Shacapa (Shakapa) [chacapa]: conhecido como espada espiritual, é um instrumento musical de cura que serve para conectar o ayahuasqueiro as suas visões e a conversa com os elementais e os espíritos divinos. Ikuan, Pay+un riai Patriarka May+uru Kana ikua mutsanaka awanu shakapapu. O sábio, o pajé e também o Patriarca Cacique Geral sabem como curar a gente com shacapa.
Shacapa para enfeitar a canela (Patakura) [patacura]: instrumento musical tecido de tucum que se enfeitam com sementes e tento que soam no momento de dançar (também pode amarrar nos braços ou numa vara para socar no solo). Pai amɨra ratsandi ukuatsuri patakura tɨkɨtanpu y+a kaɨari. Meu tio finado costumava dançar depois de amarrar a shacapa ao redor de sua canela. Patakura ɨmɨnan kunuminu warimata y+apurachipuka. A shacapa dos jovens antigos era seu enfeite quando dançavam.
Tambor (Tutu) [tutu]: bombo pequeno. Segundo o povo Kokama, quando se faz bombo de couro de onça às festas terminam em brigas e confusões; Se o bombo é de couro de veado, a festa é pacifica, e se é de macaco, os assistentes fazem muitas piadas, brincadeiras e dançam alegres. Ikian ra tutukɨra ra iputa uwata puka tin, tin, tin. Tun, tun, tun, assim faz soar seu tamborzinho quando caminha.
Tambor grande (Tutu nuan) [tutu nuam]: bombo grande. Tutu nuan ipu eretse. O tambor grande soa forte.
Exercício da Aula nº 43:
01 – O que é musica?
02 – Quais são as notas musicais?
03 – Qual é o tipo de cocar do musico?
04 - Quais os instrumentos musicais tradicionais Kokama? Responda o nome em Kokama e faça o desenho de cada instrumento.
05 – Relate sobre os tipos de couro do bombo.
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Até a próxima! Iniaparari!
Ainan ta! Obrigado!!!
Prowetsuru Tsamia. Professor Samias.
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domingo, 30 de maio de 2021

Curso da Língua Kokama. Aula nº 42: Domingo, 30 de maio de 2021. O que são Répteis na língua Kokama?

Aula nº 41: Domingo, 30 de maio de 2021.
Mari y+akarikana Kumitsa Kukamɨeka?
O que são Répteis na Língua Kokama?
Os répteis (y+akarikana) pertencem ao “filo dos cordados” e seus representantes mais conhecidos são lagartos (y+akarikana), serpentes (muikana), jacarés (y+akarikana), tartarugas (pukakana), tracajás (tarikay+akana), jabutis (y+awatikana) e crocodilos (Krukutirushkakana), que formam a classe Reptilia (Reptiriashka). Provavelmente, esses animais evoluíram de um grupo de anfíbios, há mais de 350 milhões de anos.
É muito provável que os primeiros répteis (y+akarikana) fossem de pequeno porte, com o aspecto de um lagarto atual, e alimentassem-se de insetos. Os animais mais antigos dessa classe são chamados de Cotilossauros (Y+akariwatsukana). Eles assemelhavam-se às tartarugas, mas não tinham carapaça (pawa piruaratatan).
Os répteis pertencem a uma classe de animais vertebrados (y+atukupe ɨwa animarukana) em que já foram identificadas mais de 7 mil espécies.
A principal vantagem evolutiva que permitiu que eles conquistassem o ambiente terrestre foi o seu tipo de ovo (tsupia), chamado de ovo amniótico (Amniutiku tsupia). Esse benefício ocorreu graças à proteção da casca calcária ou membranosa, que possibilitou aos embriões desenvolverem estruturas extraembrionárias (âmnio, saco vitelínico e alantoide) fora do ambiente aquático.
O Brasil apresenta grande abundância de répteis. A maior parte está na Amazônia. Somente no cerrado, são registradas cerca de 180 espécies, das quais 22 estão presentes nas listas de animais ameaçados de extinção.
Características dos répteis (iruatakan y+akarikana):
As principais características de répteis (mɨtɨrɨpekana iruatakan y+akarikana) são o seu corpo revestido por uma camada espessa e impermeável, composta por queratina (keratinashka), e seus pulmões (putukana), que realizam trocas gasosas eficientes com o ambiente.
São essas particularidades que conferiram a esses animais grande adaptação à vida em terra firme. O tamanho atual dos répteis pode variar de poucos centímetros (como é o caso de alguns lagartos) a 10 metros (chunka metrura) como acontece com algumas serpentes.
Reprodução (Uwaritsuika):
Você sabe como nascem os répteis? Ene ikua maniatipa uwari y+akarikana?
Eles são animais dioco e ovíparos, em sua maioria. Os machos têm um órgão copulador, o pênis, com o qual introduzem espermatozoides na cloaca da fêmea durante a cópula. A fecundação é interna e o desenvolvimento é direto, sem estágio larval.
Os ovos de serpentes, tartarugas e da maioria dos lagartos são protegidos por uma casca flexível. Já os ovos de cágados, crocodilos e alguns lagartos apresentam casca rígida. Eles contêm água e alimentos suficientes para todo o desenvolvimento embrionário.
Durante o crescimento do embrião, formam-se estruturas associadas ao corpo denominadas anexos embrionários. Entre eles, estão:
• Âmnio (Atura amniushka): bolsa de líquido que envolve o embrião e o protege da dessecação e de eventuais choques mecânicos;
• Saco vitelínico (Atura witerinikushka): bolsa ligada ao sistema digestório do embrião, que envolve a gema do ovo e retira dela componentes nutritivos que são transferidos para os vasos sanguíneos do embrião;
• Alantoide (Atura arantuiteshka): bolsa ligada ao intestino do embrião que tem por função armazenar as excreções produzidas por ele durante o seu desenvolvimento.
Anatomia (Tsuy+aran):
A pele (piruara) que protege o corpo (tsu) dos répteis é formada por duas camadas, a derme (piruara termi) e a epiderme (piruara epitermi). A epiderme é espessa e muito queratinizada, o que reflete sua adaptação aos ambientes de terra firme, nos quais a umidade é baixa e a perda de água por transpiração precisa ser reduzida. Essa camada forma placas chamadas de escamas córneas (piruaran kurneashka).
Alguns répteis, como lagartos e serpentes, trocam o revestimento epidérmico mais externo com frequência, o que permite o seu crescimento.
O sistema esquelético (kanuaran y+upuni) desses animais é semelhante ao dos outros tetrápodes. Entretanto, alguns grupos apresentam grandes modificações esqueléticas devido à adaptação a determinados hábitos de vida (kakɨrɨ).
As serpentes (muikana), por exemplo, não têm pernas, por isso não apresentam esqueleto apendicular. A estrutura do esqueleto apendicular e do crânio dos répteis possibilita uma locomoção mais ágil no ambiente terrestre.
Temperatura corporal (kuarachichiruari Tsuy+aranpan):
Os répteis são chamados de “animais de sangue frio” (animaru tsɨri tsuwɨ), por não utilizarem extensivamente o metabolismo para controlar a temperatura corporal. Ela é regulada por meio de adaptações comportamentais, como se mantendo ao sol quando a temperatura é baixa.
Como utilizam o calor (tsaku) externo para se aquecer, os répteis são chamados de ectotérmicos (ektutermikushka). A grande vantagem é que esses animais despendem pouca quantidade de energia para viver. A desvantagem é que a realização de atividades físicas mais intensas fica comprometida.
Respiração dos répteis (Iy+a tsɨki y+akarikana):
Os pulmões desses animais são mais evoluídos que os dos anfíbios, pois apresentam mais dobras internas. Por apresentarem músculos (tsukana) ao redor das costelas (y+arakanuarakana), muitos répteis conseguem expandir e contrair a caixa torácica. Isso faz com que o ar (ɨwɨtu) entre (aki) e saia (uchima) dos pulmões.
Algumas serpentes apresentam apenas um órgão respiratório.
Classificações dos répteis para o Povo Kokama (maniamaniakan y+akarikana tapɨya Kukamɨepu):
Os répteis são classificados (maniamaniakan) em três ordens (Mutsapɨrɨka aipukatun):
1 - Squamata (Piruarapu): Essa ordem reúne os répteis mais diversificados e abundantes. A principal característica desse grupo é o corpo recoberto por escamas (piruarakana).
Os representantes desse grupo são:
• Lagartos (Y+akarikana);
• Serpentes (Muikana);
• Anfisbenas (Kuki muikana).
2 - Chelonia (Pawa piruaratatanpu): Também chamados de testunides, são animais com o corpo revestido por duas carapaças (pawa piruaratatankana): a dorsal (pawa piruaratatankana y+atukupe), localizada na região superior do corpo, e o plastrão (pawa piruaratatankana putiakuara), na região inferior. Esses dois cascos são unidos e apresentam apenas aberturas para a saída da cabeça, da cauda e dos membros dianteiros e posteriores.
Os representantes desse grupo são:
• Tartarugas (Pukakana): podem ser marinhas ou de água doce. Seus membros têm formato de nadadeiras, facilitando a locomoção na água;
• Jabutis (Y+awatikana): são animais terrestres e apresentam dedos grossos;
• Cágados (kakatukana): vivem em água doce e têm dedos ligados por membranas que auxiliam na natação.
3 - Crocodilia (Y+akaripu): Reúne um grupo de répteis que vive apenas em regiões quentes, em rios e lagos de água doce ou, no caso de algumas poucas espécies, no mar.
São animais de corpo alongado e revestido por placas córneas.
As principais diferenças entre eles são o formato da cabeça e a posição dos dentes. Os jacarés tem a cabeça mais arredondada e larga, e quando fecham a boca seus dentes não ficam visíveis.
Os representantes desse grupo são:
• Jacarés (Y+akari);
• Crocodilos (Krukutirushkakana).
Vamos a pratica em língua Kokama (Conhecendo os repteis em nossa língua materna):
01 - Anaconda (ɨwɨrati tsukuri) [üúïrati sucuri]: É a maior cobra da Amazônia (Eunectes murinus). ɨwɨrati tsukuri ey+u wɨrakɨra riai tsanuy+a y+a purarapuka. A anaconda come passarinhos e ratos, quando se encontra em terra. Ikian ɨwɨrati tsukuri ra piruara perata tururukan, tsuni y+atamani ra kuatiara, riai ey+u ipira umanun. O corpo desta anaconda é vermelho brilhante, suas pintas são pretas e redondas, também come peixe morto.
02 - Calango (Karanku) [carangu] - Variante: (Y+akarikɨrapinima) [zacaricürapinima]: O lagarto-verde, também conhecido como calango-verde, bico-doce e calango-bico-doce (Ameiva ameiva). É uma espécie de lagarto da família Teiidae. Possui uma ampla distribuição geográfica, sendo encontrado na América Central e do Sul e em algumas ilhas do Caribe. Karanku y+apana arɨwa uni. O calango corre sobre a água.
03 - Camaleão (Tsenemu) [senimu]: também conhecido como iguana verde (Iguana iguana). Tsenemu ikua tsupiay+ara tuy+ukakuara entera tarikay+a. O camaleão coloca seu ovo na terra igual ao tracajá.
04 - Cascavel (Tsuwi tini) [suúi tini]: conhecidas popularmente por cobras-chatas (Xenodon severus). Tsuwi tini karutan tsa memɨra tseta umanui. Meu filho esteve a ponto de morrer pela mordida de uma cascavel.
05 - Cobra; víbora; serpente (Mui) [mui]: nome genérico de cobra. Mui y+apanui kukuara. A cobra escapou da roça.
06 - Cobra-cega (Kuki mui) [cuqui mui]: Tipo de cobra de corpo de cor preto com manchas brancas (Amphisbaena fuliginosa). Kuki mui kakɨrɨ ɨpɨpe tuy+ukakuara. A cobra-cega vive embaixo da terra.
07 - Cobra-cipó (Wakawa puatsa) [uacaua puatisa]: é o nome popular dessa serpente (Chironius). Também é conhecida pelo nome “boiobi”, que é de origem tupi e que significa "cobra verde" (através da junção dos termos “mboîa e oby”). Tipo de serpente que vive nos galhos das árvores. Wakawa puatsa tɨma uyarun. A cobra-cipó não é brava. Wakawa puatsa ɨkɨrata piruaran. A cobra-cipó é de cor verde.
08 - Cobra-jacurarú (y+ukuraru mui) [zucuraru mui]: tipo de cobra parecido ao jacuraru. Y+ukuraru mui uy+arun ai karutini chikuarata. A cobra-jacuraru é brava, nos segue e morde.
09 - Cobra-japó (Y+apu mui) [zapu mui]: espécie de cobra. Y+apu mui, uy+arun karuta awa. A cobra-japó bravo morde a gente.
10 - Cobra-mal-agouro (ɨwana mui) [ïuna mui]: espécie de réptil grande (Amphisbaena prunicolor). ɨwana mui tɨma emete chita. A cobra-mal-agouro não tem muito. ɨwana mui tɨma ikikume ini purarai. A cobra-mal-agouro não se encontra a cada instante.
11 - Cobra-preta ou muçurana (Mui tsuni) [mui suni]: é uma cobra inofensiva, é de grande tamanho (Clelia cleia). Contam os Kokama que se uma pessoa é mordida pela cobra-preta nunca será mordida por uma cobra venenosa. Antigamente, havia o ritual Kokama da mordida da muçurana para os guerreiros caçadores, realizado somente por um pajé antigo. Mui tsuni inupapan kaɨari ai tɨma mui aitsi karutapa. A cobra-preta bateu na minha perna, ela não morde como outra cobra mal.
12 - Cobra-salamanta (Ay+uru mui) [azuru mui]: esta espécie ttem diversos nomes dados popularmente, como cobra salamanta, cobra arco-íris e jiboia arco-íris (Epicrates cenchria). Ay+uru mui karutan umanutsu tɨma y+a mama purara mutsanikua. Ele que foi mordido pela cobra-salamandra vai morrer porque sua mãe não encontra o remédio.
13 - Coral-verdadeira (Nakanaka) [naca naca]: é uma cobra venenosa de cor vermelha, branca e preta, que pode alcançar até 1,5 metros (Micrurus lemniscatus). Ela vive escondida em buracos na terra. Ta papa nakanaka y+atɨkui ra pɨetari. A coral-verdadeira picou o meu pai em seu pé.
14 - Iaçá (kupetsu) [cupitisu] - Variante: (kupitsu) [cupiso]: tipo de cágado aquático que coloca ovos nas praias (Podocnemis sextuberculata). É de corpo aplainado e tamanho médio. Seus ovos são de casca branda e suave que se fundem quando se juntam, porém não se rompem facilmente como os de tracajá. Kupetsu tɨma tuan iy+an ai churanarin. O iaçá não é grande, ele é de tamanho médio. Kupetsu ai “chunka pichkanan” tsupia emeten. O iaçá só coloca “15” ovos.
15 - Iaçá macho (Kuriapiru) [curiapiru]: espécie de cágado de grande carapaça (Podocnemis sextuberculata). Ajan Kuriapiru tarikay+a mena, y+a ikua y+a tsu ipukunan chura wainatsui. Este iaçá macho se diferencia da fêmea por ter menos corpo e ser mais largo. Kuriapiru tsu tuan. O iaçá macho é de corpo grande.
16 - Jabuti (Y+awati) [zawati]: espécie de cágado da terra (Geochelone denticulata). Existem jabutis de varias cores. Pode alcançar uns 30 centímetros de diâmetro e 50 centímetros de tamanho. Sua carne é bastante apreciada. Na medicina tradicional usa um osso determinado do jabuti para amansar a pessoa, por isso não se pode usar jabuti como grafismo, pois é um símbolo negativo e desproteção. Kaniupa uwatan y+awatipura y+ikua tɨma y+apana. O jabuti caminha lento, por isso não corre.
17 - Jacaré (Y+akari) [zacari]: nome genérico. Y+akarikana kakɨrɨ unikuara urian y+a tsupiara tuy+ukari. Os jacarés vivem na água porém colocam seus ovos em terra.
18 - Jacaré-açu (Y+akari tsuni) [zacari suni]: tipo de jacaré muito grande que mede usualmente entre 3 a 7 metros (Melanosuchus níger). Sua carne é mais fibrosa a diferencia do jacaretinga. Este animal come e ataca as pessoas. Y+akari tsuni tuan y+akari tinitsui. O jacaré-açu é mais grande que jacaretinga.
19 - Jacaré-mirim (Y+akari kuru) [zacari curu]: espécie que vive, maiormente em charco de buritizal e nos lagos (Paleosuchus palpebrosus). No mês de maio, esse tipo de jacaré dar sinal da enchente ao gritar “turun, turun...”, neste tempo não se planta mais mandioca. Y+akari kuru kakɨrɨ mɨrɨtipankuara. O jacaré-mirim vive no buritizal. Y+akari kuru tɨma chita. O jacaré-mirim não aumenta.
20 - Jacaretinga (Y+akari tini) [zacari tini]: tipo de jacaré que pode alcançar de 2 a 3 metros de tamanho (Caiman crocodylus). Sua carne é muito apreciada. Y+akari tini eran emera y+a tsu y+ai purepetamira. A carne do jacaretinga é boa para comer e para vender.
21 - Jacurarú (y+ukuraru) [zucuraru]: tipo de réptil de cor preto, peito amarelo e com franjas (Tupinambis teguixin). Alimenta-se de frutas e de aves pequenas. Existe jacuraru de outras cores. Ikian y+ukuraru ey+u atawari misharapan riai ipira tuy+ukari ra puraran. Este jacurarú come frango pequeno e peixe que encontra em terra. Atawari taɨra ey+uwara y+ukurarupura y+ai ipira umanun. O jacurarú come pinto também peixe morto.
22 - Jacuruxi ou Camaleão vermelho (Ani pɨtani) [ani pütani]: Espécie que vive na várzea (Dracaena guianensis). Alguns Kokama também o chamam de “Anipura”. Ani pɨtani kakɨrɨ ichipupankuara ai uy+upe tuy+ukari emeran chikaritsen. O Camaleão vermelho vive nos cipoais e baixa para terra para buscar comida.
23 - Jararaca (Y+araraka) [zararaca]: espécie de serpiente venenosa (Bothrops atrox). Y+araraka karutapa na kaɨ ai iruruta upi na tsu. A jararaca morde tua perna e faz com que seu corpo inche todo.
24 - Jararaca-falsa (Tarɨra mui) [tarïra mui]: espécie de cobra de tamanho médio (Xenodon neuwiedii). Sua picadura não é venenosa. É uma cobra d’água. Tarɨra mui iy+arun karuta ai tɨma tsachi eretse. A picada da jararacá-falsa não dói muito forte.
25 - Jararaca-verde ou cobra-papagaio (Ruru mui) [ruru mui]: tipo de cobra venenosa que vive nas árvores. Sua cor é verde brilhante como o do Papagaio (Bothrops bilineatus). A picadura desta cobra causa a morte. Na medicina tradicional Kokama de todas as tentativas ainda não conseguimos um antídoto para seu veneno. Por isso, muitos guerreiros kokama usavam o veneno dessa cobra nas pontas das sarabatanas ou flechas em época de guerra, ao tirar o veneno se acidentavam e muitos morriam. Ai ruru mui karutan ai tɨma mutsanay+ara. Ao que morde a cobra-papagaio morre. Ruru mui karutan awa umanutsuri. Morreu a pessoa que a cobra-papagaio mordeu.
26 - Jibóia (Tuy+ukarin tsukuri) [tuzucarin sucuri]: espécie de cobra (Boa constrictor). Tuy+ukarin tsukuri ey+u upi mari y+a puraran. A jibóia come toda coisa que encontra.
27 - Jibóia-constritora (Tsukuri) [sucuri]: cobra grande de diferentes cores, que pode alcançar até 5 metros de tamanho (Boa constrictor). Anda pelas ramas das árvores e estrangula sua presa. Tsukuri y+apichika atawari, uruma y+ai y+uwan animaru. A jibóia-constritora captura galinha, pato e também animais grandes.
28 - Lagartixa ou lagarto (Tewekuru) [tiúicuru]: espécie de lagartixa (Dicrodon heterolepsis). Termo Kukamiria. Tewekuru tsupia chɨpɨtapa ini kuaruka tai. O ovo de lagartixa nos adoece com dor urinária.
29 - Lagartixa-de-parede ou osga (Tewekuruy+uta) [tiúicuru zuta]: é uma espécie de lagarto de pequenas dimensões frequentemente encontrada nos lares brasileiros (Hemidactylus mabouia). Tewekuruy+uta ukua y+uta. A osga anda na parede.
30 - Mata-matá (Matamata) [matamatá]: é uma espécie de cágado de água doce (Chelus fimbriatus). Possue uma carapaça com terminações em pontas. Matamata animaru piruarapura muchumuchurika, ra y+akɨ miakaka. O mata-matá é um animal de corpo bola-bola, sua cabeça também é bola-bola.
31 - Muçum (Mutsu) [mussú]: espécie não venenosa, de tamanho médio (Synbranchus marmoratus). Vive nos buracos da terra dentro da água. Embora sejam peixes nós o consideramos como cobra. Mutsu tɨma karuta, y+uru ey+u chuchunan. O muçum não morde, sua boca come somente chupando. Mutsu kakɨrɨ tuy+uka kakuaran unikuara. O muçum vive em buracos de terra dentro da água.
32 - Sucuri-amarela (Tsukuri parawa) [sucuri paraua]: espécie de cobra grande (Eunectes notaeus). Se alimenta de aves, ratos e etc. Tsukuri parawa kakɨrɨ unikuara y+aepetsui y+a uchima ey+u wɨranu y+ai tsanuy+anu. A sucuri-amarela vive dentro da água, daí sai para comer aves e ratos.
33 - Sucuri-da-água (Uni tsukuri) [uni sucuri]: também conhecida como sucuri-verde, a maior e mais conhecida (Eunectes murinus). Ocorrendo em áreas alagadas da região do Cerrado e da Amazônia, sendo que, neste último bioma, os animais costumam alcançar tamanhos maiores; Existe também a sucuri-malhada “petsakaka tsukuri” (Eunectes deschauenseei). Uni tsukuri kuatiara iruataka tsuni, iy+un, y+ai tinin. A sucuri-da-água tem manchas de cores preta, amarela e branca.
34 - Surucucu (Tsurukuku) [surucucú]: é um serpente venenosa de maior tamanho e seu rabo tem formato de navalha (Lachesis muta). Os Kokama acreditam que as pacas depois velhos se convertem em “tsurukuku”. Fazem um som característico “ko, ko...” Etse tsurukuku ɨtsetaka pekuara y+utin tsatsawakawa. Eu me assusto com a surucucu que está estirada (atravesado) no caminho.
35 - Surucucu-facão (Mɨrɨti mui) [mürüti mui]: cobra de cor vermelho parecido ao fruto do buriti (Chironius scurrulus). Mɨrɨti mui karuta awa riai ra tsachi ramua muikanay+a. O Surucucu-facão morde as pessoas, também dói como qualquer cobra. Uy+arun mɨrɨti mui y+apana chikuarata awachatsu. O Surucucu-facão correndo (deslizando) persegue a pobre pessoa.
36 - Tartaruga-do-Amazonas (Puka) [puca]: tipo de tartaruga aquática (Podocnemis expansa). Pode crescer até 1 metro de diâmetro, 30 centímetros de altura e pesar 50 kg. Sua cabeça é relativamente pequena e de forma cônica. A tartaruga é maior comparado ao tracajá, jabuti, cágado, iaçá e mata-matá. Sua carapaça é triangular. As tartarugas jovens colocam em média 70 ovos e os mais velhos colocam mais de 100 ovos. O povo Kokama utiliza a carapaça para artesanato. Kantsi chunka tsupiay+aran puka, ai y+ai warita itiniari. A tartaruga-do-amazonas coloca setenta ovos na praia.
37 - Tracajá (Tarikay+a) [taricaza]: É uma espécie de cágado comum na Amazônia (Podocnemis unifilis). É muito visado pelo comércio ilegal porque faz parte do cardápio habitual das populações ribeirinhas. Têm como característica manchas amarelas bem visíveis na cabeça. Mede em torno de 45 cm e pesa em média 8 kg. A casca de seus ovos tem uma consistência vidrosa. O sexo é determinado pela temperatura de incubação dos ovos. No laboratório, machos foram produzidos em temperaturas de 28, 30 e 31ºC, enquanto fêmeas nascem de ovos incubados principalmente em temperaturas acima de 32ºC. O Tracajá é uma espécie em perigo de extinção. Chapuni tarikay+a tsupia. O ovo de tracajá é delicioso. Tarikay+a tsupiatsui ini y+auki manti. Do ovo de tracajá se prepara o mandi (torta de ovo de tracajá).
38 - Tracajá macho (Kapitari) [capitari]: espécie de tracajá pequeno (Podocnemis unifilis). Kapitari tɨma tsupiay+aran. O tracajá macho não tem ovos.
39 - Tracajá pequeno (Kumpetsa) [kumbetsa]: tipo de tracajá. Termo Kukamiria. Ikian kumpetsa riai ra chira y+urere mɨrɨtipan tsuin. O nome deste tracajá pequeno também é tracajá do buritizal.
40 - Tracajá-do-burutizal (Y+urere) [zuriri] - Variante: (y+ureru) [zuriru]: Tipo de tracajá pequeno. Yurere, tarikay+a mishan mɨrɨtipankuara kakɨrɨn. O tracajá-do-buritizal, o tracajá pequeno, vivem no buritizal.
Exercício da Aula nº 42:
01 – O que são Répteis?
02 - Como nascem os répteis?
03 – Quais as Classificações dos répteis para o povo Kokama?
04 - Desenhe uma tartaruga, um jabuti, um tracajá, um mata-matá, uma jararaca, um cobra coral, um jacaré e um jacurarú. Coloque o nome em Kokama embaixo de cada desenho.
05 – De qual réptil era tirado veneno para sarabatana e flecha para guerra? Relate.
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Até a próxima! Iniaparari!
Ainan ta! Obrigado!!!
Prowetsuru Tsamia. Professor Samias.
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sábado, 29 de maio de 2021

Curso da Língua Kokama. Aula nº 41: Sábado, 29 de maio de 2021. O que são Anfíbios na língua Kokama?

Aula nº 41: Sábado, 29 de maio de 2021.
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LEMBRETE: não tivemos aula do Curso da Língua Kokama nos dias 22 e 23 de maio de 2021, devido que o Patriarca Cacique Geral foi para Manaus realizar Assembléia Geral de Eleição do Cacique Geral Metropolitano de Manaus e entorno. Foi Eleito o Sr. FREIDILAN ALBUQUERQUER KOKAMA como Cacique Geral Metropolitano de Manaus e entorno; Sr. JOSÉ RODRIGUES FIGUEIREDO KOKAMA como Secretario Geral do Cacicado Metropolitano; Sr. SMALLEY SAN KOKAMA como Tesoureiro do Cacicado Metropolitano. Agora essa Diretoria do CACICADO GERAL METROPOLITANO DE MANAUS E ENTORNO são a referencia tradicional da Federação Indígena do Povo Kukami-Kukamiria do Brasil, Peru e Colombia – TWRK para organizar as Aldeias Kokama de Manaus e entorno e Auxiliar os Caciques das Aldeias Kokama. Publique-se. (SECRETARIA GERAL DA FEDERAÇÃO INDÍGENA TWRK).
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Mari Kurɨurukana kumitsa Kukamɨeka?
O que são Anfíbios na língua Kokama?
São grupos dos sapos, rãs, pererecas, salamandras, cecílias e cobras-cegas.
Os anfíbios são animais vertebrados que possuem o corpo sem escamas. Por esse motivo é que a maioria deles apresenta pele lisa, fina e úmida.
A temperatura do corpo dos anfíbios varia conforme a temperatura do ambiente em que estão.
Os Anfíbios vivem geralmente em ambientes úmidos, próximos à água como dos lagos (ɨpatsukana).
Alguns anfíbios podem ser vistos também no interior das florestas.
Os anfíbios se alimentam de pequenos animais (animarukana), como moscas (merukana), aranhas (y+anukana), minhocas (tsetsupunipiarakana) e até mesmo de outros anfíbios ou de pequenos mamíferos.
Sapo: Kurɨuru.
Sapinho: Kurɨuru kɨra.
Sapão: Kurɨuru tua.
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IKARA KURɨURUKɨRAKANA:
Purɨurɨuka arɨwa,
purɨurɨuka arɨwa,
kurɨuru kɨranu (kɨrakana) utsu ɨatawa.
Purɨurɨuka arɨwa,
purɨurɨuka arɨwa,
kurɨuru kɨranu (kɨrakana) utsu ɨatawa.
“Rana kumitsa:”
Kuari kui, kui, kui,
Kuari kua, kua, kua,
Kuari kui,
Kuari kua.
Kuari kui, kui, kui,
Kuari kua, kua, kua,
Kuari kui,
Kuari kua.
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A maioria dos anfíbios nasce a partir de ovos, mas sem casca. Eles geralmente são lançados em locais úmidos, em folhas, ou mesmo na água. Neste último caso, alguns sapos, rãs e pererecas, logo após saírem de seus ovos, possuem corpo bem diferente do dos anfíbios adultos.
Os Anfíbios não têm patas e apresentam cauda. Nessa fase da vida, são chamados de girinos (renakuajukana).
Os Girinos (renakuajukana) possuem brânquias (apekukana) e são capazes de nadar (ɨata), tal como os peixes (ipirakana). Alguns dias depois do nascimento (uwari), o pulmão (putu) dos girinos vai se desenvolvendo, assim como suas patas (pɨetakana). Ao mesmo tempo, a cauda e as brânquias vão desaparecendo. Essas mudanças fazem parte de um fenômeno da natureza chamado metamorfose (uwakatapa).
Após sofrer metamorfose (uwakatapa), os sapos, rãs e pererecas já podem viver fora da água. Os Anfíbios passam a respirar com a ajuda dos pulmões, e também pela pele (respiração cutânea).
Os Anfíbios são divididos em três grupos (Mutsapɨrɨka y+atɨrɨkana):
Y+atɨrɨ Wepe: Kurɨuru (Sapos, rãs e pererecas): Eles têm quatro patas e não possuem cauda. Além disso, passam por um processo chamado metamorfose.
Sapo (Kurɨuru) [curüru]: nome genérico. Termo utilizado pelo povo Kukamɨe. Também é o nome do sapo cururú (Kurɨuru), Rhinella marina. Emete kurɨuru upurikatukaminu, emete y+amua tɨma upurikatukan. Existem sapos que saltam, existem outros que não saltam.
Y+atɨrɨ Mukuika: Kuki mui (cobras-cegas e cecílias): Não possuem patas, e o corpo é alongado. Como o corpo delas é liso, sem escamas, não podem ser confundidas com as serpentes nem com as cobras-de-duas-cabeças.
Cobra-cega (Kuki mui): Tipo de cobra de corpo preto com manchas brancas (Amphisbaena Fuliginosa). Se encontra em ninhos de formiga cortadeira. Kuki mui kakɨrɨ ɨpɨpe tuy+ukakuara. A cobra-cega vive embaixo da terra.
Y+atɨrɨ Mutsapɨrɨka: Ay+uru (Salamandras): Possuem cauda, corpo alongado e quatro patas. No entanto, não podem ser confundidas com as lagartixas, já que não possuem escamas, nem unhas. No Brasil, existe somente uma espécie de salamandra.
Salamandra (Ay+uru) [azuru]: Ay+uru emete y+a tsurima y+a pɨetakuara tiniwa, ɨtsɨkan. A salamandra tem veneno branquinho, pegajoso em suas patas.
Vamos práticando Kokama:
01 - Perereca-trepadora-punctata (Wenaru) [úinaru]: tipo de anfíbio cujas patas se estiram de maneira considerável quando pulam (Hyla punctata). Existem de duas cores: um verde e outro de cor marrom, este último não é comestível, seu corpo é pegajoso e se encontra nas casas. Wenaru kakɨrɨ ukatsa tsɨmakuara. A Perereca-trepadora-punctata vive metido na borda do teto da casa.
02 - Rã aquática (aru) [aru] - Variante: (uru) [uru]: espécie de anfíbio de corpo aplainado (Pipa pipa). Quando está estressado, seu peito infla com seu veneno e ataca a seus agressores. O canto desta rã indica que é tempo da vazante e a temporada em que a tarikay+a (Podocnemis unifilis) coloca seus ovos. Seu nome em Kokama está inspirando em seu canto “uru, uru”. Aru kumitsa uni y+upuni tɨpapuka. A rã aquática canta quando começa a vazante.
03 - Rã kambô (Kampu) [cambu]: espécie de sapo que produz uma substância altamente tóxica, secretada da Phyllomedusa bicolor, também conhecida como rã kambô. Nós do povo Kokama usamos o kambô em rituais para reforçar nosso sistema imunológico. Nós caçamos a rã verde, que é logo identificada. Depois, amarrando as quatro patas da rã, extraímos o veneno com um graveto fino (tipo espátula) coçando as costas. O veneno do sapo verde atua em três frentes: mental, física e espiritual. Num alinhamento do ser para sua cura completa. Para que o ritual do kambô surta efeito, o participante deve estar em jejum, em seguida, toma três litros de água enquanto o pajé faz uma série de queimaduras superficiais, pontos com cigarro, em sua pele. A reação é em 15 minutos. Nas mulheres é aplicado na panturrilha. E nos homens aplicamos nos braços e peito. Nesses pequenos ferimentos, o pajé aplicará a substância extraída da rã verde. O liquido extraído da rã e misturado com água, logo, colocada para secar sobre uma tábua, o veneno fica com consistência pastosa e cor branca. Dentro de três a quatro minutos depois da aplicação, você sente um fogo correndo pelo seu corpo, uma chama que parte dos dedos dos pés e chega até a sua cabeça. Você sente o coração na garganta, fica congelado, transpira. O ritual da rã Kambô só pode ser aplicado por um pajé experiente. Kampu erapaka. A rã Kambô é linda.
04 - Rã-defumada-da-selva ou rã-mãe-da-chuva (Y+uwe) [zuúi]: tipo de anfíbio da floresta que canta anunciando a chuva (Leptodactylus pentadactylus). Tem duas listras escuras no lombo que dar uma aparência desagradável. Para colocar seus ovos, faz seu ninho na terra com sua própria espuma. Esta rã serve como alimento ao povo Kokama. O povo Kokama pela em água fervida e daí as lavam com limão e logo pegam para assar em forma de pupeca. Y+uwe kumitsa ɨwɨratikuara amana uritsen. A rã-mãe-da-chuva canta no mato quando vai chover. Y+uwe y+ankata y+a tsupia tɨy+ɨkuara tuy+uka kakuarankuara. A Rã-defumada-da-selva coloca ovo dentro de sua espuma no buraco da terra.
05 - Sapo boana calcarata (turatura) [turatura]: espécie de diferentes cores: marrom, cinza, verde e etc. (Hyla calcarata); Vivem nas folhas das árvores da floresta. Turatura pewananin ai kumitsa karuka ipɨtunipuka. O sapo boana calcarata é aplaindo e canta pela tarde e ao anoitecer.
06 - Sapo demônio (kunawaru) [cunaúaru]: espécie de anfíbio (tipo de sapo) de corpo aplainado. Vive nos buracos das árvores. Sua urina deixa manchas amarelas nos paus. Tem um canto muito característico “au, au, au...”. Segundo os Kukamɨe este sapo tem o poder de transformar-se em demônio, adquirindo a forma de uma onça ou de macaco grande para matar e comer a gente. Kunawaru ɨwana uwakapa awa umanutatara. O sapo demônio é mau agouro, se transforma para matar a gente.
07 - Sapo venenoso (Kurɨuru tsurima) [curüru surima]: espécie conhecido como Sapo Ponta-de-Flecha, geralmente possui cores em tons vermelho, azul ou amarelo brilhante. A espécie é da família Dendrobatidae, uma ordem de anfíbios anura (classificação dada a sapos, rãs e pererecas de tamanho pequeno). O ‘dardo venenoso’, é considerado um dos mais perigosos do mundo. Kurɨuru tsurima churan y umanutapan. O sapo venenoso é pequeno e mortal (letal).
Exercício da Aula nº 41:
01 – O que são Anfíbios?
02 - Quais são as divisões dos Anfíbios?
03 – Conte-nos para que serve o ritual Kokama da Rã Kampô.
04 – Qual é o nome do sapo mais letal da ponta da sarabatana?
05 - Desenhe e pinte os animais da aula de hoje e coloque seus nomes em kokama embaixo da figura.
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Até a próxima! Iniaparari!
Ainan ta! Obrigado!!!
Prowetsuru Tsamia. Professor Samias.
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domingo, 16 de maio de 2021

Curso da Língua Kokama. Aula nº 40: Domingo, 16 de maio de 2021. O que é uma partícula textual em língua Kokama?

Aula nº 40: Domingo, 16 de maio de 2021.
Mari wepe miminiuta kuatiarakan?
O que é uma partícula textual?
É uma expressão expletiva ou de realce que tem o papel de realçar ou enfatizar um vocábulo ou um segmento da frase.
A partícula nunca exerce função sintática. Pode ser retirada da frase sem prejuízo sintático ou semântico.
Vale dizer que existe um número pequeno de casos. Conheça os principais:
1) Pronomes oblíquos átonos: ME (Tsa, Etse/Ta), TE (Ene,Na), SE (y+a/ra, ai/uri, ai/ura), NOS (Penu/Tana, INI), VOS (Epe) acompanhados de verbo intransitivo:
– Ta utsutsapa kamutun! Vou-ME embora amanhã!
– Ra y+aparari ɨpɨtsaka, marikua ra arɨrɨka ɨpɨtuni akɨchatiy+a. Ele SE deitou cedo, porque SE tremia de medo do escuro.
– Ini y+apɨkepe rikuara ukuari. Nós NOS sentamos por causa do cansaço.
2) Vocábulo MARI (QUE):
– Chun MARI ra umanukatuka. Quase QUE ela desmaia.
– Maniatipa MARI epe ikian ta muki?! mariratipa pupe katunta kuy+ananka?! Como QUE vocês fazem isso comigo?! Por que QUE fizeram tamanha covardia?!
– MARItin ukuata tsaniutsu kuatiarakan! Seguramente QUE passarei na prova!
– Pupetin MARItaka era tsaniutsu wata mukuika waranka mukuika chunka wepe. Com certeza QUE vou ser classificado em dois mil e vinte e um!
– MARI Ankeukana tsawakuarachikuara na tsakari, ta taɨra. QUE os anjos te protejam, meu filho! (Neste caso, o QUE pode ser interpretado como conjunção integrante antecedida de verbo volitivo ou optativo implícito: “Desejo = Tseta ou Espero que…= Kauki...”).
– Tɨma ikua maniapuka MARI ra iriwa. Não sabemos quando QUE ela volta.
– ɨpɨtsakatsuika MARI rana kauki tana. Desde cedo QUE esperavam por nós.
– Kuan tsuriui Rutsamuki, arɨwa MARI ta tsuwanaui puwa ɨy+ati. João estava com Rosa, enquanto QUE eu chupava o dedo.
3) Vocábulos SÓ (pain, -na, -nan, -nani, -nanin ), LÁ (y+ukunka /y+ukaka), CÁ (ajanka/ikiaka), NÃO (tɨma):
– Umi pain mari ɨtɨ! Vejam SÓ que lixo!
– Umi y+ukaka mari ta utsu kumitsa... Olha LÁ o que você vai falar…
– Emete ikiaka ta munarikana. Tenho CÁ minhas dúvidas.
– Ikuaka mari tsuwɨru ta TɨMA eruramaka ta emete kuriki riai erapakatun. Imagine que inveja eu NÃO causaria se tivesse dinheiro e também beleza.
4) Verbo SER (Kumitsa PUPE), Verbo HAVER/TER (Kumitsa EMETE), Verbo ESTAR (Kumitsa y+uti):
–PUPE ɨkɨratsen tsarɨwa. SER criança é ser feliz.
– Tsa memɨra EMETE chunka wata. Meu filho TEM dez anos.
– Kamutuni rana Y+UTI ikiaka. Amanhã ESTARÃO aqui.
5) Expressão É QUE (MARI), É ONDE (MAKA), É QUANDO (MANIAPUKA):
– Tapɨy+a MARI tseta ta tuitsakana. O povo É QUE deve cobrar os políticos.
– itini MAKA emete erapaka wainakana. Na praia É ONDE há belas mulheres.
– Amanarɨwa MANIAPUKA ai ykuataitaka umanukatukapu. Durante a chuva É QUANDO ocorrem mais acidentes.
6) As partículas textuais Kokama:
01 - Assim (Ajamia) [arramia]: Ajamia na y+aukiai. Assim você faria.
02 - Assim (Ikiara) [iquiara]: partícula que contêm os morfemas “ikia” e “-yara”, a letra “y” não aparece nessa união para formar essa partícula. Ikiara na y+aukiura. Faz você assim (desta maneira).
03 - Assim (Na) [na]: morfema que se usa depois de uma quota direta, faz referencia ao que está citando. Os verbos que ocorrem com freqüência depois de uma quota são: KUMITSA, que significa “dizer/falar”; CHIRATA, que significa “nomear”. Utsu tsa ichari ene, na y+a kumitsa. Vou te deixar, assim disse ela. Etse Kukamɨepura, na tsa kumitsa. Eu sou Kokama, assim eu digo. Tana utsu epemuki kumitsakatara, na ikian maikana kumitsa tanatsui. Vamos ir para falar com vocês, assim nos disse estes mestiços. Ikian ta chira, na ikian itsatsunipura chikara ra chira. Este é meu nome, assim desta maneira este sagüi preto encontra seu nome.
04 - Assim (Nanin) [nanim]: Para esta partícula deve ser acompanhada de gesto das mãos. Ajamia nanin atawari taɨra. Deste tamanho assim é o pintinho (indicando a altura com a mão). Pekuara utsu kuka y+umati nanin. O caminho para ir a roça é direitinho assim. Tsa kɨwɨra emete wepe nanin. Meu irmão existe um assim.
05 - Assim como (Ajay+a) [arraza]: Ajay+a na y+aukiai. Assim como esta Faz.
06 - Assim como (Ikiay+a) [iquiaza]: Ikiay+a na y+aukiura. Assim faça como este.
07 - Assim; Desta maneira; Similar (Y+a) [zá]: Y+a, na y+auki tsaparu. Assim, desta maneira faz o paneiro.
08 - Auxiliar de movimento (-utsu) [-utisu]: partícula que indica morfema ligado de acontecimento em movimento desde o falante. ɨpɨtsarai y+a tsawatuanu warikautsu y+a ɨrɨkarɨ katika. Durante a noite, os espíritos vão subir até seu mosquiteiro. Y+umɨrawa, y+a tsuautsu. Com raiva, vai trazer-lo. Y+anamata karɨrɨkanpu y+a itikaka y+utsu. Depois de raspar a erva se vai lançar-lá.
09 - Cada; Cada uma de (Chitai) [titai]: morfema de distribuição. Segue um nome para estabelecer uma correspondência distributiva entre os membros numerais de uma série, exemplo, IRMÃOS; ou os de outro exemplo, CANOAS. Tsa kɨwɨranu chitai ɨara emete. Cada um dos meus irmãos tem canoa. Watsatsa tsetsay+ara tsakama chitai miminiurapa. A flor miúdinha do abiu abunda em cada rama. Emete wepe churi y+akina petse chitai. Existe um periquito em cada janela.
10 - Concluído; Obrigado; Terminar um feito; Já está feito; Forma de agradecimento (Awi) [aúi]: particular de conclusão ou agradecimento. “Awi” é uma forma de agradecer, por exemplo, ao terminar de comer, pode se dizer “AWI ETSE/ AWI TA” que também é “Obrigado”. Expressões que cumprem funções similares são: “awinan” e “ainan etse/ ainan ta”. A palavra “TSURPAKI” significa “DEUS LHE PAGUE”, foi emprestado do Quéchua. Awi na ey+ui. Termina de comer. Awi tsa upata kumitsaui, tɨma uy+aritsa kumitsautsu. Eu já terminei de falar, já não voltarei mais falar.
11 - Cuidado (Inanpika) [inanbica]: partícula com sentido de chamar a atenção. Inanpika kumitsapa. Cuidado vai falar demais. Inanpika kamata mari. Cuidado não vai tocar em nada.
12 - De verdade; Sério (Atsimin) [atisimim]: particular de veracidade. Atsimin tɨma na ɨra? Upa na chitsaripa kumitsa? Sério, você não mente? Você esqueceu-se de falar?
13 - Essa clase; Esse tipo (Y+an) [zán]: Forma de discurso feminino. Y+a nai ikua y+auki y+an tsaparu. Sua avó sabe fazer essa classe de paneiro.
14 - Essa classe; Esse tipo (Rian) [riam]: partícula na forma do discurso masculino. Ra nai ikua y+auki rian tsaparu. Sua avó sabe fazer essa classe de paneiro. Rianan, uri kumitsaka. Esse tipo, fala ele.
15 - Este/Esta (Apu) [apu]: partícula que se usa quando se está pensando no próximo que se vai dizer, quando estamos tratando de lembrar-se de uma palavra que esquecemos, como uma estratégia similar a “isto”. Tɨma tsa y+akuararai, apu, mania ajan chira... Não me lembro, este, cómo é que se chama isto...
16 - Futuro (-utsu) [-utisu]: morfema ligado de futuro que aparece no final da frase verbal. Na papa ikuapura na ikuautsu. Conhecerás a sabedoria de teu pai. Ikuntaka ra chikuarata iniutsu. Talvez agora nos seguirão. Ra ey+utsu ra tsaikɨrapu. Ele comerá com seus pequenos dentes. Ikiaka ta umanutsu. Aqui eu morrerei.
17 - Incerteza (-tsun) [-tisum]: Partícula de incerteza, que ao inicio de um texto se entende como “POIS”.’ Expressando um desejo talvez impossível. Awatsun uri tsay+umay+aritara. Pois como não vem uma pessoa para ajudar-me. A: Awatipa uriui? B: Aitsun, uriui. A: Quem tem vindo? B: Ele, pois tem vindo.
18 - Já (Ai) [ai]: partícula que indica que uma ação se iniciou ou se concluiu. Usado tanto homens como por mulheres. Ai na papa tsapukita nui. Teu pai já te chamou. Ai ta iriwa. Eu já volto.
19 - Já então; Está bem (Ana) [ana]: partícula de expressão de consentimento, aceitação com resignação. Este termo implica um certo desacordo prévio. No primeiro exemplo, o contexto apropriado seria que a mãe não estava de acordo em que a nora tivesse um filho. O segundo exemplo implica aceitação: “que venha, pois, o que vamos fazer, já que se importa”. Ana na mirikua memɨray+ara. (Se tanto quer) está bem que tua mulher tenha um filho. A: Wiktoruy+a uri ajanka. B: Ana y+a uri. A: Disse que Víctor vai vir aqui. B: Que venha então, não tem problema. (Literalmente, “Está bem, que venha então”).
20 - Maneira; forma; modo de ser ou fazer algo (-pupe) [-pupi]: partícula que pode aparecer ligado no final da palavra (morfema ligado) ou livre (pupe). Se alguém observa que meu filho é pálido, poderia me perguntar o seguinte: A: Marikua na memɨra tsa umi tintinipanan? B: Y+apupe, y+anan y+a. A: Por que vejo o teu filho pálido? B: Essa é sua maneira, assim é (pálido) desde seu nascimento. Tɨma tsa y+umɨra, eretse tsa kumitsapupe. Não estou com raiva, assim forte é minha maneira de falar.
21 - Nós (Tana) [tana]: 1ª pessoa do plural exclusivo do discurso masculino. Tana apukakana tsaikakuarawara. Nós ríamos de nervoso.
22 - Nós (Penu) [pinu]: 1ª pessoa do plural exclusivo do discurso feminino. Pode operar em função de sujeito, objeto e possessivo. Na função de sujeito pode realizar como prolífico de verbo, em função de objeto como enclítico. Y+aepe penu tsuparakapatsuri ɨwɨratikuara Então nós se perdimos no mato. Aimuki penutsu penu ritamaka. Com ele vamos a nossa comunidade.
23 - O que? (mari?) [mari?]: Mari ra y+auki ikiaka? O que ela faz aqui?
24 - Obrigado; Agradecido; Grato (Aina) [aina] - Variante: (Ainan) [ainam]: partícula de agradecimento. Forma derivada composta a partir do morfema “ai”, o qual indica que uma ação já está concluída, mais a marca de foco restrito “-nan” que significa “somente”. A esta partícula se acrescenta um pronome para expressar agradecimento e às vezes despedida. Ainan ta kumitsa. Obrigado eu falo (até aqui). Ainan tsa ey+ui. Obrigado, eu já comi. Ainan tana. Estamos agradecidos. Ainan etse na ey+unchatsuikua. Estou agradecida por tua comida. Ainan, ta amatska ey+un. Obrigado, já estou satisfeito (de comer).
25 - Passado recente (-ui) [-ui]: partícula que indica que o evento acaba de acontecer, ou ocorreu no mesmo dia do momento da fala. Amana tɨata tsaui. A chuva me molhou (literalmente, a chuva acabou de me molhar). Makataka ra utsui? ikiaka ra y+amimiui? Aonde você foi? Se escondeu aquí? Makatipa na kumitsaui ima? na rana, kumitsa. Onde disse que você fez irmão? que você selecionou, dizem.
26 - Pluralizador feminino (-nu) [-nu]: partícula de plural feminino que fica ligado ao final para palavra. Tsatsatsɨmari tsa memɨrapuranu. Meus filhos estavam gritando. Y+aepe, y+a umi chita ukakɨranu. Então, aí se ver muitas casas pequenas.
27 - Pluralizador masculino (-Kana) [-cana]: Ikiakanan pukachatsukana ukɨrɨ. ‘Só aqui dormem as pobres tartarugas. Ai uchimari tsaipurapankana. Os bêbados já estão saindo.
28 - Pobrezinho/Pobrezinha; Com afeto; Pena (Tuashta) [tuachita] - Variante: (Tuishta) [tuichita]: partícula que também pode funcionar como pronome “o pobre/ a pobre”. Utsu y+a tuashta inu umanuta. Já vão matar a esse pobre. Tsa tuashta memɨra y+amɨma, tsa ichari utsu ikua. Meu pobre filho estar triste, porque vou deixá-lo.
29 - Proibição; Não; Nada; Negação; Nem (Tɨma) [tïma] - Variante: (Tima) [tima]: Tɨma ra tseta ey+un. Ele não quer comida. Raepe, ipira tɨma watari. Ali, os peixes não o faltam. Y+aepe inu tɨma ey+u tewe. Não, eles não comem sal. Tɨma mari epe ey+utsu. Nada do que têm eles vão comer. Watataka tɨma ra ɨwama. Talvez um ano que não se destrói. ɨpatsukana tɨma tɨpɨnkana. Os lagos não são profundos.
30 - Proibição; Não; Nada; Negação; Nem; Nenhum/Nenhuma; Sem nada (Ni) [ni]: seu alcance é a frase nominal que segue este morfema. NI/N, atua como modificador da frase nominal ao que antecede (nin). Parana tsɨmari inu upuka ni tuntachiruy+ara. Saem à margem do rio sem calções. Ni tsawachatsu erutsu mey+upura. Nem as pobres almas levam o beijú. Nin tsawachatsu erutsu rapura. Nenhuma alma leva isso. Nin rapura tsawachatsu erutsu. Nada levam as pobres almas.
31 - Proibição; Não; Negação (Ina) [Iná] - Variante: (Inan) [inan]: Usa principalmente em orações imperativas negativas. Ina chikuarata etse! Não me siga! Ina y+achuta tsa memɨrakɨra. Não faça chorar o meu filhinho.
32 - Similar; Igual; Parecido (Matse) [matisi]: indica que uma identidade é similar ou tem um comportamento parecido ao de outro. Compartilhado do idioma Quéchua. Kati matse mirikua Mijiri. A Kati é parecida à mulher do Miguel. Watsaripa matse y+ukun wainachatsu tsa. Essa mulher parece louca como eu.
33 - Somente com; Só; Puro; Sem misturar (pain) [paim]: Panara pain penu ikua ey+u, tɨma y+awirimuki iruatakan. Somente com banana sabemos comer, não misturamos com macaxeira. Y+awiri painpura tsa papa erura. Meu pai só traz macaxeira.
34 - Todavia (-tsapa) [-tisapa]: partícula de morfema ligado para continuar fazendo algo. Tsa mainanitsapa inu. Todavia, vou continuar cuidando-os. Ta chikaritsapa ta kamatamiran. Todavia, vou buscando meu trabalho.
35 - Vai; Vai a; Vão a (Rawa) [raúa]: partícula de forma exortativa. Termo usado pelos homens para construir ordens: (RAWA) verbo (UTSU). A segunda pessoa do singular está implícita. A segunda pessoal plural deve incluir-se depois de “RAWA”. Esta construção não funciona com primeira pessoa do plural. Rawa utsu! Vai tú! Rawa tsukuta ra chiru utsu! Vai lavar sua roupa! Rawa tawa epe ipia utsu. Vão buscar lenha de vocês (ordem para um grupo de pessoas).
36 - Vai; Vai a; Vão a (Y+awa) [zaúa]: forma exortativa. Termo usado pelas mulheres para construir ordens: (Y+AWA) verbo (UTSU). A segunda pessoa do singular está implícita. A segunda pessoal do plural deve se incluir depois de “y+awa”. Esta construção não funciona com primeira pessoa do plural. Y+awa tɨkɨta ɨara utsu. Vai amarrar a canoa. Y+awa utsu ajantsui. Vai daqui, sai! Y+awa chikuarata na memɨra utsu kupetara utsun. Vai, segue o teu filho que está indo plantar.
37 - Vamos (Y+apai) [zapai]: forma exortativa que inclui o falante e o ouvinte: Vamos fazer X. Termo usado por homens e mulheres. Y+apai umanuta ikian y+akaripura. Vamos matar este jacaré. Y+apai y+umi kuatiaran ranatsui. Vamos dar a carta a eles.
38 - Vamos ver (tsuntin) [sudim]: Partícula da versão feminina de “TUNTIN [tundin]”. Tsuntin na y+upunita ɨmɨntsara tsa tsenumira. Vamos ver, começa a contar para escutar.
39 - Vamos ver (Tuntin) [tundin]: Expressão que se usa em adivinhações ou desafiar alguém. Ikian niapitsara kumitsa: tuntin na ay+ukata. Este homem disse: vamos ver se me pega. (literalmente, vamos ver tenta me pegar).
40 - Verdadeiramente (-tseme) [-tiseme]: Partícula de morfema ligado que dar veracidade aos fatos. Uwarikatseme na y+apichikai. Sobe verdadeiramente de uma vez por todas para buscá-lo. Aitsemekatseme, ra tɨma katupe. De verdade, verdadeiramente, ele não aparece.
Exercício da Aula nº 40:
01. O que é uma partícula textual?
02. Dê exemplos do vocábulo MARI.
03. Quais as formas de agradecimento em Kokama?
04. Explique como deixamos uma palavra kokama no plural.
05. Quais as formas de “NÃO” em Kokama? Exemplifique.
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Até a próxima! Iniaparari!
Ainan ta! Obrigado!!!
Prowetsuru Tsamia. Professor Samias.
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sábado, 15 de maio de 2021

Curso da Língua Kokama. Aula nº 39: Sábado, 15 de maio de 2021. O que são Conectores textuais em língua Kokama?

Aula nº 39: Sábado, 15 de maio de 2021.
O que são conectores textuais em língua Kokama?
Maritipa kuatiarakan uy+aripan kumitsa Kukamɨepu?
Conectores (Uy+aripan) são palavras empregadas para ligar ou articular idéias, palavras ou orações. Trata-se, pois, de um recurso essencial à coesão do texto e, conseqüentemente, à elaboração de qualquer mensagem.
Os conectores textuais são uma ferramenta essencial para uma redação em língua Kokama.
Os conectores são a classe de palavras normalmente associadas à função coesiva, a outras espécies morfológicas. Exemplos: Assim desta maneira (Naniwa) [naniúa]; Assim desta maneira (Ria) [riá] - Variante: (Rian); Assim desta maneira (Riawa) [riaúa]; Assim desta maneira (Y+awa) [zaúa]; Assim então (Rianan) [rianam]; Assim então (Y+aepe) [zaipi] - Variante: (y+aipe) [zaipe]; Assim então; Neste momento (Raepe) [raipi]; Depois (y+aepetsui) [zaipitisui]; Depois (Raepetsui) [raipitisui]; Entanto; No entanto; Entretanto (Riakuara) [riacuara]; Entanto; No entanto; Entretanto (Y+akuara) [zacuara]; Logo depois (Riantsui) [riantisui]; Logo depois (y+antsui) [zantisui]; Outra vez (Uy+arika) [uzarica]; Pois então (Urian) [uriam] - Variante: (Uria) [uriá]; Pois então (Y+ukatsera) [zucatisira]; Por isso (Y+ikua) [zicua]; Porém (iy+an) [izam]; Também; Tampouco (Y+ai) [zaí]; Também; Tampouco (Riai) [riai].
Entretanto, vamos aprender como são empregados os conectores textuais na língua Kokama.
01 - Assim desta maneira (Naniwa) [naniúa]: Chunaki tok, tok, tok, naniwa y+a iputaka. Tok, tok, tok, é o pica-pau assim desta maneira fazendo barulho. Ai ɨrɨrɨta tsa pɨetapura, “tsɨrɨj”, naniwa. Assim desta maneira, “suruuh”, ele ralou meu pé. Naniwa na kumitsa. Assim desta maneira ele disse. Ra tsapuki raui: “amikuuu”, naniwa. Ele chamou: “amigooo”, assim desta maneira.
02 - Assim desta maneira (Ria) [riá] - Variante: (Rian) [riam]: Forma do discurso masculino. As mulheres dizem “y+a”. Ria na y+auki urukuru. Assim desta maneira se faz a cesta. Rian kumitsa tɨma ta ikua. Assim desta maneira, essa fala (esse idioma) não entendo.
03 - Assim desta maneira (Riawa) [riaúa]: Termo do discurso masculino. As mulheres dizem “y+awa”. Riawa ta kakɨrɨ. Desta maneira eu vivo. Ta kumitsa era riawa. Eu falo melhor desta maneira.
04 - Assim desta maneira (Y+awa) [zaúa]: Forma do discurso feminino. Os homens dizem “riawa”. Makatipa na kakɨrɨ? Wepe waina piatai y+awa. Onde você vive? Uma mulher o pergunta assim desta maneira. Tsɨrɨ ikua, awanu akita chiru y+awa. Porque tem frio, a pessoa se veste assim desta maneira.
05 - Assim então (Rianan) [rianam]: termo do discurso masculino. As mulheres dizem “y+anan”. Forma do discurso masculino derivado a partir de “ria”, que significa “assim”; “isso”, mais a marca de foco restrito: “-nan”, que significa “só”. Rianan ta kakɨrɨ titika. Assim então, vivo eu sozinho.
06 - Assim então (Y+aepe) [zaipi] - Variante: (y+aipe) [zaipe]: Tem conotação espacial e temporal. Também pode funcionar como conector no discurso para expressar “neste momento”. Forma usada pelas mulheres. Tsa kakɨrɨ Tawatinika, y+aepe tsa memɨra kunia uwaritsuri. Eu vivo em Tabatinga, assim então nasceu minha filha. Iy+a pɨtanin ukuki uni arɨwa y+aepe ai ipira ey+u. O fruto maduro cai na água, assim então come o peixe.
07 - Assim então; Neste momento (Raepe) [raipi]: Forma usada pelos homens. Raepe waina y+apichikuara. Assim então, a mulher agarra dentro. Raepe ɨmɨntsarara upa. Assim então, acaba o conto.
08 - Depois (y+aepetsui) [zaipitisui]: conector usado no discurso feminino. Y+a tsakɨta taitatu, y+aepetsui y+a wakay+ai. Ele corta o caititu e depois reparte.
09 - Depois (Raepetsui) [raipitisui]: Conector usado no discurso masculino. Raepetsui ta iriwa utsu. Depois vou voltar.
10 - Entanto; No entanto; Entretanto (Riakuara) [riacuara]: Termo que contêm as formas “ria” mais “-kuara”. Palavra usada pelos homens. Upi awa tseta kumitsa portuketsupu, riakuara kukamɨechatsu ukaima. Todos querem falar português, no entanto o pobre Kokama está se perdendo. Riakuara tɨma uy+ari ini kumitsa kukamɨepu, ini ɨkɨratseminu tɨma uy+ari ikua utsa. Entretanto não conversemos outra vez em Kokama, nossos filhos não vão saber a língua de novo.
11 - Entanto; No entanto; Entretanto (Y+akuara) [zacuara]: Termo que contêm a forma “y+a” mais o morfema ligado “-kuara”. Palavra usada pelas mulheres. Upi awa tseta kumitsa portuketsupu, y+akuara kukamɨechatsu ukaima. Todos querem falar português, no tanto o pobre kokama esta se perdendo. Y+akuara tɨma uy+ari ini kumitsa kukamɨepu, ini ɨkɨratseminu tɨma uy+ari ikua utsa. No entanto não conversemos outra vez em Kokama, nossos filhos não vão saber de novo.
12 - Logo depois (Riantsui) [riantisui]: Termo usado pelos homens. ɨatira y+ukan waina tawa amaniu tsa, riantsui ra mutsanaka ta mamatsuri. Primeiro essa mulher recolheu a folha de algodão, logo depois curou a minha mãe. Uwaritupatsui ta ukuatsuri upimaka. Riantsui ta iriwa tupapenan. Desde onde eu nasci já fui a diferentes lugares. Logo depois voltei aí então (ao lugar onde nasci).
13 - Logo depois (y+antsui) [zantisui]: Forma usada pelas mulheres. ɨatira y+ukun waina tawa amaniu tsa, y+antsui y+a mutsanaka tsa mamatsuri. Primeiro essa mulher recolheu folha de algodão, logo depois, curou a minha mãe. Uwaritupatsui tsa ukuatsuri upimaka. Y+antsui tsa iriwa tupapenan. Desde que nasci tenho ido a diferentes lugares. Logo depois voltei aí então (ao lugar onde nasci).
14 - Outra vez (Uy+arika) [uzarica]: Uy+arika tupapenan ra ukukika. Outra vez cai no mesmo lugar.
15 - Pois então (Urian) [uriam] - Variante: (Uria) [uriá]: O termo “Urian” é no discurso masculino e “iy+an” é no discurso feminino. Emete mukuika atawari, urian wepe tsupiay+aran. Existem duas galinhas, pois então, só uma tem ovo.
16 - Pois então (Y+ukatsera) [zucatisira]: Se entende como “aí, pois está”; “é como te disse”; “eu tinha razão” ou “você estava duvidando”. Y+ukatsera, ɨmɨnua ukaimanpura ai ra katupeui. Pois então, o que se havia perdido antes, já apareceu. Y+ukatsera, ai ta kumitsui tɨma era ini ichari mari, awarai munapura. Pois então, já te disse que não está bem deixar as coisas, tem gente que rouba.
17 - Por isso (Y+ikua) [zicua]: Ashara piruara kuatiarapan tsuni tsawemuki, y+ikua awanu tɨma tseta ey+uai. O jundiá tem manchas pretas e cinzas, por isso a gente não o quer comer. Tsa kapukiripa, y+ikua tɨma apɨtse tsa utsu kuka. Tenho reumatismo, por isso não vou mais a roça.
18 - Porém (iy+an) [izam]: Termo que corresponde ao discurso feminino. Os homens dizem: “urian”. Aɨ erapakatun mɨmara, iy+an kaniupan animaru. A preguiça é uma bonita mascote, porém é um animal muito lento. Mɨrɨti tsu chapunin iy+an y+a aitsewanan. A carne do buriti é saborosa porém muito pouco. Y+amɨrana tsa ɨkɨran ini tsakurita, y+apurapu na tsai y+uriti charuwa iy+an tɨma y+a ikua pua, na umanukatika eranan y+uti. Mastigamos a folha verde do pimenta-de-macaco (chiparigori), com isso teus dentes ficam manchados, porém já não se apodrecem, até tua morte, estão bem saudáveis.
19 - Também; Tampouco (Y+ai) [zaí]: termo usado pelas mulheres. Os homens dizem “riai”. Usa-se como conjunção ao interior de uma oração ou como conector discursivo. Kukamiria y+ai emete. O Kukamiria também existe. Y+ai tsa utsu namuki tsa y+umay+aritsen ene. Também vou com você para te ajudar. Chipa tsuni aki ɨwɨwa tsey+uni ɨkɨrankuara ey+u tara. Y+ai awati iy+akuara y+a ey+upa. O besouro-broca-do-coqueiro entra para comer o brolho verde da tacana. Também come o fruto do milho.
20 - Também; Tampouco (Riai) [riai]: discurso masculino. As mulheres dizem: “y+ai”. Riai ta tseta ɨmɨntsarara natsui. Também, já quisera te falar. Riai ene tɨma ta tsapukiui. Tampouco já não tenho te chamado (Literalmente, também eu não te chamei). Ra apu riai ukɨrɨari. Seu chefe também está dormindo.
Exercício da aula nº 39:
01. O que são conectores textuais em língua kokama?
02. Classifique os conectores de “também” em língua Kokama?
03. Dê exemplo em kokama dos conectores “assim, desta maneira”.
04. Quais são os conectores “assim então” em Kokama?
05. Exemplifique os conectores “no entanto” em Kokama.
Tsarɨwa Kuarachi iruanutsui internatiunaka!!! (15/05).
Feliz Dia internacional da Família!!! (15/05).
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Até a próxima! Iniaparari!
Ainan ta! Obrigado!!!
Prowetsuru Tsamia. Professor Samias.
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