sábado, 26 de dezembro de 2020

CERÂMICA KOKAMA TRADICIONAL E CONTEMPORÂNEA

COORDENAÇÃO DE CULTURA, DANÇA, CULINÁRIA, CERÂMICA E ARTESANATO - Federação Kokama TWRK.
Disposto no art. 27, h, do Estatuto da Federação TWRK e ATA de fundação p. 02. De 27/08/2017.
Coordenador: HECTOR MANUYAMA HUAYTA -
Celular/ Whatsapp: +5597984325528.
CERÂMICA KOKAMA TRADICIONAL E CONTEMPORÂNEA
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Todo produto artesanal, cerâmica e outros são confeccionados por nossos artesãos e a venda não está incluso o frete.
Os materiais usados na confecção dos objetos tradicionais são: argila (tabatinga), caripé, pinturas naturais, lenha e fumaça.
O fundo branco para lembrar que hoje estamos vivendo a paz. A cor vermelha representa a coragem ou o sangue derramado, pode significar também os amores da vida. O preto representa o fundo das visões do ritual da Ayahuasca.
A cor marrom claro, marrom escuro e marrom amarelado são cores tradicionais de nosso povo.
Nossos grafismos tradicionais podem lembrar a vida, fatos da vida, morte, arcanas dos animais, poderes da natureza, lembrar outras tribos como os Incas (inkaiko), que ligam à vida material a ancestralidade para dar proteção e equilíbrio ao ambiente.
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HECTOR MANUYAMA HUAYTA -
MESTRE ARTESÃO SUPERIOR TRADICIONAL KOKAMA. WhatsApp +55 97 8432-5528.
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PROIBIDA A REPRODUÇÃO SEM AUTORIZAÇÃO.
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AOS FALANTES MATERNOS DE TABATINGA-AM E AO PATRIARCA CACIQUE GERAL KOKAMA.
WhatsApp: (97) 984226119
E-mail: edney_cunha@hotmail.com
© BY EDNEY SAMIAS - 2021.
MOVIMENTO SOCIAL DO PATRIARCADO CACICADO GERAL DO POVO INDIGENA KOKAMA DO BRASIL - MPKK
CNPJ 47.811.650/0001-80

O Patriarca Cacique Geral do Povo Kokama Francisco Samias (1954-2015)

FRANCISCO GUERRA SAMIAS
Patriarca Cacique Geral do Povo Indígena Kokama, Natural de Tabatinga-AM, nascido em 15/07/1954, filho de Antônio Januário Samias e de Alicia Helena Guerra.
Aos 18 anos de idade, deu-se a iniciativa na educação escolar do povo kokama, juntamente com seu primo Guilherme Padilha Samias, que foram os primeiros professores da Comunidade de Sapotal.
Foi fundador de todas as primeiras e maiorias das entidades civis indígena kokama. A primeira entidade kokama organizada no Brasil foi a ORGANIZAÇÃO GERAL DOS CACIQUES DAS COMUNIDADES INDÍGENA DO POVO KOCAMA. Em seguida fundou a AMIKCT (Associação dos Moradores Indígenas Kokama da Cidade de Tabatinga), que quando ficou doente a associação foi assumida por pessoas não-kokamas e até hoje estão em parceria com a FUNAI e deixando os verdadeiros Kokamas de lado. Para corrigir o erro fundou a entidade civil indígena que foi a PTKRKTT - ASSOCIAÇÃO INDIGENA DOS CACIQUES DO POVO KOKAMA DO MUNICIPIO DE TABATINGA-AM.
Em tempos recentes fundou a Associação kokama na Comunidade Terra da Paz situado nas margens do Rio Takana, Ewaré I, sendo Terra demarcada aos indígenas.
Seu maior sonho era que os povos Kokamas tivessem seus direitos respeitados (produção de livros, educação, saúde, habitação cultural, casa cultural em Tabatinga, etc.) e bem como a fundação da FEDERACAO INDIGENA DO POVO KOKAMA (INTERNACIONAL), da qual já deixou a Comissão Organizadora de fundação da Federação organizada e com a minuta do Estatuto pronto.
A FEDERAÇÃO DO POVO KOKAMA congregará, orientará, desenvolverá e conservará a cultura milenar do povo Kokama, respeitando os conhecimentos do nosso principal líder e Patriarca Cacique Maior FRANCISCO GUERRA SAMIAS.
A luta do movimento kokama recomeçou com o Patriarca Antonio Januario Samias, na comunidade de Sapotal, que teve a coragem de tirar os Kokamas do esquecimento governamental.
E em seguida passou o cargo de patriarca para seu filho Francisco Guerra Samias. E os trabalhos foram árduo, lutando pelo reconhecimento da demarcação de terras kokamas, buscou os anciãos falantes da língua materna kokama, navegando nos rios acima e abaixo do alto Solimões/ Amazonas, obviamente percorreu nos 3 países (Brasil-Peru-Colômbia) para saber mais sobre a nossa cultura kokama milenar.
E no dia 07 de dezembro de 2014, as 10:45:02, o patriarca Francisco Guerra Samias, indicou seu sucessor, o Patriarca EDNEY DA CUNHA SAMIAS, que a partir de então irá juntamente com as demais líderes kokamas verdadeiros, assumir a luta e corrigir os erros passados e atuais, daqueles que estão prejudicando os direitos de nosso povo kokama.
O Patriarca Cacique Geral do Povo Kokama FRANCISCO GUERRA SAMIAS, faleceu em 20/03/2015, em MANAUS-AM. E os restos mortais foram levadas para Tabatinga-AM para sepultamento no Cemitério Municipal Sao Lazaro no mesmo ano.
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DEPOIMENTOS DE FAMILIARES E LIDERANÇAS:
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“Pai, Francisco Guerra Samias, você foi um grande guerreiro, batalhou pelo seu povo, pelo juramento feito perante seu próprio pai para prosseguir o mesmo trabalho, conforme os últimos dias de seu pai Antônio Januário Samias (Patriarca do Povo Kokama). A luta de nosso pai foi incansável, enfrentando as crises de fome, de doenças e de todas as dificuldades da vida, sem apoio governamental e não-governamental, mas nunca abandonou seu povo Kokama. Nosso pai é um herói”. Depoimentos dos filhos.
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“A mais bela e marcante herança que um pai pode deixar a seu filho é a construção do caráter e os passos a serem seguidos. Pai obrigado por ser essa pessoa que o senhor sempre foi, um herói e um grande guerreiro. Francisco Guerra Samias, um grande guerreiro kokama, meu grande herói, jamais o seu trabalho será esquecido e nenhum esforço que o senhor fez será em vão.” Depoimento de, Ornan Garcia Samias, 4º filho de Francisco Guerra Samias.
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“Sofrimento pela perda, vai fazer muita falta a presença de meu tio Francisco Guerra Samias, ele foi um grande pai, um grande líder e um grande mestre, mas que um pai”. Depoimento de Jessica Samias Acho, sobrinha de Francisco Guerra Samias.
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“Não consigo acreditar que meu maior líder e mestre kokama, o Patriarca Francisco Guerra Samias, passou para o plano espiritual, fez a grande travessia, pois neste plano terreno ainda tinha muito a nos ensinar, mas acredito que no plano espiritual irá dar mais força e agora a luta será outra e maior. Pois agora ele vai somar na luta espiritual junto com meus ancestrais e com as bênçãos de Deus vamos alcançar as profecias de nossos antepassados. A luta não será em vão. Lutarei sem medo de nada para alcançar os ideais de nosso povo kokama. Assumirei o patriarcado com honra e tenho fé que não irei decepcionar os verdadeiros Kokamas e nem meu maior líder Kokama Francisco Guerra Samias, a qual devo respeito, obediência e gratidão. No momento vamos ouvir a voz do silencio, pois aí estão as vozes de nossos ancestrais. Nós não temos medo da morte, na hora da grande travessia vamos cantar a canção nobre tradicional de nosso povo ao nosso maior líder guerreiro que está voltando para casa.” Depoimento de Edney da Cunha Samias, sobrinho e sucessor de Francisco Guerra Samias.
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“O Senhor Francisco Guerra samias, é um exemplo de educação, agradeço pela oportunidade de conhecê-lo pessoalmente e sinto-me honrado de ser escolhido por ele e fazer parte da comissão da diretoria da associação PTKRKTT, aprendi que seu objetivo foi nunca desistir do movimento indígena, dos seus conselhos que eu nunca ouvir do meu próprio pai. Tudo que aprendi com ele vou levar comigo até o fim da minha vida.” Depoimento do diretor da saúde Reinaldo Vasquez dos Santos.
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“É com muito orgulho e honra de levar em frente o trabalho precioso do nosso querido líder Francisco Guerra Samias, fui escolhida por ele de assumir este compromisso de luta em nome do nosso povo kokama porque o mesmo percebeu que poderia confiar no meu trabalho de tanta angústia de dor, preocupação devido de tantos oportunistas que não honraram as regras de um líder kokama, no momento que mais precisou de pessoas de boa índole com espírito de guerreiro verdadeiros kokamas, com certeza cheguei no momento certo nas mãos do meu líder, levando também em nome da comissão, porque não há falsidade, desonra e perversidade e sim respeito, união e honra; que percorre no nosso sangue a dignidade, Com a perseverança do trabalho árduo enfrentando conflitos, com muita sabedoria e coragem aprendi vários conhecimentos culturais de nossos costumes ancestrais, só tenho `a agradecer a bênção e a confiança do meu líder que tanto almejava a nossa casa cultural no município de Tabatinga, os nossos livros didáticos sempre preocupado com a nova geração futuras, para aprender de forma avançada a nossa língua materna, tantos sonhos, projetos com a unificação do nosso povo kokama ,ele sempre estará vivo ao nosso redor como poder espiritual. Tudo isso, vamos dar continuidade com muito orgulho, dedicação e perseverança em nome do nosso patriarca Francisco Guerra Samias.” Depoimento da presidente da (associação PTKRKTT) ATUAL Federação DO POVO kOKAMA Glades Rodrigues Ramires.
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O Patriarca Cacique Geral do Povo Kokama Antonio Samias (1932-1995)

ANTONIO JANUARIO SAMIAS
Patriarca Cacique Geral do Povo Indígena Kokama, nasceu em 07 de outubro de 1932, na Comunidade Espírito Santo no Município de São Paulo de Olivença-AM, filho de Benjamin Samias e Sofia Samias.
Recebeu o cargo tradicional de Patriarca Cacique Geral do Povo Indígena Kokama de seu pai Benjamin Samias, que chamou os filhos o dividiu os poderes tradicionais, para um passou o poder de Pajé ultima coroa (segredo tradicional) e para outro o cargo de patriarca Cacique Geral (nosso então Antonio Samias).
No leito de morte, passou o cargo da medicina tradicional do Povo Kokama para seu filho Francisco Guerra Samias.
O Patriarca Cacique Geral do Povo Kokama ANTONIO JANUARIO SAMIAS, Faleceu em 10 de junho de 1995, em Tabatinga-AM.

O Pensamento Kokama

Venho fazer as honras de representar meus ancestrais e a todos os Kokama, como guardião da tradição Kokama milenar, respeitar os ensinamentos de nossos Patriarcas kokama anteriores, BENJAMIN SAMIAS, por curar o povo guando não tinha saúde indígena, ANTONIO JANUARIO SAMIAS, por tirar nosso povo Kokama do esquecimento oficial e pela primeira Terra Indígena Kokama Demarcada, Terra Indígena Kokama de Sapotal.
O nosso maior Líder de todos os tempos, FRANCISCO GUERRA SAMIAS, por fortalecer a luta Kokama, o resgate e o fortalecimento da língua Kokama no Brasil, bem como a organização das comunidades, demarcação das novas terra indígenas Kokamas, pioneiro na educação Kokama como professor juntamente com Guilherme Padilha Samias e Claudionor Januário e em geral a organização do povo Kokama e dos levantamentos de unificar o povo Kokama de rio acima e rio abaixo.
Naquele tempo só era puro Kokama, aí chegaram eles, aí quando foi um tempo, fizemos uma reunião o pessoal ta dizendo que ta faltando segundo capitão[...] (SAMIAS, 1988).
Nossa tradição milenar Kokama já estava considerada extinta, ou quase extinta para a sociedade envolvente. Achavam que nós Kokama não existíamos mais aqui no Brasil.Mas graças as lutas dos Patriarcas Kokama, o Patriarca Cacique Geral Antônio Januário Samias, o povo Kokama foram vistos novamente e tiveram sua primeira Terra Demarcada, abrindo oportunidade para as demais.
Em seguida o bastão e o colar Patriarcal do guerreiro kokama foi repassado ao Patriarca Cacique Geral Francisco Guerra Samias, que nasceu, cresceu, estudou e foi pioneiro na educação kokama no berço da luta Kokama, na Terra Sagrada de Sapotal, onde tudo recomeçou.
Ele vendo a sua cultura desparecendo do Mapa da História brasileira, saiu correndo, remando, de rio abaixo e rio acima do grande Rio-Mãe, mobilizando os anciões, os caciques locais e Kokamas idosos falantes da língua materna para manter viva as nossas tradições e principalmente a nossa língua que é nossa identidade.
Acreditamos que entre todos os laços de relacionamentos, o ideal é o relacionamento de pai e filho estabelecido entre o Grande Espírito Deus Pai da Criação e os seres humanos detentores de Consciência e livre arbítrio. O coração que vem a partir deste laço não pode ser arruinado pela autoridade de qualquer ser.
Tenho a missão de preparar o caminho para o novo Patriarca Cacique Geral Jophiel Guilherme Kokama que será um líder no novo tempo e de novos desafios para defender a causa do povo Kokama.
Estamos colocados no centro da história testemunhando uma enorme e nova revolução providencial, uma mudança do paradigma cósmico durante este tempo extraordinário e sem precedente que assombra o Mundo Espiritual Invisível e faz tremer a Terra.
Embora possamos não ser capazes de perceber ou sentir isto com nossos olhos físicos, todo o mundo espiritual e o Universo inteiro, mesmo os menores organismos microscópicos na Terra estão celebrando.
Se você compreende que nos colocamos nessa posição surpreendente, então sabemos e sentiremos quão surpreendente é esta vida. Aprendemos a desafiar o desafio.
Você desistirá de seu desafio porque críticos ao seu redor estão dizendo: “O índio não é capaz, o índio está muito atrasado, o índio só se preocupa com a natureza, o índio não tem ambição?" A resposta está aí, aos olhos de todos.
Os que se julgavam capazes não conseguem enfrentar a situação de violência em todas as atividades da sua sociedade, em qualquer lar. Por não se preocupar com a natureza, estão colocando a vida do planeta em trágico risco. Vimos na TV várias cidades com o ar tudo branco, os incêndios, as secas, etc.
A ambição desmedida, enquanto nossos adornos eram as sementes caídas na terra, a busca deles era o ouro das entranhas da mãe terra. É por esta busca e ambição que matam e/ou morrem a cada segundo. Até agora não vemos em que se baseia a capacidade desses grupos e onde está o lucro pelas suas ambições.
Eles dependem da bolsa de valores para saberem se despencam ou se recuperam a saúde financeira. E a saúde mental e física decai a cada segundo como almas psicopatas.
Em conformidade com a legislação nacional e internacional, o governo deve respeitar, preservar e manter o conhecimento, inovações e práticas das comunidades locais e populações indígenas com estilo de vida tradicional relevantes à conservação e à utilização sustentável da diversidade biológica.
E incentivar sua mais ampla aplicação com a aprovação e a participação dos detentores desse conhecimento, inovações e práticas; e encorajar a repartição equitativa dos benefícios oriundos da utilização desse conhecimento, inovações e práticas.
Uma questão que aquideve ser resolvida: os indígenas que residem em cidades não têm atendimento na SESAI, a Lei Arouca não é aplicada e nem a Constituição Federal.
Só o doente sabe da dor que sente.Quando as pessoas não estão sofrendo, elas estão cegas para o sofrimento das outras pessoas; é difícil simpatizar com sua dor.
Quando nossa vida e ambiente estão livres de dificuldades, temos a tendência de evitar ter interesse com o nosso redor. A razão é porque somos incapazes de nos libertarmos do extremo individualismo autocentrado que forças negativas desejam e nos levam a abraçar.
Isto demonstra até que ponto nos tornamos acostumados a viver no mundo decaído, atrofiado, aprisionado e espionado. Não se interessaram em intensificar o estado de alerta e a pronta comunicação.
Nossos povos em qualquer lugar arruinam completamente suas vidas se tornando escravos das drogas, das cervejas e do sexo livre. Aqui deveriam estar presentes do Conselheiros Tutelares também, pois direitos da crianças e dos adolescentes é primazia, todos os dias jovens em nossas aldeias sao sacrificados.
Na saúde indígena deveriam ter bachareis em educação física atuando nas aldeias, chega só de tratamento, vamos investir na prevenção de verdade.
Com a falta de vontade política, não há interesse em saúde de verdade, educação avançada ou tecnológica na área indígena. Querem que os índios vivam cobertos de pluma para dançar no dia 19 de abril. Raízes, caças e pescas, estão se acabando e na maioria do Brasil já acabaram.
As penas também são propriedade do Carnaval. E agora, são penas de galinha branca tingidas de com algum pó químico para colorir.
Outro pó químico mata as plantas, mata as aguas, outro tipo mata as abelhas, outro tipo de pó mata os pássaros que comem insetos e o terrível pó que mata os índios que os experimentam e se tornam fatalmente dependentes e mulas.São dois tipos de pó que a sociedade envolvente, dita civilizada mais cobiça: O ouro em pó e a cocaína.
Lembrando aqui em destruição de famílias, como está a família dos poderosos? Será que não está destruída também? Eles se preocupam com eles próprios em matéria de Educação, Saúde, Cultura sexual, Auto sustentabilidade à custa de exploração escravocrata, Narco-porno-Turismo, corrupção, defesa deles vivem engradados e com guardas de segurança.
justiça que só favorece suas causas ambiciosas e criminosas, liberdade em geral para os que comandam, política imoral e o rodamoinho da vida inútil que destrói famílias incluindo as suas próprias. Eis aí as contas na Suíça. Os helicópteros mulas, etc.
Nossa filosofia é outra. Não aceitamos que o homem possa dominar outro homem. Até mesmo para dominarmos os seres criados, dialogamos antes e refletimos com espírito. Não podemos nos sujeitar à lei absurda do domínio do homem pelo homem.
O homem não deveria governar a natureza, pois o homem é parte da natureza, uma relação intrínseca.
Se há casos da aceitação, com certeza o índio não estava sóbrio e covardemente foi usado para cair na cilada do poder dominante, que razão é esta usada pelos filósofos dos brancos? Estão com a razão enferma. Eles têm medo da morte, mas caminham aceleradamente para ela. Correm para o dinheiro e a morte corre atrás deles. Eles não conseguem ver isso. Não tem tempo para ver isso.
Quando enxergam, já é tarde, já destruíram as coisas criadas que ajudam a afastar a morte. Não sabem nem quem foi que deu a vida e quem nos deixou as coisas criadas. Se preocuparam em acabar com a liberdade dos outros e agora estão presos sem liberdade para pensar e dar um giro de 180° para voltar ao início quando era puro Ser – Dono das coisas criadas.
Cortaram a liberdade de todas estas coisas. Liberdade do ar puro, liberdade da água, da terra, dos frutos, da chuva, do gelo, da palavra, da manifestação, da linguagem e até a liberdade de nós, donos da Terra, conscientes disto porque nossa Filosofia é outra.
Antes, os colonizadores buscavam a região para explorar as riquezas da floresta, e agora querem a terra para expandir a agricultura e a pecuária. O modelo de latifúndio dos seringais, até então dominante na Amazônia, propiciava a permanência dos trabalhadores na floresta. O novo latifúndio, a fazenda para criação de gado, promovia a chamada “limpeza do terreno”, ou seja, a retirada da floresta e do povo que lá vivia.
Repentinamente, índios, seringueiros, ribeirinhos e colonos viram suas terras invadidas e devastadas em nome de um novo tipo de progresso que transformava a floresta em terra arrasada.
Se forem levantados todos os bens, veremos quanta terra improdutiva, parada, que poderiam ser ocupadas por grandes Escolas, Universidades e principalmente a Universidade Indígena e o Hospital Indígena.
Uma Universidade que culminaria com a erradicação da ignorância – principal motivo do surgimento dos grupos da fome, das enfermidades, dos descamisados, dos despejados, dos exilados, dos refugiados, dos demitidos, dos repelidos, dos desvalidos, dos escravizados, dos alienados, dos isolados, dos humilhados.
Se esta universidade ainda não foi permitida, é justamente pelo medo da classe dominante, ser obrigada a conhecer a sabedoria milenar, a espiritualidade que faz do pequenino, ser Grande. E mostra que o Grande Verdadeiro vê e supre as necessidades dos mortais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
É muito evidente que os setores político-econômicos anti-indígenas e antidemocráticos, representantes do agronegócio, da Globo, das mineradoras, das grandes empreiteiras e o próprio governo brasileiro e judiciário brasileiro estão articulados e empenhados para ampliar o acesso, o controle e a exploração dos territórios indígenas, quilombolas, dos pescadores artesanais, dos camponeses, de preservação ambiental, dentre outros.
Nossos sábios, sempre nos afirmando que deveríamos entender a voz da natureza, a voz do silencio e a de nossos ancestrais, isso tem muito a nos ensinar. Devemos proteger a natureza, os animais, a terra, a água e o ar, nossas culturas, voltar a ter a relação ancestral essencial Kokama-natureza.
Necessitamos nos livrar com urgência daquilo que pode nos corromper e nos libertando daquilo que pode nos tornar tolos, como as bebidas alcoólicas. Não somos pobres e nem mendigos, somos indígenas e temos orgulho de ser!!!
REFERENCIAS
BRASIL. Estatuto do Índio:Lei nº 6.001, de 19 de Dezembro de 1973.
BRASIL. Presidência da República. DECRETO Nº 5.051, DE 19 DE ABRIL DE 2004. Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho. Brasília: Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos, 2004.
BRASIL. Lei Arouca.
CABRAL, A.S.A.C.Entrevista feita ao Patriarca Kokama AntonioJanuario Samias em Sapotal. Brasília: Lali/Unb, 1988.
MOURA, Manoel Fernades. Discusso no CNPI.Brasília: CNPI, abril de 2014.
SAMIAS, Francisco Guerra.Discusso do Patriarca Francisco sobre a situação do Povo Kokama. Tabatinga-AM: PTKRKTT, 2015.
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Raridades da Língua Kokama

Amor: Tsetamai.
Benção: Kamatɨay.
Um susto, uma perda familiar, uma perda material: Okö (Adj.).
Raio: Tenetseneka.
Sexo: Tsawɨru.
Alegre: Tsarɨwa.
Aparelho, computador, celular, maquina fotográfica, maquina de costura: Makina.
Maquina fotográfica: Makina tsana utimata.
Celular: Makina kumitsatata.
Historia: Itsturia.
Conversa: ɨmɨntsara.
Conversa muito: ɨmɨntsaratsuri.
Peixe-boi: Y+uwara [zuúara] - Variante: Y+uara [zuara].
Igarapé: ɨarape.
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NOSSA OKA KOKAMA

Uka Kukamɨe
Por: Edney da Cunha Samias, Patriarca Cacique Geral do Povo Indígena Kokama do Brasil, sucessor do Patriarca Cacique Geral do Povo Indigena Kokama do Brasil Francisco Guerra Samias.
Antigamente, quando existiam os primeiros Kokama, nós habitávamos um modelo arquitetural próprio, era uma oka grande (uka nuan) no meio da comunidade e as demais oka menores (uka misha) ao redor da oka grande, ao todo eram 7 casas pequenas e uma grande ao centro. Sendo que, as casas pequenas eram para os afazeres diários, para os ofícios de cada família (nação) e a casa grande era para todos dormir, todos passarem a noite. Ninguém dormia nas casas pequenas.
Não podia cortar os cabelos das crianças, quando a criança homem completava sete anos de idade, eles faziam o ritual de pelação do novo guerreiro, faziam varias tranças no cabelo, cada participante da comunidade dava um presente, a mexa de cabelo da coroa da cabeça era cortado por ultimo, pelo casal que seria uma espécie de padrinho da criança e que daria um presente de maior valor para a vida da criança.
As meninas só cortavam as pontas dos cabelos aos sete anos de idade, ritual da corta de ponta do cabelo e cortar dos cabelos da nuca, mas não carecava as meninas, depois de mais sete anos viria a primeira menstruação, nesta ocasião somente as mulheres podiam participar do ritual do primeiro sangramento, a menina ficava amarada por uma espécie da rede no oitão de uma das casas e os homens não poderia ver ou falar com a menina.
Mas ficavam alguns guerreiros que eram escolhidos para ficar guardando pelo lado de fora dessa pequena maloca escolhida para guardar a menstruação, nesse caso varias mulheres ficavam dormindo com a menina na pequena casa.
Os meninos aos sete anos eram tirados da família para serem treinados pelos guerreiros e pajés ate os 14 anos de idade, nas artes de luta, de artesanato e de cura e só voltava para família quando estavam preparados para lutar e trabalhar.
As comunidades antigas eram de sete famílias, ou seja sete casas, assim aparecia novos casais e quando somava mais novos sete casais eles deveria ir buscar outro lugar para fazer mais sete okas e a comunidade anterior ia lá ajudar a construir a nova comunidade.
Na primeira comunidade kokama eles tinha um diamante que ficava numa caverna para chamar as novas comunidades, quando tocava uma vez, era para avisar que iriam fazer ajuri em alguma comunidade, colheita, construção, caça, era para ir os homens, artesãos, agricultores, caçadores, cozinheiros, pajés e etc., quando tocava 2 vezes era festa, casamento, nascimento ou velório, era para ir todos os moradores, e quando tocava 3 vezes era para ir para “guerra”, pois havia invasão ou ameaça, era para ir os guerreiros e guerreiras Kokama, dominadores de armas de madeira, dominadores de arma de metal, dominadores do fogo, dominadores de armadilhas, luta corporal, dominadores de veneno, antes de tudo, o pajé sempre fazia ritual de proteção a todos e o pajé ficava com outra equipe para proteger as mulheres que ficavam.
Segundo me contou o pajé supremo Mauro Moçambite, “nossa oka tradicional era um lugar que ligava nós e Deus, pois a ponta fina da maloca ligava a natureza pela ponta, ao tomar Yahuaska havia uma conexão com Deus, dentro da oka a conexão era mais fácil e ai ele mostrava onde estava a cura na natureza de alguma doença, ensinava cânticos de cura (ikara) e presumia o amanhã também, por isso nos existimos até os dias de hoje.Não podia ter abertura de nenhum lado, somente uma entrada, que era fechada por dentro, que havia uma forma de se esconder no oitão da oka em caso de surpresa de inimigos ou animal feroz”.
Hoje a oka grande (uka nuan) é local de aprendizagem, de ensinar fazer cerâmicas, fazer remédio de plantas, fazer armas de caça e pesca, dançar, treinar luta corporal com arma e sem arma, lugar de brincar, lugar de festa, lugar de oração, lugar reunião.
Nossa oka grande é lugar tradicional de manter viva nossos saberes milenares.
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Plantas Mestras Kokama: Ayahuasca, Toé, Chacrona, Sanango e Coca.

1. AYAWATSKA
Nome da planta em Kokama: Chichipu ou Ayawatska.
Nome da planta em Quéchua: Ayawaska.
Nome da planta em Espanhol: Ayahuasca ou Yajé.
Nome Científico: Banisteriopsis caapi.
Família: Malpighiaceae.
Descrição botânica da Ayawatska: Cipó com rama cinza ou amarronzada; folhas simples de forma elíptica com ápice agudo e duas glândulas na base; inflorescência axilar em forma de umbelas paniculadas com quatro flores de cinco centímetros de tamanho. Precisa de um suporte para crescer. Reproduz-se a partir dos tálos. Produzem abundantes folhas e cipós no solo argiloso com bastante matéria orgânica e em solos escuros da terra firme, várzea e restinga. Este cipó é conhecido por muito como planta mestra e fonte de conhecimento e sabedoria. A ingestão da bebida preparada com o cipó é um estimulante para a geração de conhecimentos através de sonhos, visões e percepções sobre suas propriedades curativas e as de outras plantas. Usamos três tipos de Ayawatska: trueno, cielo e rosário.
2. MARɨKA
Nome da planta em Kokama: Marɨka ou Marikawa.
Nome da planta em Quéchua: Puka wantu ou Huantuc.
Nome da planta em Espanhol: Toé.
Nome Científico: Brugmansia suaveolens.
Familia: Solanaceae.
Descrição botânica do Toé: É uma arvore pequena que mede até aproximadamente 2,5 metros de altura. Seu talo é fino, liso, suave e de cor branquejado. Suas folhas são elípticas, largas, assimétricas e é a base agudas ao ápice. Suas flores têm forma de sino, cálice tubular e largo, coroa branca ou amarela alaranjada. Propaga-se por feixe de talo e rama. Cresce em terrenos planos, em terreno baldio, chácaras, roças, hortas ou qualquer outro meio onde não tem árvores grandes e o solo é de cor escura e de boa drenagem.
É uma planta conhecida como trombeteiro (trompetero), uma árvore pequena de folhas ovuladas assimétricas na base e agudas no ápice, que possui flores pendentes de cor branca ao vermelho claro. Arbusto de 1,5 a 3,7 metros de altura. É uma planta aditiva da Ayawatska com grande poder de visões e limpeza mental. Uma pequena quantidade pode deixar a pessoa conectada com plano ancestral por muito tempo (três dias) e se tomar em excesso a pessoa pode ficar louco. Para nós o Toé é uma planta que pode fazer ver o oculto. Depois de tomar o Toé se deve seguir uma dieta rigorosa, senão se pode se tornar um louco.
A folha se utiliza para tomar, fumar, abanar irritados, fumigar ou colocar na parte que dói. A planta é semeada na esquina da horta, serve de proteção contra as feitiçarias. Não deve usar a pessoa que não conhece o efeito. A planta mesma cura. Os Sábios curandeiros colhem as folhas situadas a oeste da planta e fazem em segredo (sem que ninguém os veja), em jejum e no momento de colher diz um discurso pedindo que ajude a fazer ver de que as pessoas estão doentes ou que problemas têm. A toma de Toé se faz sempre pelas noites e em lugares silenciosos.
Para tomar Toé se colhe aproximadamente de 15 a 20 folhas localizadas ao leste e ao oeste da planta. Coloca-se em uma panela média com cinco taças de água e três pedaços de Ayawatska logo se fervem até que o conteúdo líquido fique somente uma taça.
O remédio se toma em pequena quantidade (meia unha), do contrario pode causar a morte. Depois de tomar o Toé não pode come sal, pimenta, manteiga e não se dorme com mulher. Para abanar o doente ou parte irritada, não se deve fazer nenhum preparativo, apenas abana o enfermo com a rama fresca de Toé. Para pedir a mãe do Toé, que ajude a fazer ver de que estão enfermas as pessoas e pede favor para que os cure. Pode-se dizer, por exemplo: “Mãe do Toé, mãe das plantas curativas, é uma planta cheia de força, minha família está enferma. Com tua força quero que os cure, por isso te digo para que me cure a mim enfermo também”. Puf, puf, puf,… se usa uma shakapa confeccionada com folha de SHAKAPA PANKA para chamar a mãe das plantas para a cura. Em troca se lhes dar cigarros ou também se faz um ikaru para a planta, para que siga com bastante força e que não morra. Se diz isso em um lugar que se transforma em lugar silencioso.
A mãe do Toé é que protege o tronco, cada tronco de Toé tem seu dono, ou seja, é a mãe Elemental que vive dentro do Toé. Também o Toé é um espírito que cura e é médico ancestral. A pessoa que não conhece também pode tomar, sempre e quando um Sábio der de tomar e o cuidar. Pois uma pessoa que não sabe e quer relacionar-se com o dono do Toé e quer ver algo que se tem perdido ou estão fazendo dano, ou pode rogar ao dono do Toé, para que o faça esse favor.
Vá a sua roça e enquanto o conta o problema que está passando, a pessoa, que pode ser homem ou mulher, colha as folhas da cria de dono de TOÉ, uma ou duas folhas, e os leva a sua casa. Coloca as folhas debaixo de seu travesseiro e essa folha faz sonhar a pessoa e diz todo o que o homem ou a mulher o pediu por meio de sonhos.
3. SHAKRUNA
Nome da planta em Kokama: Shakruna.
Nome da planta em Quéchua: Chaqruy.
Nome da planta em Espanhol: Chacrona.
Nome Científico: Psychotria viridis.
Família: Rubiaceae.
Descrição botânica da Chacrona: É uma planta perene, conhecida também como SAMI RUCA, contem grande quantidade de triptaminas psicodélicas e se conhece melhor por seu poder curativo como aditivo da Ayawatska. Os efeitos podem descrever como uma limpeza física e mental e ao mesmo tempo uma conexão de quatro horas com o plano ancestral. Planta da família do café, produz visões e é fonte de DMT. Sua missão é fazer que tomemos consciência através das visões que ajudam a gerar soluções de todos aqueles problemas que não funcionam ou não dão certos em nossa vida. Desta maneira esses elementos vivenciais que estão em nível do subconsciente são trazidos ao nosso presente. Todo ele nos dispõe a compreensão dos mecanismos que vão permitir realizar a mudança.
4. CHIRITSANANKU
Nome da planta em Kokama: Chiritsananku.
Nome da planta em Quéchua: Chiric Sanango.
Nome da planta em Espanhol: Sanango.
Nome Científico: Brunfelsia grandiflora.
Família: Solanaceae.
Descrição botânica da planta Sanango: Planta arbustiva que chega a medir até 4 metros de altura. Seu talo cilíndrico apresenta numerosas ramas; de suas folhas alternas, alargadas e frondosas que exala um aroma cheiroso. Suas flores pediceladas atrativas têm uma corola tubular em forma de sino, de cor roxa nas bordas e branco na parte inferior. Seus frutos em cachos têm forma redondeada. Cresce bem em terrenos ricos em matéria orgânica, onde o solo é escuro e mantêm certo nível de umidade, como buritizal, restingas e também em terra firme. A Chiric Sanango é indicada para: anti-reumática, artrites, tira o frio, dar sorte em casa, tira o frio do coração. Faz conexão com o EU interior. Torna a pessoa sensível e reflexiva. É uma planta mestra da família dos Sanangos, o qual deriva de palavra quéchua “CHIRIC” que quer dizer “FRIO”. Entre os Sábios curandeiros é conhecida como planta que “TIRA O FRIO”, utilizada no plano físico para curar aqueles corpos friorentos, que sofrem de mãos e pés frios, com pouca circulação e corpo intumescido. No plano psicológico é uma planta que serve para curar o “FRIO DO CORAÇÃO” manifestando durante a noite em sonhos de alto nível compassivo. Amassa-se a raiz com cachaça em uma boa porção e é colocado numa garrafa durante oito dias, depois se agrega mel e se toma durante o dia.
5. KUKA
Nome da planta em Kokama: Kuka.
Nome da planta em Quéchua: Hambi panka.
Nome da planta em Espanhol: Coca.
Nome Científico: Eritroxilium coca.
Familia: Eritroxiláceae.
Descrição botânica da Coca: Arbusto perene que cresce até 3 metros de altura. Tem folhas simples, pequenas e alternas; suas flores são brancas e seus frutos, pequenos e esféricos, são de cor vermelho. Se propaga mediante sementes e estacas. Cresce bem em terras altas onde o solo é de coloração escura. No Brasil está planta é proibida. Ao mastigar a planta de coca serve para acalmar os ânimos e refletir, antigamente era usado para caçar, se mastigava para conseguir chegar perto da caça para pedir autorização para matá-lo para o alimento da comunidade e também para não sentir fome imediata durante a caçada. Também é um aditivo da Ayawatska, mas só podem ser colocada na Ayawatska por quem sabe bem a quantidade exata e como no Brasil é proibida, no nosso preparo não contêm coca. Mas a coca é a base de toda medicina Kukamɨe-Kukamiria milenar, por isso somos os donos da coca, somos os descendentes da coca. Se cozinhar a coca serve para diversos males como dor de dente, para cólicas, para dor de moela, dor de estomago. Explicando melhor o termo de nosso povo, que vem dos afazeres da medicina com coca que era base de tudo na questão da medicina ancestral.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Agora sabemos que “Kuka” é “coca”. Já a palavra “Mɨ” é “descendente”, que vem de “Mɨmaran” que é “planta já criada”. “KUKA+Mɨ” = “Kukamɨe”, “descendente da coca ou que protegiam a coca já criada (KUKAMɨE)”.
Nesse caso aparecem os mais tradicionais falando que eles são os verdadeiros descendentes da coca e ai acrescenta o “RIA” na palavra “KUKAMɨE”, ficando “KUKAMIRIA”, para ser eles os verdadeiros, autênticos, próprios, legítimos e puros descendentes da coca. Que emprestando essa palavra do Quéchua seria KIKIN, mas na nossa língua é RIA.
Apesar de algumas palavras diferentes ou encurtadas do idioma Kukamɨe, os Kukamiria tem as mesmas nações Kukamɨe.
E para evitar desentendimentos para provar que apareceu primeiro, aprovamos em grande assembléia geral realizada em Tabatinga-AM, de 25 a 27 de agosto de 2017, o nosso reconhecimento étnico como Kukamɨe-Kukamiria, e decidimos colocar as palavras num só dicionário, em vista que nosso idioma sempre conviveu bem com palavras de outros povos como Quéchua, Inca, Maia, Tupinambá, Guarani, Tupi e Tupi-guarani, porque não unir o útil ao agradável, unir as duas línguas Kukamɨe e Kukamiria e ficar somente como nosso idioma Kukamɨe-Kukamiria.
Já a palavra “KUKAMA” ou “KOKAMA” não soa bem aos ouvidos dos falantes maternos que ainda estão vivos aqui no Brasil, eles nos falam que a significa “coca espírito ruim”, “coca não pura”, “coca pessoa ruim”. “Ma”, significa “espírito ruim” ou “não legitimo”. “Mau”, significa “dor de olho”.
“Mai” significa “mestiço”. “Mai” é “espírito ou alma de um animal, árvore ou pessoa”.
“Maitsankara (abreviado fica MA)” é “espírito mal”. “Mati” é “espírito mal de uma pessoa viva”. Para acabar com esta interpretação que não agrada os falantes e por respeitos aos nossos anciãos sábios decidimos aprovar como eles acreditam ser melhor para nossa ancestralidade, Kukamɨe-Kukamiria.
Este termo já vinha sendo pesquisado e recomendado pelos patriarcas caciques gerais, mas precisava de uma grande assembléia para sua aprovação, com a ajuda de Deus e a união de todos foi realizado para garantir o fortalecimento ancestral e de nossos membros ainda neste plano material.
As plantas chamadas Mestras (plantas sagradas) por nós são aquelas que nos cercam ao mundo dos elementais e espíritos que nos brindam conhecimentos ao que ingere. Revelam e mostram aquilo que está oculto em nós. Alem disso, são utilizadas por sua propriedade medicinal que aliviam ou curam determinadas doenças.
Agradecemos de modo especial aos nossos Taitas, por todos os conhecimentos deixados a nós, por Vicente Samias, Benjamin Samias, Antonio Samias, Francisco Samias e agora sob minha responsabilidade de Edney da Cunha Samias, como atual Patriarca Cacique Geral do povo Kukamɨe-Kukamiria, que sempre falo: “somente todos nós unidos é que podemos decidir sobre nosso povo, ninguém pode decidir e nem autorizado a representar nosso povo sozinho. Somos um povo antigo e ancestral. Estamos sempre cercados de nossos ancestrais”.
A Ayawatska pediu para nossos pais, nossos ancestrais nos camuflarem para poder resistir e hoje podemos gritar ao mundo que estamos aqui, resistimos e existimos. Nos tempos passados, a língua deveria ficar em segredo, não poderiam ensinar a todas as nossas crianças, pois a Ayawatska mostrava o passado, o presente e o futuro, e eles sabiam o que o futuro havia de acontecer, era preciso se guardar para pode não deixar de existir.
Nossa língua resistiu e existe, já estamos ensinando nossos jovens. Nossos conhecimentos resistiram, nosso rituais, nossa cosmovisão, nosso grafismo, nosso modelo arquitetônico, nosso modelo de governo, nossas comidas e bebidas, nossos colares, nossos cocares, nossas pulseiras, nossos perfumes, nossos amuletos, nossos ikaru, nossas mariata, nossas roupas, nossas armas, nossas cerâmicas e etc. tudo resistiram e existem ainda hoje para as futuras gerações.
Não estamos falando em conhecimentos das teorias dos não-indígenas, estamos falando de nosso conhecimento milenar Kukamɨe-Kukamiria.
Estamos falando em Kukamɨe-Kukamiria.
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Cosmovisão Kokama

Nossa cosmovisão é a base da Ayawatska (Ayahuasca).
Antigamente nossas comunidades viviam assim organizadas: uma casa grande ao centro da comunidade, rodeadas de casas pequenas do mesmo modelo arquitetônico. Segundo o então Patriarca Francisco Samias, “eles dormiam na casa grande e passavam os afazeres diários nas casas pequenas”.
Hoje entendemos que a comunidade tomava Ayawatska durante a noite quase todos os dias da semana, por isso tinham que passar a noite na casa grande.
Dentro da Casa grande tinha espaço separado paras as crianças e mulheres menstruadas que não podiam participar do ritual da toma. Cada ritual era chamado de trabalho (Kamata), por isso os dias da semana ficavam assim organizados:
Sábado: Tsapatu kuarachi [sabadu cuaratxi] Dia do corpo pai - nesse dia é dedicado as coisas celestes
Domingo: Tuminku kuarachi [dumicu cuaratxi] Dia de descanso
Segunda-feira: Amuaɨatira kuarachi [amuaüatira cuaratxi]
Terça-feira: Mutsapɨrɨkapan kuarachi [musapurcapan cuaratxi]
Quarta-feira: Iruakapan kuarachi [iruacapan cuaratxi]
Quinta-feira: Pichkapan kuarachi [pitxicapan cuaratxi]
Sexta-feira: Tsokitapan kuarachi [ soquitapan cuaratxi]
A Ayawatska é utilizada por sua particular propriedade de permitir diagnosticar nas pessoas algum dano ou bruxaria causada por outras pessoas. Também é utilizada para averiguar roubos e traições.
Para extrair o cipó, se recebe indicações prévias e orientações por parte de uma pessoa que conhece bem a preparação do remédio. Logo se extraem o cipó de acordo as indicações realizadas, sem violar as regras tradicionais milenares.
Depois da retirada do cipó, se corta em pequenos pedaços e se coloca para ferver por oito horas ou até que se reduza a substancia liquida a somente uma taça. A preparação se faz para utilizar no momento, em uma dose de mais ou menos três colheradas de uma só vez. Podem tomar homens e mulheres em idade adulta.
Orientações para os doentes: oito dias antes de tomar o remédio, o paciente deve abster-se de ter relações sexuais e não deve comer alimentos com sal, doce, gordura ou manteiga e nem porco.
A mãe da ayahuasca é mais poderosa que as outras plantas, por isso o povo Kukamɨe-Kukamiria o respeita muito.
O uso do cipó tem mais ênfase no âmbito dos sábios e bruxos, quem faz um preparado que ao ser ingerido permite conhecer a doença de alguém ou identificar os autores de um roubo ou assassinato e traição conjugal.
Na preparação da Ayawatska se usa todo o cipó. A extração do cipó se realiza em qualquer momento do dia, tendo em conta sempre de fazer um discurso do pedido. Corta-se o cipó em pedaços de aproximadamente 20 centímetros, se machuca bem os pedaços e se coloca em uma panela grande com no mínimo de cinco litros de água, se coloca folhas de chacrona** e se cozinha o conteúdo até que o líquido se reduza a um litro aproximadamente.
A Ayawatska é ingerida pelo Médico Tradicional no momento da cura, geralmente durante a noite e lugar escuro. Mas também se toma Ayawatska durante o dia para trabalhar com os espíritos do dia.
Antes de iniciar o ritual da toma da Ayawatska, primeiro é icarada pelo Médico Tradicional (Sábio) e é feito um pedido ao Elemental da Ayawatska para curar e dar sorte na vida, no amor e na profissão.
As pessoas que tomam Ayawatska pelo menos uma vez não podem comer pimenta, sal e menos beber bebidas alcoólicas e nem porco por trinta dias. Durante esse tempo devem comer somente assado. A pimenta é uma planta que destrói um ambiente familiar, por isso o seu consumo deve ser evitado por nosso povo.
Com o ritual da Ayawatska é possível estudar as nações Kokama que você veio (sua origem) e aprender mais sobre sua nação e o tipo de grafismo que sua nação usa.
Cada membro de nosso povo Kokama tem arcanas que os protegem e os Sábios podem colocar mais para proteger o seu dia-a-dia e trabalho.
Nossos antigos Sábios (Taitas) hoje ainda vivem nas pedras, nas cobras grandes, nos botos, nas onças, nos jacarés e em diversos animais poderosos da natureza há milhões de anos.
Por isso, nós os Taitas trabalhamos com os espíritos e elementais, com os nossos ancestrais ainda que se sentem a vontade para ajudar os que estão neste plano material e com os elementais e espíritos dos animais, das plantas, das águas, das terras, dos minerais, das pedras preciosas, dos ares, dos fogos e etc. sempre enfatizando os trabalhos com os espíritos e elementais do bem.
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A história do espírito da Ayahuasca

A Ayahuasca
A Ayahuasca (Ayawatska) é uma planta que tem um espírito (Elemental) muito forte, prova dele é que te produz um mareio (conexão ancestral espiritual) profundo.
O espírito é o que protege mediante a aparição em forma de uma sombra e ruídos para que as pessoas não se aproximem constantemente desta planta. E aparece em sonhos reclamando quando alguém corta o cipó sem motivo ou acidental.
Quando se toma para ter visões o espírito é o que se encarrega de dar o tratamento. Pois em geral a planta depende do espírito e vice-versa; é dizer, existe uma relação entre eles, sempre se protegendo entre si.
O Elemental da planta Ayawatska é curativa, similar o da planta de CHIRITSANANKU.
Se relaciona também com outras mães de plantas que curam, assim como o SANANGO, o TOÉ, a CHACRONA, a COCA e etc.
A mãe da Ayawatska cuida da planta tratando de proteger para que não seja maltratada por outra espécie e pelo homem mesmo. Para extrair o cipó, o homem tem que fazer um discurso pedindo licença e autorização para cortar-lo.
Tem que ser uma pessoa Sábia Curandeira para que possa fazer efeito no momento da toma da Ayawatska e poder ver o que se quer.
Para isso a toma da Ayawatska tem que ser em um lugar sem muito movimento, silencioso, onde não transite as pessoas facilmente, assim também acontece com a toma de SANANGO.
O Sábio curandeiro se prepara bem para curar, soprar e ventilar (abanar) o paciente e assim possa fazer efeito para tirar o azar, ver o que quiser ou curar de uma enfermidade.
A purga se toma com o cuidado e orientação de um Sábio curandeiro (Médico Tradicional Indígena de nosso povo).
Para isso tem que fazer uma dieta depois da toma da Ayawatska, tanto o paciente como o Sábio curandeiro: não comer comidas com sal ou com doces, nem ácidos, deve comer tudo assado, não beber bebidas alcoólicas, até depois de três dias da toma (se a pessoa bebe o ideal que fique trinta dias longe da bebida alcoólica), porque se não saem bolhas ou manchas no corpo que dificilmente some.
Não pode encostar e nem dormir com mulher menstruada. Depois da toma da purga durante a noite se deve banhar as seis da manhã, mas antes deve tomar um copo de água com limão sem açúcar.
Se a pessoa não seguir restritamente as orientações correr risco de reverte à cura e também fica desprotegido e pode ser flechado por pessoas invejosas ou maldosas.
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Curamos qualquer enfermidade com Medicina Tradicional Kokama

A Escola Superior de Medicina Tradicional do Povo Kokama da Federação Indígena do Povo Kukamɨe-Kukamiria do Brasil, Peru e Colômbia, conta com a experiência dos grandes Médicos Tradicionais da Medicina Tradicional Kokama, temos a cura:
da Diabetes,
da Tuberculose,
da Laringites,
da Cegueira,
das Dores reumáticas.
Coloca Arcanas de Proteção.
Temos a cura do Alcoolismo.
Encantamento e desacatamento Astral.
Amarra de amores a longa distancia.
Fazemos Amuletos para Boa sorte e
proteção para todo tipo de conjuros.
A Escola de Pajés Kokama,
Taita Dom Mauricio Moçambite Vasques
Reitor da Escola Superior de Medicina Tradicional Kokama
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O RITUAL DA TOMA DA AYAHUASCA: A Ciência do desconhecido.

Por Edney da Cunha Samias
Patriarca Cacique Geral do Povo Indígena Kokama.
Sempre deve ser de maior interesse para o verdadeiro iniciado, Mestre ou Sábio (Taita que é um Médico Tradicional), com verdadeira devoção, fé, vontade, com uma verdadeira madureza mental e equilíbrio, elaborando um nível espiritual de ritos em toma da Ayawatska (Ayahuasca). Trabalhamos com espíritos e elementais da natureza e celestial, sempre respeitando os pontos cardeais. Pois o povo Kukamɨe-Kukamiria (Kokama) sempre observou os astros, constelações, sol e lua para ligar com as ações da mãe natureza.
Usamos para nosso Ritual, três tipos de Ayawastka: trueno (para Mestres), rosário (para discípulos) e cielo (para iniciantes e a população interessada).
O ritual da Ayawatska Kukamɨe-Kukamiria é secreto, os uso dos instrumentos, materiais, perfumes, shakapa (espada de folha), colares, amuletos, pulseiras, cocás, ikaru (cânticos), conjuros, rezas e maria (orações) não pode ser divulgado para livros, pesquisa ou divulgação publica, somente para os interesses dos participantes. Os segredos são transmitidos de Mestre para discípulos.
A Ayawatska é um cipó alucinógeno, que adquiri ou possui os domínios da Medicina vegetal, que só conhecemos por meio dos elementais na toma da Ayawatska. Que cura toda classe de enfermidades, doenças musculares, abstratas (que não se ver) ou resfrios (artrites, artrose, mau gênio, temor, medo, incertezas), penárias que habitam dentro de nosso ser. Afasta as más energias, cura feitiçarias, bruxarias ou maldades. Atrai a boa sorte, no amor, na saúde, nos negócios, nos estudos, brindando o equilíbrio mental, psicológico, emocional e moral. Descobrindo o passado, presente e futuro.
O povo Kukamɨe-Kukamiria é um povo antigo, de rituais secretos para combater as coisas ruins da terra e das pessoas. Temos uma língua materna com influencias das línguas Tupinambá, Inca, Maia, Quéchua, Guarani, Tupi, Tupi-guarani, de onde saem poderosas orações (maria) e cânticos (ikaru) que curam.
O nosso sistema médico tradicional tem papel de sabedorias de curas através da plantas, pedras e animais da terra, da água e do ar, elementais como fogo, vento, água e conhecimentos equivalentes a bruxarias, associada na toma de substâncias medicinais através dos quais se buscam produzir curas, e alguns poucos procuram distorcer e fazer danos a outras pessoas.
A ingestão deste tipo de substâncias, não limitada apenas a Ayawatska, pois se toma a bebida de colondrina (de fidelidade), bebida de Kamarunka[Kamalonga] (purificação e cura interna), tem um papel importante para a aquisição de conhecimentos, não só medicinais, mas no amor, na sorte, nos negócios, desenvolvimento das pessoas e a limpeza do corpo.
Temos um costume de respeito às plantas, aos animais, as pedras, ao rio, a água, a chuva, etc.
Por isso devem evitar usar os nomes dos animais, das pedras e das coisas como nossos nomes civis, pois ninguém pode saber as nossas defesas, as nossas arcanas, as nossas proteções e nossas armas espirituais. Todos os nomes mudam na língua Kukamɨe-Kukamiria, por exemplo, se seu nome é MIGUEL, em nosso idioma fica MIJIRI. Procure um falante que ele vai traduzir o seu nome de acordo com nosso idioma e você vai manter em segredo a sua defesa e vai manter protegido o seu verdadeiro EU interior.
Nosso costume de aprendizagem inicia na família na mais tenra idade, observando os pais e os avós e recebendo informações sistemáticas sobre os usos e preparação de remédios.
No Brasil, poucas famílias Kukamɨe-Kukamiria detêm esse conhecimento e costume de repassar para os descendentes, restrito a família Samias que detêm todo o conhecimento da língua, danças, do ritual da Ayawatska e toda nossa cultura milenar.
Temos diversas técnicas terapêuticas, temos um repertorio relativamente amplo, entretanto aprende a familiarizar-se com as plantas de uso medicinais e a conhecer as chaves para o nosso beneficio.
O Doutor Ayawatska é um espírito dono da Ayawatska. Cada cipó tem seu dono e o espírito vive dentro da planta de Ayawatska. Quando o cortam morre o espírito.
O Doutor Ayawatska é um espírito médico indígena, pois quando se quer aprender a maldade, o espírito ensina a maldade, por isso deve ter muita responsabilidade em tomar Ayawatska, pois pretender somente fazer o bem, somente curar e proteger as pessoas.
O Avô Ayawatska protege a suas crias, quando as pessoas cortam a suas crias para tomar e fazer medicina sem o devido conhecimento ancestral. Por isso, se deve pedir autorização ou rogar quando se corta o cipó. Se não o avô Ayawatska fecha com seu poder e a pessoa lhe faz doer todo seu corpo. Só uma pessoa que sabe e que é médico tradicional ou sábio indígena pode curar.
Para pedir sua colaboração e cortar seu cipó, se pede enquanto com sua mão toca seu tronco, converse com a planta com fé. Com voz de súplica e com uma melodia diz, por exemplo: “Avô Ayawatska, dono da Ayawatska, Avô Ayawatska, dono da Ayawatska, daí-me sua mão cheia de seu Espírito forte, eu cortando vou levar, pois não em vão, meu irmão está enfermo, por isso, estou levando tua mão. O senhor vai curar, Avô Ayawatska, para que ele seja como o senhor, forte, porque o senhor nunca adoece, Avô Ayawatska. Awita/Awitse”.
Faz-se esse pedido durante a madrugada e deixa um pires ou tacinha de barro com tabaco socado para colocar no tronco da Ayawatska como pagamento do pedido.
É importante reconhecer que a Ayawatska é uma planta que tem uma mãe poderosa. Para preparar remédios se usa o cipó e se ingere, maiormente como purga. Os médicos curandeiros (médicos tradicionais) o usam para salvar a vida de familiares, para ver o passado e o futuro, casos de roubos, traições e danos causados por algumas pessoas ou espíritos.
Só pode oferecer a Ayawatska uma pessoa que sabe o ritual milenar de nosso povo, um Mestre tradicional.
Quando se toma a Ayawatska pode ver a mãe que sai do ombro com seu instrumento, com kena (flauta), tutu (tambor), shakapa (material feito de palha).
O sábio que extrai o cipó deve sair bem cedo, sem ser visto. Uma vez no local, ele faz o discurso ao Elemental da Ayawatska pedindo que o dê poder. É importante e ideal de que quem extrai o cipó, seja a mesma pessoa que plantou a Ayawatska.
A preparação está sob responsabilidade de uma pessoa adulta que conhece a técnica do cozimento e refinamento.
Podemos tomar só Ayawatska sem misturas. Mas durante o cozimento da Ayawatska, podemos também mistura com folhas de toé*, chacrona** e outros, mas por segurança não podemos dizer a quantidade exata aqui usada por nosso povo, que é secreto e milenar. Outros povos que também cozinham e tomam a Ayawatska colocam suas quantidades de folhas, mas não são iguais aos nossos.
Para convidar as pessoas ou preparado ou curandeiro primeiro faz um Ikaru e canta para chamar e pedir autorização ao Elemental, depois antes de beber um copinho de purga faz a oração inicial aberta a todos e pedidos pessoais interiores em silencio, ao final a pessoa fala: Saúde!!! Todos respondem: Deus te abençoe!!!
Antes de tomar Ayawatska não se pode comer pimenta, porco e sal, nem ingerir bebidas alcoólicas, nem fazer sexo e nem comer muito para evitar os vômitos em excesso.
Quando uma mulher tem tido filho recente só se pode tomar Ayawatska em pequena quantidade chamada pishkuwatska.
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Origem do Povo Kokama

AFINAL QUAL A NOSSA ORIGEM?
ORIGEM DO POVO KOKAMA
Na era 1 (Wepe), TIUTSU MUKI Y+ARA (Deus Criador de tudo) criou o mundo com todas suas maravilhas: céu, nuvens, sol, lua, estrelas, planetas, terra, mares, montanhas, árvores e animais. Com o tempo ele pensou e viu que não havia criado o homem. E criou o primeiro Kukamɨe (Kokama), um homem.
Ele pegou um pouco de terra (TAWA TINI) em suas mãos, salivou e soprou e daí saiu o indígena Kukamɨe. Então, TIUTSU MUKI Y+ARA falou para ele, você vai ficar aqui e vai se juntar com os que aparecerem. Você vai ficando bem preparado. Todas as atividades vão ser com você.
E aí ficou. Então, começaram a chegar os animais e logo foram se camaradando e fazendo amizades e esqueceu que TIUTSU MUKI Y+ARA falou. Então viveu entre os animais, com muito tempo que vivia junto dos animais, der repente ele chegou a pensar pelo que TIUTSU MUKI Y+ARA falou.
Ai ele foi dar de conta que ele não estava vivendo junto com outras pessoas igual como ele e logo chamou atenção dos companheiros animais. E disse: companheiros, eu vou embora. Depois de muito tempo que viajou encontrou uma árvore, caída, já velha,mas ainda com folhas e sentou-se sobre ela.
E ficou vendo, do lado e do outro, sem saber o que fazer, até que imaginou, será que eu ralando essa madeira, do pó dela não levantaria pessoa que nem eu? Eu vou tentar. Pois, observou que daquela folha que caia na água viravam peixes, pois havia um igarapé numa parte de um galho.
Pegando uma pedra e iniciou a ralar, da primeira parte da madeira que nós chamamos de carne da madeira, juntou os pós e suas mãos, pegou um pouquinho de terra e salivou dizendo, ai meu Deus como eu queria que do pó dessa madeira levantasse pessoas que nem eu e soprou o pó de suas mãos. Os pós se transformaram todos em insetos.
Vendo os insetos se transformarem da primeira parte da madeira, eu vou ralar mais profundo, ralou a parte mais dura da árvore e fez o mesmo processo como da primeira vez, pegando os pós em suas mãos e agradeceu dizendo: ai meu Deus como eu queria que do pó dessa madeira levantasse pessoa igual a mim, para me fazer companhia e levantaram seishomens (estavam iguais a ele), ele chamou de NIAPITSARA. São eles: Niapitsaraɨkatira,Tsakapɨrɨniapitsara,Wɨkaniapitsara, Ikuaniapitsara, Tsakariniapitsara e Petruniapitisara.
Ele não se conformou com isso, ele tentou ralar mais profundo até chegar ao coração da madeira, a parte mais dura da madeira, chamado de âmago da madeira. Ele ralou, ralou, até que chegou ao centro, no âmago mesmo, a parte mais dura da madeira, essa madeira era mais durativa da mata, ele juntou os pós da madeira em suas mãos pegando um pouco de terra e misturou com os pós de madeira que estava em suas mãos e deu três salivadas e agradeceu e soprou, então, levantaram sete mulheres (Aiwaina, Wainaikua,Wɨkawaina, Wainatsene, Wainarutsa, Wainaeran e Tsakariwaina).
Ele chamou as mulheres de WAINA. Os homens e mulheres que ele criou o chamaram de TATAY+ARA e no mesmo tempo ele entregou uma mulher para cada homem. A primeira mulher que pulou do pó da madeira ficou com ele e seguiram assim por diante.
Eles então colocavam a planta de coca em tudo que comiam, bebiam, se perfumavam e se curavam, usavam raízes, caules e folhas, por isso o nome do povo foi chama Kukamɨe, que explicando melhor fica “kuka” que vem da planta “coca”, “mɨe” significa “descendente”, ou seja, descendente da coca. O Tatay+ara teve 7 filhos com sua esposa Aiwaina, que foram KUTSE, PITRU, IRIPI, MIJIRI, KUAN, WIRIMI e RUITSI.
Quando Deus criou o primeiro homem Kokama chamado Tatay+ara, com o tempo ele criou as 7 primeiras nações do povo Kokama: TSAMIA, YAWARKANI, WARATAPAI, TANANTA, MAITAWARI, KURIKU e AWANARI.
Cada nação tinha um oficio tradicional. Com o passar dos tempos a única forma de conversar com Deus eram através da Ayawatska e Uwachi.
Com o decorrer dos anos os antigos anciãos das 7 nações com o aumento do povo Kokama tiveram que criar as demais nações devido à divisão do trabalho e questão de sobrevivência.
Somos 44 nações kokama.
Até hoje estamos aqui.
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Curso de Formação de Professores Bilíngües Kokama-Português

Curso de Formação de Professores Bilíngües Kokama-Português
O Curso de Formação de Professores Bilíngües Kokama-Português habilitará Professores indígenas Kokama para trabalhar com o idioma Kokama nas salas de aulas nas aldeias e na cidade em escola Indígena. Os Professores Kokama receberão o Certificado de Professores Bilíngües Kokama-Português aprovado pela Coordenação de Língua Kokama da Federação Indígena do Povo Kukamɨe-Kukamiria do Brasil, Peru e Colômbia - TWRK. Também é aberta para Profissionais Kokama de outras áreas de formação e lideranças Kokama que receberão Certificado de Língua Kokama Básico - Nível 1.
O Curso terá duração de dois anos 2021-2022.
Será todos os Sábados e Domingos de 14 as 17 horas através do Whatsapp e Assembléias de língua Kokama presencial com os Falantes Maternos no Município de Tabatinga-AM.
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