domingo, 13 de junho de 2021

Curso da Língua Kokama. Aula nº 46: Domingo, 13 de junho de 2021. Instrumento de pesca do povo Kokama.

Aula nº 46: Domingo, 13 de junho de 2021.
Ipurakaritsenipira ay+atata tapɨy+a Kukamɨe.
Instrumento de pesca do povo Kokama.
Atualmente a pesca faz parte da vida diária do indígena Kokama. Na piracema as crianças deixam a escola e vão pescar com os pais.
O povo Kokama milenarmente tem todo conhecimento de comunicação com a água, seus elementais e espíritos.
Somos os grandes conhecedores dos rios e afluentes em todos os territórios da América do Sul. Somos grandes navegantes até os dias de hoje.
A pesca com o cipó timbó é bastante recorrente entre nós Kokama. Temos um modo próprio de bater o timbó, bem como nossas tradições e costumes. Não copiamos culturalmente nada na atualidade de outros povos e nem usamos nada de forma igual aos outros povos indígenas. Todos os povos indígenas do Brasil têm suas características tradicionais próprias.
Nossos pescadores Kokama pediam licença da água, do rio e dos lagos para pescar com segurança e ter bons resultados.
A pesca é um momento especial ao povo Kokama, antes de ir pescar deve fazer umas dietas, ainda mais quem vai pescar de timbó, os pescadores não podem fazer nada de impuro; não fazer sexo, não pode ter dormido ao lado da esposa menstruada, não pode tocar nas mãos de mulher menstruada, não pode comer pimenta e nem porco, tem que respeitar a tradição.
Ao tirar o timbó da mata deve pedir licença a mãe do timbó e não é permitido o homem fazer sexo antes de praticar timbó, se não ele será castigado.
Quando o Kokama tinha bons resultados por obedecer a natureza era chamado de MARUPIARA. E quando não tinha sorte na pesca por não seguir as dietas impostas tradicionalmente era chamado de PANEMA.
Vamos a pratica:
01 - Afundar na água (ɨpɨpe) [üpüpi]: alagar; submergir na água. Ini y+amimi ɨrara ɨpɨpeta. Escondemos a canoa afundando na água.
02 - Água (Uni) [uni]: Ajan uni charupan. Esta é água contaminada. Kawitsuri ipirakua y+ay+akati uni nuatsen. A piracema de pirabutão passa para indicar crescente da água.
03 - Água alta; inverno; água que está acima (Uni arɨwa) [uni arüúa]: Karau y+amɨman y+achu “karau, karau, karau” uni arɨwapuka. O carão triste chora, “carai, carai, carai” no inverno.
04 - Amarrar (tɨkɨta) [tüquïta]: atar; por exemplo, amarrar um porco, um tamalhe, o umbigo de um bebê, etc. Churankɨra mɨrua ini tɨkɨta kipey+ukapu. Nós amarramos o umbigo do bebê com pano. Tsa memɨra kunia tɨma ikua tɨkɨta anaru. Minha filha não sabe amarrar pupeca. Tɨkɨta na y+akɨ na y+akɨtsa ukukimaka ey+unkuara. Amarra tua cabeça para que não se caia teu cabelo na comida. Tɨkɨta na y+akɨtsa. Amarra o teu cabelo (pentiar).
05 - Anzol (Manipiara) [manipiara] - Variante: (Maninpiara) [maninpiara]: instrumento de ferro amarrado em nylon que serve para pescar. Tsuri tsɨki manipiarapu. A cachara se pega com anzol.
06 - Arco (Kanuti) [canuti]: Instrumento utilizado na caça de animais na floresta e para experientes serve também na pesca. Tsa mena tɨma ikua aya ipira kanutipu. Meu marido não sabe caçar com arco.
07 - Arpão (itatsapa) [itatisapa] - Variante: (itatsapua) [itatisapua]: ponta de lança; arma de ferro com uma base para embutir um pau. Utilizado para balear animais aquáticos grandes como peixe-boi, jacaré, pirarucu, etc. Y+uwara tsa amui aya itatsapapu. Meu avô baleou o peixe-boi com arpão.
08 - Atravessar uma embarcação (ɨaraki) [üaraqui] - Variante: (ɨraraki) [üraraqui]: arrastar; varar; atravessar uma embarcação desde um corpo de água a outro. Por exemplo, cruzar uma canoa por uma paliçada, um bote desde um cano até um rio, através de um caminho usando diferentes mecanismos, arrastando, deslizando com paus, etc. Também se aplica a peixes como a enguia, traíra ou jiju que se trasladam desde o rio até os charcos de água em temporadas de chuva. ɨpatsutsui ɨaranu ini uchimata ɨaraki paranaka. Tiramos as canoas do lago até o rio varando. Puraki ɨaraki amana tɨapu y+uriti uni y+atɨrɨkankuara. O puraqué vara com a água da chuva e fica nas poças da água.
09 - Balear; Perfurar; Alcançar; Ferir na floresta ou na água (Aya) [aia]: Implica o lançamento de um instrumento ponto cortante como lança, flecha, dardo da sarabatana, munição, facão, etc. Exemplo: alcançar com sarabatana um macaco. Tsa memɨra aya wepe tsuri ɨpatsukuara. Meu filho feriu um surubim no lago. Tsa amui aya inamu punipiarapu. Meu avô caça macucaua com sarabatana.
10 - Balsa (ɨatapa) [üatapa] - Variante: (ɨy+atapa) [üzatapa]: ɨatapapu tɨma ini y+ay+akati. Com a balsa não navegamos. Awakana y+auki ɨatapaapewatsui. A gente faz balsa de pau-de-balsa (Ochroma Pyramidale).
11 - Borda de um objeto (Tsɨma) [tsüma]: por exemplo, borda de uma canoa, de uma taça, de uma jarra, manga de uma roupa. ɨara tsɨma chautakan awanu mutsanaka takɨta. A gente repara a borda de uma canoa que está partida cravando.
12 - Bote (ɨara nuan) [üara nuan]: Literalmente “canoa grande”. Tsa ritamaka prowetsurunu weperapa ɨara nuany+ara. Em minha comunidade os professores cada um tem seu bote.
13 - Brinquedo (Y+umutsarikata) [zumutisaricata] Variante: (Y+umatsarikata) [zumatisaricata]: Tamanata etse y+umutsarikatapu. Me dar teu brinquedo. Tsa umi eran ɨarakɨraui y+umutsarikata. Vi uma canoazinha bonita para brinquedo.
14 - Cabeceira de um rio (Tiapɨra) [tiapüra]: quebrada, cano. Onde se origina uma fonte de água. Parana tiapɨra y+a y+upunitupa. O lugar onde o rio nasce é a cabeceira.
15 - Caniço (Kanitsu) [caniçu]: vara de pescar com anzol. Ta emete Kanitsu. Eu tenho caniço.
16 - Cano (tɨmatsa) [tümatisa]: quebrada de água pequena que permite a entrada desde um rio grande até um lago. Ikian chinta tɨmatsapuka wapuru aki. Quando a entrada ao lago está em silencio, a lancha entra.
17 - Canoa (ɨara) [üara] - Variante: (ɨrara) [ürara]: Inu ɨrɨrɨta ɨrarapura parana tsɨmari. Eles arrastam sua canoa até a margem do rio.
18 - Carne de caça (Mitayu) [mitaiu] – Variante: (Mitay+u) [mitazu]: carne que se obtem da caça ou da pesca. Ikian niapitsara ipurakarinkana y+atɨrɨta mitay+utsuri aya punipiarapu. Os homens caçadores coletavam sua carne de caça baleando com sarabatana.
19 - Correnteza (tɨpɨy+uka) [tüpüzuca]: corrente, redemoinho no rio. Uni nua utsupuka tɨpɨyuka y+apana eretse. Quando vai aumenta a água, os redemoinhos correm fortes. Uni tɨpɨy+uka muruka ukaui. A correnteza de água derrubou a casa.
20 - Crescente da água (Uni nuan) [uni nuan]: água grande; Enchente. Tewekɨwa ukaimapa uni nuan erutsupa yapuka. O mucuim desaparece quando arrasta a enchente da água. Uni nuan pararaka upi maka, parana tsakamɨnuka y+ai ajan ɨpatsunu y+a nuatapa. A enchente da água se espalha por todas as partes, aos afluentes do rio e isso aumenta os lagos.
21 - Dono (Y+ara) [zara]: ɨara y+ara etse. Eu sou a dona da canoa. Y+ara y+awachimui. O dono chegou.
22 - Embarcar (Uwarita) [uúrita]: Uwarita y+apukita ɨarakuara. Embarca o remo na canoa.
23 - Envireira (iwira) [iúira]: conhecido como umburuçu, vem de imbira=corda e açu=grande. O povo Kokama utiliza a casca terna para elaborar amarrados, pois ao amadurecer não se utiliza mais. Iwira ɨwa tuan kurukuru ipuku y+ai tsetsay+ara tewey+uwa. O tronco da envireira é largo, grosso e sua flor é rosa.
24 - Espinhel (Kamuri) [camuri]: instrumento de pesca parecido anzol. A um extremo de uma corda curta se amarra um gancho e ao outro uma bóia. Atravessa-se o gancho e coloca no lago. Nas margens do lago não se usa bóias, se amarra nas ramas nas margens que estão sobre a água. ɨpatsu tsɨmara ini y+apichika tsawaru kamuripu. Na margem do lago agarramos curimatã usando espinhel.
25 - Estar úmido (tɨa) [tua] - Variante: (tɨy+a) [tïza]: Tsa puwa tɨa. Minha mão está úmida. Tɨapati ɨrarakuara. Bem molhado está o interior da canoa. Tɨapati tsa memɨra y+awachimui. Completamente molhado chegou meu filho. Amanapu tsa tɨa. Me molho com a chuva.
26 - Ferro (Y+uema) [zuima]: desde os tempos primórdios o povo Kokama aprendeu a derreter o ferro sem contato com os não-indígenas. Y+uematsui y+aukin wapurunu y+ai kɨchinu. Essas lanchas e facões são feitos de ferro. Eretsen tupa ukitapa awanu y+uema y+apichikari y+apuka. O trovão queima forte a gente quando está se apoiando no ferro.
27 - Flecha (Uwa) [uúa]: Uwa ipira ayatata. A flecha é para flechar peixe.
28 - Guiar a canoa (tsupiara) [supiara]: alinhar; endereçar; endireitar; guiar a canoa com remo desde a popa para que avance em linha reta. Tsupiara ɨara y+umati utsutsen. Endireita a canoa para ir direito. Y+apukitapu na tsupiara tsapɨtatsui ɨari y+umatikatsen. Guia com o remo desde a popa para que se endireite a canoa.
29 - Ilha (ɨpua) [üpua]: Ta mɨmara tatu ɨpuakuara ta y+apichikan. Eu crio tatu que agarrei na ilha.
30 - Inundação (Pururuka) [pururuka]: igapó, inundar, alagar, alagação. Alguns falantes para mencionar que a ação se tem realizado reiteradamente, por exemplo: “purupuruka”, se aplica quando um líquido cobre algum objeto. Uni pururuka itini. A água alaga a praia. Amana eretsen pururukapa ukara. A chuva forte inunda o patio da casa.
31 - Isca (Tsɨkita) [tisüquita]: Tsɨkita na ini chirata manipiara tsu. A isca do anzol se chama carne.
32 - Lago (ɨpatsu) [üpatisu]: lago que se alimenta por uma entrada e desemboca por uma saída diferente. A diferença de “tipishca” = lago só de um cano, su nível de água geralmente se mantêm constante durante a crescente e seca dos rios. Etse ɨy+ataui ɨpatsukuara. Eu nado no lago. Y+a mena rai utsu ipira chikaritara ɨpatsukuara. Seu marido vai então a buscar peixes no lago.
33 - Lago com um cano (Tipishka) [tipichica]: lago em forma de curva que se alimenta e desemboca pela mesma entrada. Seu volume de agua aumenta no tempo de crescente e pode chegar a secar no tempo da vazante. Tsa ritama kakɨrɨ tipishka tsɨmara. Minha aldeia vive as margens de um lago com um cano.
34 - Lançar (Tiapi) [tiapi]: exemplo, lançar água ou outro líquido, evacuar, se recolhe a água com algum depósito e daí atirar fora. Aplica-se para jogar água suja, tirar a água que está dentro da canoa ou tirar o veneno do timbó da minha canoa e jogar no rio. Tiapi uni ɨarakuaratsui. Joga a água que tem dentro da canoa. Timu tɨa pichitakan ɨarakuara tiniaritara aipu ini tiapi tɨmatsukuara ipira emete tupaka. O timbó moído dentro da canoa para pescar, com isso se joga no cano onde tem peixes.
35 - Lancha (Wapuru) [úapuru]: pequena embarcação. Wapuru amutseweari peka. A lancha está se aproximando (está chegando) ao porto.
36 - Lavrar (teruta) [tiruta]: fazer um trabalho com algum instrumento. Teruta ɨarakuara y+anaman y+anapɨrɨkatika. Lavra o interior da canoa até que se afine mais.
37 - Língua de pirarucu; Lixa (Iwatsu kumɨra) [iúatisu cumüra]: ferramenta que utiliza os Kokama para lixar remo. Os antigos arrancavam a língua do pirarucu e deixavam secar para depois utilizar como lixa. Iwatsu kumɨrapu na etse y+apukita ɨwa. Lixa o cabo de teu remo com língua de pirarucu.
38 - Luz (kanata) [canata]: claridade, instrumentos/utensílios que provem de “luz”. Por exemplo: lamparina, vela, foco, até o fogo, lampião, etc. Ini kumitsara kanata upi mari tsenen ɨpɨtsa. Nós chamamos luz tudo o que alumia a noite.
39 - Mar (Paranawatsu) [paranaúatisu]: Literalmente rio gigante. Tsa tɨma maniapuka umi paranawatsu iy+an tsa ikua emete wapuruwatsu ukua y+akuara. Eu nunca vi o mar, mas sei que existem lanchas muitos grandes andando dentro dela. Paranawatsu muntu y+atamanikata. O mar que rodeia o mundo.
40 - Margens de rio (tsɨma) [tisüma]: margens de cano; margens de lago; praia. Y+a purara uka misha ikian ɨaku tsɨmaka. Ele encontra uma casa pequena as margens do cano. Y+a upuka parana tsɨmari wapuru kaukiari. Ele sai até as margens do rio esperando a lancha.
41 - Mergulhar (y+apɨma) [zapüma]: submergir; baixar; virar; nadar debaixo da água; submergir superficialmente na água. Y+arinama y+apɨma y+apichika ipira unikuara. O carará mergulhando agarra peixe dentro da agua. Y+uwape y+apɨmatapa tsa memɨra ɨaramuki. As ondas fazem virar meu filho com sua canoa. Animarutua y+apɨma ichari ai. Deixa o animalzão mergulhando.
42 - Navegar rio acima (y+ay+akati) [zazacati]: deslocar; deslizar; passar; atravessar. Ritamaka tsa iriwa y+ay+akati wapurupu. Navegando a lancha voltou para minha comunidade. Y+ay+akati wapuru parana tɨpɨy+ukankuara. A lancha navega pela correnteza do rio.
43 - Nó (tɨkɨta) [tüquïta]: também significa “amarrado simples”. Ikuarinminu tsa y+umita marawe tɨkɨtapu. Eu ensino aos alunos como amarrar o abano. Y+umita na taɨra tɨkɨtakanapu: ɨara tɨkɨtapu, kuchi tɨkɨtapu, pɨtsa y+akɨ tɨkɨtapu, waka y+apichikatata puwatsa ɨtsɨmakanpu. Ensina teu filho os amarres ou nó: amarra a canoa, nó de porco, a coroa da tarrafa, nó de correr com cabo grosso para agarrar boi.
44 - Onda de grande amplitude (Y+uwape) [zuúapi]: ɨwɨtu eretse y+uwapeta ɨpatsukuara. O vento forte levanta onda de grande amplitude dentro do lago. Wapuru nuan y+uwapeta paranakuara. A lancha grande faz ondas de grande amplitude no rio.
45 - Ondas (Piririka) [piririka]: fazer ondas empurradas pelo vento ou pelo impacto de alguma coisa na água. Esta ação pode ser vista quando os peixes expiram e produz ondas no lago. Ipirakua y+ay+akatipuka uni piririka y+a tsakapɨrɨ. Quando a piracema percorre na água fica uma onda atrás.
46 - Outro lado (Amatupa) [amatupa] – Variante: (Amatura) [amatura]: A outra margem de um rio. A uma certa distancia. Amatupari rama ritama. Lá do outro lado existe outra comunidade. Amatupatsui tsuri. Estou vindo do outro lado.
47 - Paliçada (ɨtɨpɨta) [ütüpïta]: grupo de paus que se encontram flutuando nos rios. A paliçada é um perigo para navegar pelos rios de água corrente. Nos lagos as paliçadas servem para que os peixes (acará, etc.) coloquem seus ovos. Akara ipiranu kakɨrɨ ɨtɨpɨtakuara. Os carás vivem nas paliçadas (abaixo das paliçadas).
48 - Pau de tacana para empurrar o barco (Tankana) [tangana]: pau comprido de tacana, com o que empurra pela margem do rio uma embarcação. Tankanapu ini urutsu aɨra y+umunu parana tɨpɨpɨrɨnkuara. Empurramos a canoa com pau de tacana pelo rio (quando o rio está baixo).
49 - Peixe (Ipira) [ipira]: nome genérico para qualquer tipo de peixe. Existem diferentes tipos de peixes. Ipira kauki y+ai emeran y+aparin. O peixe espera sua comida cair.
50 - Pescador (Ipurakaritsenipirawara) [ipurakaritisinipirauara]: ɨmɨnan amuinu ikua mutsanaka churaminu ukuatsuri inu ikua ipurakaritsenipirawara. Os avôs de antes sabiam curar as crianças para que sejam bons pescadores.
51 - Pescar com cesta (Y+arari) - Variante: (y+arani) [zarani]: Tɨmatsakuara tɨpan arani tsa y+arari urukurupu. O lambari se encharca dentro do cano, eu agarro com a cesta.
52 - Pescar com cesta (Y+arari) [zarari] - Variante: (Y+arani) [zarani]: Tɨmatsakuara tɨpan arani tsa y+arari urukurupu. O lambari se empoça dentro do cano, eu pego com cesta.
53 - Pescar com timbó (Tiniari) [tiniari]: Uriatiatin ipirakana tana y+apichika tsuriai tiniaripuka timupu. Todo tipo de peixes nós pegamos quando pescamos com timbó.
54 - Pescar com timbó (Tiniari) [tiniari]: Uriatiatin ipirakana tana y+apichika tsuriai tiniaripuka timupu. Todo tipo de peixe nós pegamos quando pescamos com timbó.
55 - Piracema (Ipirakua) [ipiracua] – Variante: (Ipiratsema) [ipiracema]: cardume, manadas de peixes que nadam contra correnteza, muito próximo da superfície da água e da margem dos rios. Saem desde as quebradas de água, igarapés e lagos até aos rios grandes no tempo de verão. Este é um tempo propicio para os pescadores. Tamakɨchi ipirakua tɨma chita. A piracema de tambaqui não é bastante (porque não existem mais muitos tambaquis). Kirimata ipirakua y+ay+akati parana tsɨmara upupurikawa. A piracema de curimatã passa saltando pela margem do rio.
56 - Popa (Tsapɨta) [tisapüta]: parte traseira da canoa. Ukuata ɨara tsapɨta rupe na tsupiaratsen. Passa a popa da canoa para direcionar a viaje.
57 - Porto (Pe) [pi]: lugar onde qualquer embarcação de transporte desde uma canoa até uma lancha pode atracar para descarregar. Ikian awa warika uri ini pekuara. Essa gente vem desembarcar em nosso porto. Uy+upe peka ɨrara tɨkɨtatara. Baixa até o porto e amarrar a canoa.
58 - Proa (ɨati) [üati]: Parte da frente da canoa, balsa, etc. Tana ɨatapa ɨati tɨma uy+ari tuy+ukakatika. A proa de nossa balsa não chega até a terra.
59 - Quilha (tsupiarata) [supiarata]: parte da canoa. Tɨma tsupiaratan ɨara y+atatamanika ini erutsu. A canoa sem quilha se leva volta-volta (barbeiro).
60 - Rabo (Tsuwi) [tisuúi]: rabo ou cauda de peixes, macacos e aves. Miy+ara emete y+a tsuwi, wɨranu y+ai tsuwiy+ara. Os macacos têm seu rabo, as aves também têm rabo. Ipiranu y+ai emete y+a pera iy+an y+ai ini chiratai tsuwi. Os peixes têm rabo, porém também se chama cauda.
61 - Remo (Y+apukita) [zapuquita]: Y+apukita ɨarapu ukuatata. O remo é com o que se anda na canoa. ɨarakuara wepe yapukita tsakarikaui. Dentro da canoa se quebrou um remo.
62 - Respirar (iy+a tsɨki) [iza tisüqui]: Awa umanun tɨma iy+a tsɨki. Uma pessoa morta não respira.
63 - Rio (Parana) [parana]: Karukamuki inu uchimaka parana tsɨmara. Ao entardecer, eles saem até a margem do rio.
64 - Salgar para conservar (Tsetseta) [tsitisita]: procedimento para conservação de peixe. A conserva com sal (com iodo) dura um dia e com sal de pesca dura 15 dias. Awanu tsetseta iwatsu tsu puerepetamira y+a ikanai. A gente salga a carne seca de pirarucu para vender.
65 - Ser profundo (Tɨpɨ) [tüpü]: fundo. Ajan parana tɨpɨnkuara emete wara iruatakaminu. Nesse rio fundo existe diferentes tipos de bagres. Chiuki tuy+uka kakuaran tɨpɨ uni y+atɨrɨtsen. Cava um buraco profundo na terra para juntar água (para poço). Temente ɨpatsu tɨpɨn. Não existe lagos profundo.
66 - Ser superficial (Tɨpɨpɨrɨ) [Tïpüpürï]: estar próximo da superfície. O oposto de “tɨpɨ” = “profundo”. ɨpatsu ɨkɨratsenkana y+aukin tɨpɨpɨrɨ. O lago feito pelos alunos é superficial. Ipirakua y+ay+akati tɨpɨpɨrɨrapa unikuara. A piracema passa próxima a superfície da água.
67 - Tapiá (Tamara) [tamara]: espécie de árvore de várzea (Crateva tapia) tem frutos redondos parecidos ao limão que serve de alimento para o bacú. Seu fruto se emprega como isca de caniço para capturar o bacú. Também se utiliza a madeira dessa árvore para curar bolhinhas de ácaros. Tamara piruara kakɨrɨnpu ini mutsanaka tsatsuka. Com a casca fresca da tapiá se cura bolhinhas de ácaros.
68 - Tarrafa (Pɨtsa) [pütisa]: espécie de rede que antigamente se fabricava com tucum. Hoje se usa nylon para fabricar a tarrafa. Pɨtsa nuan. Minha tarrafa é grande.
69 - Tarrafiar (Pɨtsata) [pütisata]: pescar com tarrafa. Tsa papa y+apichika ipira pɨtsatapu. Meu pai pega peixe tarrafiando. Ta pɨtsata parana tsɨmaka raepe ta pɨtsa y+apɨta. Eu tarrafio na margem do rio, aí encaixo minha tarrafa.
70 - Vazante da água (uni tɨpa) [uni tipa]: Kawitsuri [cabitisuri] y+ay+akati ipirakuara uni tɨpautsupuka. O pirabutão deslocam em piracema próximo a vazante da água.
71 - Visga; Visgou; Visgar (Tsɨki) [tisüqui]: Tsa mena tsɨki waraui. Meu marido visgou um bagre (peixe liso grande). Tsuri tsɨki manipiarapu. O surubim se visga com anzol.
Exercício da Aula nº 46:
01 – Desenhe os instrumentos de pesca Kokama e coloque os nomes em Kokama embaixo do desenho.
02 – Desenhe os tipos de embarcações Kokama e coloque os nomes embaixo em Kokama.
03 – Quais as palavras que colocamos para quem se dar bem na pesca e quem se dar mau? Justifique.
04 – Explique como é a pesca com timbó.
05 – Relate o que é piracema.
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Até a próxima! Iniaparari!
Ainan ta! Obrigado!!!
Prowetsuru Tsamia. Professor Samias.
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sábado, 12 de junho de 2021

Curso da Língua Kokama. Aula nº 45: Sábado, 12 de junho de 2021. Instrumento de Agricultura do povo Kokama.

Aula nº 45: Sábado, 12 de junho de 2021.
Kupetata metɨmarapan Tapɨy+a Kukamɨe.
Instrumento de Agricultura do povo Kokama.
A Agricultura faz parte da vida diária do indígena Kokama desde quando começaram fundar aldeias.
Mas antes do povo Kokama viver da agricultura, o povo Kokama era nômade, andava em toda a extensão da América do Sul e América Central trocando medicina tradicional, conhecimentos das estrelas, conhecimentos da terra, conhecimentos do ar, conhecimentos da águas, conhecimentos do fogo, mineral e sementes.
O povo Kokama construía embarcações que saiam onde nasce rio Amazonas até o desembocar no mar, capaz de levar pessoas, animais pequenos e cavalos já domesticados ou lhamas para as longas jornadas. Prova dessa troca cultural é a língua Kokama, que tem palavras do Quéchua, Tupi, Guarani e de outras línguas de povos antigos.
Com o passar dos tempos fez necessários fundar aldeias para receber os viajantes Kokama que faziam grande viagem em troca de conhecimento e estudavam as constelações e os fenômenos da natureza. Nas aldeias teve a necessidade de promover a agricultura de subsistência. Atualmente, essas aldeias Kokama antigas já não existem mais, elas se tornaram as nossas cidades e muitos Kokama se perderam pelos caminhos e seus filhos não sabem que são Kokama.
A agricultura Kokama era ligada aos conhecimentos de nossos Médicos Tradicionais, que plantavam plantas curativas e alimentícias.
O povo Kokama não plantava pelo turno da manhã, toda plantação era durante a tarde. Ou seja, antigamente todos os Kokama se reuniam a noite na grande maloca para reunião, planejamento, ritual da ayahuasca e outros afazeres coletivos, e dormiam lá pelas 4 da manhã e completavam o sono durante a manhã.
Vamos a praticar para saber nossas coisas de agricultura:
01 - Ação de coletar (Ipuari) [ipuari]: uso genérico por extensão a partir da atividade de desbubulhar sementes ou grãos. Arutsu ipuarin itiniari. Está coletando arroz na praia.
02 - Agricultor(Kupiarin)[cupiarin]: Termo do povo indígena Kukamiria. Chita awaka rana kukuara kupearin. Bastante gente em suas roças estão cultivando.
03 - Ajurí (Wayuri) [uaiuri] – Variante: (Way+uri) [uazuri]: trabalho coletivo. Multirão. Ini y+auki way+uri ku kupeari. Fazemos ajuri para cultivar a roça. Ene kuratata kaitsumautsu way+urika. Você vai convidar (servir) caiçúma no ajuri.
04 - Amarrar (Tukuchi) [tucuti]: atar as espigas de milho pelas pontas. Esta é uma forma de conservação do milho. Al atar as pontas das cascas das espigas, engancharem o atado em cima do fogão para receber fumaça e evita que entre o inseto ou que se estrague com umidade. Uy+arika metɨmaran awati ini erata tukuchita y+anpura wachikuta tatatini arɨwa. Para voltar a semear o milho se guarda amarrando pelas suas pontas e pendura sobre a fumaça.
05 - Amolar (tsaimeka) [tisaimica]: também pode ser afiar. Ini tsaimeka kɨchɨ etsekaka itakiari. Nós amolamos o facão alisando na pedra. Penu purepe itaki penu marinu tsaimekatupara. Nós compramos pedra para que sirva como lugar onde amolar nossas coisas.
06 - Arrancar (Mɨtɨta) [mütüta]: desprender algo de propósito e usando a força ou um instrumento. Arrancar a folha de uma árvore, uma planta da terra, o cipó de uma árvore, cabelo, a folha de um caderno, etc. Kutse ɨwɨrati utsun mɨtɨta itimu y+a tsaparura. José vai ao mato e arranca cipó de timbó para seu paneiro. Mamachatsu tsaparu puatsa ipuchin mɨtɨta. Minha pobre mãe arranca o cipó pesado para seu paneiro.
07 - Arrancar uma planta de raíz (Muruka) [muruca]: Uchimata y+awiri tsapua muruka murukatapu. Tira a batata da macaxeira arrancando com a vara.
08 - Arranhar (Kari) [cari]: pode significar também “raspar”; arranhar com a mão ou outro instrumento, por exemplo, facão, faca, machado, etc. Churankɨranu kari y+a chitsa. Os bebês se arranham no rosto. Kari amatsetsa piruarakɨra mutsanara. Raspa a casca do mulungu para fazer remédio.
09 - Arrozal (Arutsupan) [arutisupan]: Tsupirinan ta arutsupankuara. Meu arrozal está o mesmo.
10 - Atalho (Tsakarita) [sacarita]: caminho curto, conexão direta entre um ponto e outro. Vem de “tsakari = cortar” mais o causativo “-ta”. Podem ser por terra ou água. Pode ser um varador por terra ou um furo de água. Tsakaritapu na y+awachima ɨatira tsatsawakanan. ‘Cruzando o atalho você chega primeiro.
11 - Banana (Panara) [panara]: para o Povo Kokama “panara” é banana verde ou madura (Musa paradisiaca). Para o Povo Kukamiria “panakɨra” se refere a banana verde. Para o povo Kokama existem diferentes tipos de bananas e cada um tem seu nome: panarawatsu = banana comprida; panara y+arakanuara = banana costela de boi; kuwata panara = banana de dois cachos; etc. Panara chunka y+atsɨtsui y+a iy+a wachikuka, y+a itaru wepe y+atsɨ tapiara. A banana aos dez meses coloca seu fruto e um mês demora a engordar.
12 - Bananal (Panarapan) [panarapan]: Tsupirinan ta panarapankuara. O mesmo está meu bananal.
13 - Bola de terra (kurukuru) [curucuru]: bola grande. Tsani erura tuy+uka kurukuru. Traz uma bola de terra.
14 - Brotar; Germinar (Tsey+uni) [tisizuni] - Variante: (tseuni) [siuni]: Crescer. Por exemplo, o brolho de uma árvore, milho, qualquer semente. Y+awiri tsikuay+ara ai tsey+uniari y+a. A plantação de macaxeira já está crescendo.
15 - Buraco (Kakuara) [cacuara]: Ajan ɨrara kakuarapa. Esta canoa está com buracos. Ini chiuki tuy+uka kakuara panara y+atimachiru. Cavamos buraco na terra para semear banana. Tsa kuakuarata tuy+ukui. Eu cavei na terra.
16 - Cabo de objeto (ɨwa) [ïúa]: aba comprida ou estreita pela qual se pega um instrumento ou utensílio. Por exemplo, machado, facão, panela, etc. Tsa papa y+ɨ ɨwa tsakarikaui. O cabo do machado de meu pai se quebrou.
17 - Caiçúma (Kaitsuma) [caitiçuma]: bebida de macaxeira cozida, pode ser fresca ou fermentada. Para elaborar a caiçúma, se cozinha a macaxeira, machuca com um socador, e se mastiga porções desta massa. Se deixa fermentar por aproximadamente três dias ou mais, o qual é finalmente dissolvido com as mãos em um pouco de água. Aitsemenan kaitsuma irawa. A caiçúma está muito forte (fermentado).
18 - Carregar (Y+atukupe) [zatucupi]: levar algo sobre as costas. Ra y+atukupe ra ay+an animaru. Ele carrega o animal baleado. Ra y+atukupe chamura. Ele carrega o cadáver. Y+atukupe na erutsu ajan urukuru ipuchinai. Leva carregando esta cesta pesada.
19 - Casa de farinha (Ui uka) [ui uca]: Tsupirinan ta ui ukakuara. O mesmo está minha casa de farinha.
20 - Cavar (Chiuki) [tiuqui] - Variante: (Chiwiki) [tiúiqui]: ação que realiza em uma superfície sólida com intenção de no final obter um buraco, por exemplo, na terra, na madeira, na parede, em um dente e etc. Este termo não se aplica se o jacaré mordeu alguém, nesse caso ele fez um “buraco” na perna, então esse buraco da mordida se fala em Kokama “chautaka”. Ra chiuki iy+ara. Ele quer cavar. Awanu chiuki tuy+uka chamura y+atɨmachirura. Os homens cavam a terra para enterrar o morto. Mariu chiuki y+ɨpu akaiwa ɨarara y+aukimiran. Mario faz buraco no cedro com o machado para fazer canoa.
21 - Cesta (Urukuru) [urkuru]: cesta feita à base de timbó. Urukuru miminiu chikuara y+upin. A cesta é tecida de base miúda. Urukuru y+apɨkawa y+ura arɨwa. A cesta está em cima do piso de paxiúba.
22 - Cesta (warata) [úarata]: Warata mukuika y+apichika tupan ai ini erutsu wachikɨwa. A cesta de duas alças se leva enganchado.
23 - Cesta pequena (Kutupi) [cutupi]: Kukamiria chirata timi kutupi. Os Kukamiria chamam diferente a cesta pequena.
24 - Coletar (Ipu) [ipu]: extrair, recolher um produto arrancando. Por exemplo, o camu-camu, algodão, feijão, arroz, etc. O povo Kokama extrai sua coleta de diferentes maneiras, pode ser com as mãos ou podem extrair os grãos colocando das espigas de milho em uma bolsa e batendo. Antigamente o arroz se colhia “por grãos”, mas agora já não se usa esta técnica, agora se corta a planta. Chita awati ini ipui. Temos coletado bastante milho. Y+apai ini ipu arutsu. Vamos a colher arroz.
25 - Cortar (tsakɨta) [sacüta]: implica uso da força para cortar qualquer coisa (árvore e etc.) e com qualquer instrumento (facão, faca, machado). Na língua Kokama existem diferentes tipos de cortar, dependendo da forma do corte, a força empregada, o instrumento, etc. Por exemplo, todos os seguintes termos se traduzem “cortar”: ɨpɨka, tsakɨta, petseta, petsekaka, kuitaka, y+atsɨkataka, miminiuta. Wepe niapitsara tsakɨta ra pɨetui kɨchɨpu kamatatupaka kukuara. Um homem cortou o pé com o facão enquanto trabalhava na roça.
26 - Cultivar (Kupe) [cupi]: limpar a plantação. Kukuara y+anamata ini kupe. Cultivamos a erva da roça.
27 - Depósito em forma de canoa pequena (ɨara petse) [üara pitsi] - Variante: (ɨrara pɨtsɨ) [ürara Pütsï]: Recipiente onde se processa mandioca. Ou onde coloca a macaxeira cozida para tritura e obter a massa da caiçuma, depois procede a mastigação. Akaiwatsui ini y+auki “ɨara petse”. Fazemos “ɨara petse” de cedro. Ta y+auki ɨara petse kaitsuma tutukaka chiru. Eu faço depósito em forma de canoa pequena para machucar a caiçúma.
28 - Entrar em um lugar (Aki) [áqui]: Temente tsumi awa ikua tsakiui na kukuara. Porque não vi ninguém, entrei na tua roça. Ikian chinta tɨmatsapuka wapuru akitsuri tipishkakuara. A lancha entrou ao lago (com um só cano de entrada e saída) quando o cano estava em silencio.
29 - Envira (Iwira) [iúra]: envireira. O povo Kokama utiliza a cortiça terna para elaborar amarrados, mas ao amadurecer não serve mais. Iwira ɨwa tuan kurukuru ipuku y+ai tsetsay+ara tewey+uwa. O tronco da envireira é largo, grosso e sua flor é rosa.
30 - Enxada (Eny+ata) [inzada]: instrumento de agricultor constituído por uma lâmina larga, ligeiramente curva com um olho no qual se coloca um cabo comprido de madeira. Serve para cavar a terra. Awanu chiuki tuy+uka eny+atapu chamura y+atɨmachirura. Os homens cavam a terra com enxada para enterrar o morto.
31 - Enxadinha de polir (Y+upana) [zupana]: ferramenta de cabo de madeira e base de metal que pode medir aproximadamente 20 x 10 cm. Utiliza-se para polir a madeira, deixar lisa e sem ramas ou nódulos. Tsa papa ɨtsɨmata ɨaratsɨma y+upanapu. Meu pai alisa a borda da canoa com a enxadinha de polir.
32 - Esquentar (tsakuta) [sacuta]: Kuarachi tsakuta tuy+uka. O sol esquenta a terra. Tsakuta ey+un chɨmɨra tatakuara. Esquenta no fogo a sobra da comida.
33 - Esta muito quente; Queimar (Uki) [uqui]: estar queimando. Ku ukiui. A roça se queimou. Tsa ukipaui. Me queimei.
34 - Estar em um lugar (Y+uti) [zuti]: também se usa como auxiliar para indicar um evento em pleno desenvolvimento, que se está fazendo algo. Tsa y+uti ajanka awatipan mainaniari. Eu estou aqui cuidando meu milharal. Etse ɨraray+arari y+utintsuri kuka. Eu estava fazendo canoa na roça. Uriatin ikian marikana, tɨma uy+ari rana era, itikamira rana y+uti. Em vão são estas coisas, já não servem, estão para jogar fora. Etse y+uti kuka. Estou na roça.
35 - Extração; Extrair; Tombar (Muruka) [muruca]: extração, por exemplo, da casa quando é arrancada completamente pelo barranco. ɨwɨra ɨwɨtu muruka. O vento tombou pau de raiz. ɨwɨtu murukan uka uwari tsenepupewa. A casa movida pelo vento cai de joelho.
36 - Faca (Kɨchikɨra) [cüthicüra]: Kɨchikɨra ɨpɨkapa tsa puwa ipira pichitapuka. A faca corta minha mão quando destripo o peixe.
37 - Facão (Kɨchi) [cüthi] - Variante: (Kɨchɨ) [quïthü]: Tsakɨta ipia kɨchɨpu. Corta a lenha com o facão. ɨwɨratatan tsakɨtapuka, kɨchi tsakarika. Quando se corta madeira dura, se quebra o facão.
38 - Farinha de mandioca (Ui) [ui] - Variante: (Uwi) [uúi] – Variante: (Uwɨ) [uúï]: Uwi era kiritan tɨma tsɨrɨpa ipurapani. A farinha bem torrada não se esfria rápido.
39 - Fazer buraco (Kakuara) [cacuara] - Variante: (Kuakuara) [cuacuara]: pode fazer um buraco, “kuakuara” mais “-ta”, por exemplo, no mato, quando se limpa uma área para fazer carvão, ou livre para fazer roça (clarera). Tsa ku kakuara tɨma mɨtɨmay+aran. Minha roça está limpa/livre, não tem plantas.
40 - Feijoal (Purutupan) [purutupan]: Este feijão é uma planta delicada. Awa aitsekaka ukɨrɨn tɨma aki purutupan kukuara. A gente mal dormida não pode entrar na roça onde está o feijão.
41 - Fogão (tatatupa) [tatatupa]: Espaço onde se arma o fogão para cozinhar. Em algumas casas Kokama o fogão é uma caixa cheia de terra a certa altura. Tsa tatatupa ukitapaui y+ikua tɨma tsa y+auki ey+un Meu fogão tem se queimado, por isso não posso preparar comida.
42 - Formão (Parati) [parati]: ferramenta para modelar canoa, espécie de instrumento cavador pequeno. Tsa papa chiuki ɨara ɨatikuara paratipu. Meu pai cava a proa de sua canoa com formão. Parati kamukurikan eran y+atamanikan chiukitara. O formão curvando é bom para cavar redondo.
43 - Forquilha (tɨyi) [tüi] – Variante (tɨy+i) [tüzi]: pode ser também gancho. Ukukita y+ukun watsatsa tɨy+ipu. Derruba esse abiu com a forquilha.
44 - Gancho de pau (Tɨi) [tüi]: ferramenta que se utiliza para enganchar ou tirar algo na roça. Existem dois tipos de ganchos, dependente do uso que se dar, por exemplo: Para colher frutos das árvores e também tirar os matos e cortar. Tɨipu tsa ukukita watsatsa. Colho abiu com gancho de pau.
45 - Goma (ɨtsɨkan) [ütisücan]: também se aplica a algo pegajoso como resina (leite) de abiu e etc. Y+awiri kaitsui ini y+auki ɨtsɨkan kuatiaran uy+aritatara. Da resina da macaxeira preparamos goma para grudar papeis.
46 - Grandiúva (tamewa) [tamiúa]: A fibra desta planta é branca (Trema micrantha). Tamewa piruara ini uchimata tsaparu puwatsara. A fibra da grandiúva se tira para tala de paneiro.
47 - Macaxeira (Y+awiri) [zawiri]: Y+awiritsui upi mari ini y+auki ey+umira. Da macaxeira se faz toda coisa para comer. Y+awiri y+auki kaitsumara y+ai ui. Da macaxeira fazemos caiçúma e farinha.
48 - Machado (Yɨ) [iü] – variante: (Y+ɨ) [zü]: ferramenta cortante. Penu ɨpɨru Kutse y+ɨ ipia y+aukitara. Nós emprestamos o machado de José para fazer lenha.
49 - Malha (Puwa) [puúa]: tela tecida. Tsaparu y+aukin puwa pɨtsataka. A malha do paneiro é cruzada.
50 - Manchar; Pintar algo com as mãos (tsumaka) [tisumaca]: pintar alguém sovando com a mão. Este termo se utiliza para as pessoas que com terra ou tinte que mancham. Tsumaka y+akina tawa pɨtanipu. Pintar a porta com terra vermelha.
51 - Mandioca (Maniaka) [maniaca]: macaxeira brava ou macaxeira amarga; tipo de macaxeira venenosa. O seu consumo sem processamento causa a morte. O povo indígena Kokama prepara farinha de mandioca com este tubérculo e também misturam com outro tipo de macaxeira ou mandioca; Extraem ou diminuem o veneno de sua resina ao deixar apodrecer (puba), e logo o espreme para eliminar os líquidos (tucupi). Ai y+auki ui maniakatsui. Ele faz farinha de mandioca.
52 - Massa (Tsuma) [tisuma]: Tsumata panara pɨtanin y+ukuchikuara. Faz massa de banana madura na panela.
53 - Milharal (Awatipan) [aúatipan]: Tsa y+uti ajanka awatipan mainaniari. Eu estou aqui cuidando meu milharal.
54 - Milho (Awati) [aúati]: Tsa memɨra kunia ipu awati ikanan y+a kukuara. Minha filha coleta milho seco em sua roça. Awati Tsai ini kɨrɨka kamura yaukimira. Nós moemos o grão de milho para fazer chicha.
55 - Moinho (kɨrɨkata) [quïrükata]: significa também máquina de moer (makina kɨrɨkata). Instrumento utilizado para moer ou triturar alguma coisa em grandes quantidades. Aipuka, kɨrɨkatapu ini kɨrɨka awati ɨkiran ini y+aukitsen. Agora nós moemos com o moinho o preparado de milho.
56 - Mudar planta de um lugar para outro; Transplantar; Muda (Tsikuay+ara) [Tisicuazara]: Mudar as plantas de um lugar que está enraizada e plantar em outro lugar. Tupape na y+a tsikuay+ara y+ariri y+awiri. Aí então, plante a muda de macaxeira.
57 - Pá (Aparati) [aparati]: A pá é uma ferramenta manual dotada de uma lâmina transversal, acoplada a um cabo de madeira, que serve basicamente para capinar, pegar, remover e jogar fora materiais como terra. Ta papa aparati ɨwa tsakarikaui. O cabo da pá do meu pai se quebrou.
58 – Paneiro (tsaparu) [saparu]: tipo de cesta. Este tipo de cesta é tecido com talas finas. Se diferencia de “urukuru” = “cesta” em tipo de tecido. O paneiro tem as curvas maiores, e serve para carregar, especialmente os produtos da roça. O tecido da cesta é mais estreito e serve para armazenar em casa as coisas mais delicadas. Tsaparu ini chirata urukuru chitsakuara nuan. O paneiro é tipo de cesta, porém mais olhudo.
59 - Pé de moleque (kutsepe) [cutisipi]: assado; massa de macaxeira triturada embalada em folha e assada na panela de barro. kutsepe kirita ɨy+ɨ chapuni. O assado de macaxeira que se cozinha torrado é delicioso.
60 - Peneira (Kumata) [cumata]: coador feito de fibra vegetal. No povo Kokama existe dois tipos de peneiras: um com buracos miúdos, que se utiliza para diluir caiçuma; e a de peneira mais rala e com furos maiores, que se usa para peneirar massa de mandioca para fazer farinha. Kumatakuara tsa y+umuka y+awiri puan. Peneiro macaxeira podre no camburão. Kaitsuma y+umuka chiru kumata miminiu y+aukin. A peneira de tecido miúdo é para peneirar caiçuma. Kumata chitsakuara nua tsakamɨkan y+apu ini y+umuka y+awiri tsuma. Com a peneira de malha grande se peneira a massa de macaxeira.
61 – Prensar; Emprensar (Kipeta) [quipita] - Variante: (kepeta) [quepita]: apertar, pressionar, aplastar, esmagar, compactar. Wepe tsaku y+awiri puan penu kipeta ɨwɨrapu y+a pichitatsen. Nós pressionamos o saco de macaxeira podre com paus para escorrer. Uka uwarin kipeta y+aranu. A casa destruida apertou os donos.
62 - Preparar terra em massa (Chirikaka) [thiricaca]: lama, fazer barro, suavizar a terra misturando com água. Na língua Kukamiria “chiritaka” significa “terra encharcada” e estaria composta por: “chiri” que significa “barro”, mais o causativo “-ta” e o reiterativo “-ka”. Porém, ao aparecer em Kokama à palavra “chiri” significa “triturado”. Nota: em Quéchua “Chiri” significa “frio”. Chirikaka tuy+uka ukuatseme amana uwaripuka. A terra faz lama quando cai muita chuva.
63 - Queimar algo (Ukita) [uquita]: Ra ukita arutsu. Ele queimou o arroz. Muritsu ukita tsakapɨrɨ, ini peratata pay+urupu. Depois de queimar a jarra de barro, o envernizamos com lacre.
64 - Raiz de árvore (tsapua) [sapua]: Papay+a tsapua uni y+apichikara y+a umanu. O mamão morre se a água chega até a sua raíz (se alaga). Y+awiri tsapua ɨkɨran tɨma kurukuru. A raíz da macaxeira verde não é grossa.
65 - Ralador (Patiwa tsapua) [patiúa sapua]: objeto para ralar. Os antigos utilizavam a madeira de paxiúba como utensílio e ralavam seus alimentos. ɨmɨnan awanu chakata y+awiri ukuatsuri patiwa tsapuari. As pessoas de antes ralavam macaxeira com o ralador (raíz de paxiúba).
66 - Ralar (Chakata) [thacata]: desintegrar a mandioca com um instrumento. Joana chakata y+awiri y+aukitsen kuani. Kuana rala a macaxeira para preparar tamalhe (comida com arroz e frango cozida na palha). Y+anipa era y+akɨtsa tsunitara, y+ai ɨkɨran chakatanpu na ɨrɨka piruara y+a tsunitsen. O jenipapo serve para pintar o cabelo de preto, também com o ralado verde cobre o corpo de preto.
67 - Rede (Tukini) [tuquini]: Tukini tɨkɨtawa ukakuara. A rede está amarrada dentro da casa.
68 - Remo para torrar farinha (Kunita): remo elaborado de madeira de tronco de capirona. Instrumento utilizado na preparação de farinha. Com este remo se vai movendo a massa enquanto torra no forno. Também se chama assim o pau para bater chicha. Ini y+aukitsen ui kunitaka y+apuka ini tseta kunita. Quando fazemos farinha precisamos de remo para bater.
69 - Roça (Ku) [cu]: Extensão de terra dedicada ao cultivo (agricultura). Tsa pai y+atɨma kukuara panara taɨra. Meu tio semeou filho de banana em sua roça.
70 - Roçar (Karupa)[carupa]: significa também capinar; ação de limpar os matos e ervas inúteis para plantar, exemplo, roçar o mato para fazer nossa roça. Tsa papa karupa ɨwɨratikuara y+a tsanatan ku ura. Meu pai capina o mato medindo para sua roça.
71 - Sapotal (Aterepan) [atiripan]: Tsupirinan ta aterepankuara. O mesmo está meu sapotal.
72 - Semear (Mɨtɨma) [Mütüma]: pode ser também coletar semente. Envolve plantas cultivadas ou semeadas, não inclui a coleta de produtos de plantas silvestres (extrativismo). Tsa y+uriti ajanka awati y+a mɨtɨmari. Estou aqui semeando milho. Anan uni ukaimatan tsa ipu mɨtɨma. Antes que a água me chega colho minha planta.
73 - Semeiar (Y+atɨma) [zatüma]: Tsa y+uriti ajanka awati y+atɨmari. Estou aqui semeiando milho. Tsey+uni tsa y+atɨman, panara taɨra kukuara. Cresce minha plantação de filho de banana na roça.
74 - Socador (Takari) [tacari]: pequeno bastão para socar ou triturar alimentos. Takari emete kaitsuma tukutata, y+ai panara ɨpɨtata. Existe socador para machucar a caiçúma, também serve para fazer tacate.
75 - Suavizar (Chiritaka) [thiritaga]: diluir, rebaixar ou diminuir a consistência de uma massa. Por exemplo, a massa da macaxeira com o mastigado fica diminuída sua consistência; a pintura diluída com thinner, etc. Não significa dissolver. Tsakuripu ini chiritaka kaitsuma. Suavizamos com o mastigado a macaxeira (massa de macaxeira para caiçuma).
76 - Sufixo de lugar (-pan) [-pan]: indica um lugar onde abunda algo. Sufixa-se a nomes. Ra umi ikian itakipan. Ele observa esta pedreira. Rana purarura panarapankuara. Eles encontram no meio do bananal.
77 - Sujar (Kurereta) [curirita]: manchar; colocar algo sujo. Tsa kurereta na y+akɨ mitan y+umutsarikatari. Sujou tua cabeça brincando carnaval. Tuy+uka kui kurereta uni. O pó da terra suja a água.
78 - Sujo (Kurere) [curiri]: estar manchado; estar sujo. Fala-se de um objeto ou um lugar que tem manchas ou impurezas. Ta pɨeta kurere tuy+ukari uwatan. Meu pé está sujo por caminhar na terra.
79 - Terra (Tuy+uka) [Tuzuca] – Variante: (Tuyuka) [Tuiuca]: Tuy+uka ɨwama uni tɨpɨy+ukapu. A terra cai com a correnteza da água. Maniamaniaka chiran awanu emete kakɨrɨ tuy+ukari. A gente que vive na terra de toda classe é seu nome.
80 - Terra branca (tawa tini) [taúa tini]: Esta terra se usa para pintar as cerâmicas com cor branca.
81 - Terra branca (Tuy+uka tini) [tuzuca tini] – Variante: (Tuyuka tini) [Tuiuca tini]: Tuy+uka tinipu ini mutsanaka muritsu piruara. Com terra branca curamos nossa jarra de barro.
82 - Terra de cor (Tawa) [taúa]: Por extensão “cor”. O povo Kokama também designa com o nome comum de terra = tuy+uka [tuzuca] ou tuyuka [tuiuca]. Tawa emete Muritsu pɨtanita, tawa pɨtani y+ai tini. Existe terra de cor para pintar a vasilha de barro, terra vermelha e terra branca.
83 - Terra vermelha (tawa pɨtani) [taúa pütani]: Esta terra se usa para pintar as cerâmicas com a cor larajando.
84 - Timbó-açu (itimu) [itimu]: espécie de cipó (Thoracocarpus bissectus) que é muito apreciada para elaboração de cestas, etc. Nai pɨtsataka itimu tsaparuran. A vovó está preparando o timbó-açu para fazer paneiro.
85 - Tipití (Waruna) [úaruna]: tecido feito de fibra natural resistente. Serve para emprensar e desidratar a massa de mandioca ralada, com o que se prepara a farinha ou beijú. Tem um formato de uma cobra e pode medir aproximadamente de 1 a 2,5 metros. ɨmɨnan awanu y+auki waruna y+awiripuan pichitata. A gente de antes fazia tipití para emprensar macaxeira podre.
86 - Tronco de árvore (ɨwa) [üúa]: ɨwɨtu tsakari watsatsa ɨwa. O vento quebra o tronco de abiu.
87 - Tucupi (Tukupi) [tucupi]: liquido da mandioca. Ta kunia kunitaka tukupi irawan mautakuara. Minha irmã move o tucupi forte da jarra de barro.
88 - Vara para cavar (Murukata) [murucata]: serve para fazer buracos na terra e também para extrair coisas da terra. Murukatapu tsa mama uchimata yawiri tsapua. Minha mãe com vara tira a macaxeira.
89 - Varrer (Tipiri) [tiripi]: remover do solo o pó e o lixo com vassoura. Wawuru niaukipura, tipiripuri ukakuara, itika y+ukun ɨtipura. Por favor, varre a casa, joga esse lixo.
Exercício da Aula nº 45:
01 – Relate sobre a Agricultura no povo Kokama.
02 – Traduza: Arrozal, Bananal, Feijoal, Milharal, Sapotal, Pedreira, BURITIZAL.
03 – Desenhe e coloque os nomes embaixo do desenho em Kokama de: Machado, Enxada, Facão, Faca, Tipiti, Formão, Peneira, Paneiro, Enxadinha de polir madeira.
04 – De acordo com a aula, de onde era extraído a tinta laranjada e branca para pintar jarro de barro e envernizar? Relate.
05 – Descreva como é feito a farinha de mandioca.
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Kuarachi tsarɨwa uramarikana!
Feliz dia dos namorados!
Até a próxima! Iniaparari!
Ainan ta! Obrigado!!!
Prowetsuru Tsamia. Professor Samias.
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domingo, 6 de junho de 2021

Curso da Língua Kokama. Aula nº 44: Domingo, 06 de junho de 2021. Instrumento de caça do povo Kokama.

Aula nº 44: Domingo, 06 de junho de 2021.
Ipurakari ay+atata tapɨy+a Kukamɨe.
Instrumento de caça do povo Kokama.
A caça faz parte da vida diária do indígena Kokama. Foi necessário criar armas e usar venenos naturais para dar melhor resultados no abate. Nossos antigos procuravam atrair a benevolência dos seres sobrenaturais ancestrais e elementais da natureza com o objetivo de garantir o sucesso na caça. Utilizavam práticas mágicas como, por exemplo, mastigavam folha de coca, esfregavam o corpo com determinados vegetais ou bebiam infusões adequadas aos tipos de fauna que pretendiam caçar. Sabiam onde estava cada coisa na natureza e onde encontrar comida, sal e minerais.
A caça e a captura de animais fazem parte das atividades diária do povo Kokama. Desde cedo todos aprendem a caçar. O respeito pelo mãe natureza é muito grande, somos parte dela e quando queremos usar algo dela, pedimos licença dela, pedimos licença do Elemental dali que se quer tirar da natureza.
Arma (Ayatata) [aiatata]: também pode significar qualquer instrumento que se usa para alcançar algo, balear ou acertar com qualquer coisa. Por exemplo, objeto para balar, um pedaço de pau ou uma bola de terra que pode usar para derrubar, espantar ou até matar uma pessoa, fruta ou animal. Tsa memɨra y+apichika ayatata y+awarapura y+apanatatsen. Meu filho pega bala para fazer correr o cachorro. Ipira ayatata ajan uwa, y+ai iwatsu ayatata itatsapa. Para flechar peixe é esta flecha, também com o arpão se acerta o pirarucu.
Acampamento de caçador (Tey+upa) [tizupa]: refugio para Caçadores que se encontra de passagem por um lugar. Tsa memɨra y+apanui tey+uparupe. Meu filho correu até o acampamento de caçador.
Animal doméstico (Mɨma) [müma]: animal criado por alguém. “Mɨma” não significa “mascote”. Os Kokama usam “mɨma” para se referir a animais que servem para algo e que precisam de alguns cuidados. Por exemplo, um cachorro para caçar, uma galinha para comer ou vender, um macaco para companhia, etc. Este termo não se aplica para os filhos. Ajan atawari tsa mɨma. Essa galinha é minha cria (um animal que estou criando).
Arco (Kanuti) [canuti]: arma, instrumento utilizado para Caçar animais na floresta. Tsa mena tɨma ikua aya ipira kanutipu. Meu marido não sabe atirar com o arco.
Armadilha de espinhos e paus (Kɨrɨy+a) [quïrüza]: Tsa amui y+auki kɨrɨy+a ɨwɨra tsapukanpu, y+ai y+uwa tatantsui, ai y+anukata pekuara munatsurin awa pɨnurimira y+a akiutsupuka. Meu avô faz armadilha com paus pontiagudos, também faz armadilhas de espinhos duros e as coloca no caminho para que o ladrão as pise ao entrar.
Arpão (Itatsapa) [itisapa] - Variante: (Itatsapua) [itatisapua]: ponta de lança, arma de ferro com uma base para encaixar na vara. Utilizado para caçar animais na terra e para alancear animais aquáticos grandes como peixe-boi, jacaré, pirarucu, etc. Tapira tsa amui aya itatsapapu. Meu avô baleou a anta com arpão.
Balear (Aya) [aia]: significa também cravar; alcançar e ferir na floresta ou na água. Implica o deslocamento de um instrumento pontiagudo cortante como lança, flecha, dardo da sarabatana, bala, munição, facão, etc. Exemplo: alcancar com sarabatana um macaco. Tsa memɨra aya wepe tsuri ɨpatsukuara. Meu filho baleou um surubim no lago. Tsa amui aya inamu punipiarapu. Meu avô caça macucaua com a sarabatana.
Bastão de madeira dura (Tsɨkra) [sücra]: Pode ser bastão comum ou bastão afiado. Tsɨkra tsuntarupu. O soldado usa bastão.
Bastão de pau (Murukata) [murugata]: serve para fazer buracos na terra e também para extrair coisas da terra. Murukatapu tsa mama uchimata y+awiri tsapua. Minha mãe com a muraka tira a macaxeira.
Bater (Ay+uka) [azuca]: bater varias vezes em alguém ou algo sem especificar como ou com quê. Ra irua ayuka raui, rikua ra y+achuari. O seu irmão tem batido, por isso está chorando.
Bater (Inupa) [inupa]: bater algo ou alguém utilizando um instrumento, por exemplo, a mão, um pau, uma pedra, etc. Y+ute ini tsukuta uni arɨwa inupaka. A junta se lava batendo repetidas vezes na água. Tsaipuran inupapa rirua ra umanu katika. O bebado tem batido seu irmão até matá-lo.
Bater algo ou alguém (Inupa) [inupa]: bater utilizando um instrumento, por exemplo, a mão, um pau, uma pedra, etc. Y+ute ini tsukuta uni arɨwa inupaka. A juta se lava batendo repetidas vezes na água. Tsaipuran inupapa rirua ra umanu katika. O bêbado tem batido seu irmão até matá-lo.
Bater com punho (Mutikita) [mutikita]: Aitsekapa kumitsan awapura tsa mutikitui. A pessoa que estava falando mal-criadezas eu bati com o punho.
Brigar (Inupaka) [inupaga]: golpes, se baterem mutuamente. Forma derivada a partir de “inupa = golpear”, mais o recíproco “-ka”. Wainapuranu ay+ukakui inupaka. As mulheres brigaram. Churaminu y+umutsarika inupaka. Os meninos se batem mutuamente, brincando (por exemplo, no jogo de mata gente). Mukuika awa tsawitika inupaka. Dois homens se enfrentam a golpes.
Caçar (Ipurakari) [ipurcari]: Caçar animais tanto em terra como na água. Ta ikua ipurakari riai animarukana. Eu também sei caçar animais.
Cair para um lado (Inupaka): Por exemplo, um animal ao morrer. Kuan ayan punapu Mijiri, uwariui inupaka tuy+ukari. João baleou com arma o Miguel que caiu de pancada na terra.
Caranã (Mɨrɨti miri) [mïrüti miri]: é uma palmeira parecida ao buriti, tem vários troncos mais finos (Mauritiella armata). Seu fruto é de casca fina e doce. Utilizam seu tronco para fazer arcos. Mɨrɨti miri iy+a chapunin ai awanu puripeta chita ritamakuara. O fruto do caranã é saboroso e a gente busca para vender na cidade.
Carne de caça (Mitayu) [mitaiu] – variante: (Mitay+u) [mitazu]: caça, carne que se obtêm da Caça e da pesca. Ikian niapitsara ipurakarinkana y+atɨrɨta mitayutsuri aya punipiarapu. Os homens caçadores capturavam sua caça baleando com a sarabatana.
Cravar (Takɨta) [taküta]: introduzir uma coisa a força, prender, fincar. Por exemplo, cravar na madeira, barrotes ou estacas na terra. Upi mari ini takɨta takɨtatapu. Toda coisa se finca com martelo.
Dar um soco (tutuka) [tutuca]: bater, por exemplo, com um soco. Y+ukun ɨkɨratsen tutuka y+a irua y+atukupeari. Esse menino deu um soco a seu irmão nas costas.
Dar; Entregar (Y+umi) [zumi]: Y+umi na puna ta ayatsen inamu. Dai-me a espingarda para caçar macucaua. Aɨmantatsu ra y+umi mukuika ipira ra ey+umira. A onça pintada dão dois peixes para comer.
Dardo da sarabatana (Punipiara y+uwa) [punibiara zuúa]: material feito de espinho ou partes de alguma árvore resistente. Esta ponta se envolve com algodão que contêm o veneno para ferir a nossa vitima. Punipiara y+uwa ɨmɨnan awanu y+auki mɨrɨtɨ tsa ɨwatsui. As pessoas de antes preparavam o veneno da sarabatana dos ossos da folha de buriti. Punipiara y+uwa tsai chiru takuara y+atsɨka puwatsapu tɨkɨtan y+atukupeari y+anukatamira. O veneno da sarabatana se guarda em um recipiente de macaúba amarrado com cipó e colocado nas costas.
Destruir (Aputaka) [aputaga]: danificar, causar dano, deformar algo, contaminar, aniquilar. É o tipo de dano que pode fazer qualquer Kokama. Em troca, o dano ocasionado por um xamã é referido como “Aitseta = Enfeitiçar”. Tsa aputaka unikuara timupu. Eu danifico/contamino a água com timbó (veneno que se usava para pescar). Kuchi aputaka ta ku. O porco danifica minha roça.
Disparar (Upuka) [upuca]: Awa ɨwɨrati utsun puna upuka animaru ayatara. A gente que vai a floresta dispara sua arma para matar um animal.
Entrar em um lugar (Aki) [áqui]: Temente tsumi awa ikua tsakiui na kukuara. Porque não vi ninguém, entrei na tua roça. Ikian chinta tɨmatsapuka wapuru akitsuri tipishkakuara. A lancha entrou ao lago quando o cano estava em silêncio.
Escudo cortante do Chefe (Tsawititari) [tisaúititari] – Variante: (Tsakamɨka-kɨchɨ-tsakari) [sacamüra küti sacari]: Símbolo máximo do povo Kokama. Dispõe de uma armação de madeira dura (âmago) em forma de cruz de 1 metro a 1 metro e meio, bem fixa, dispostas de 3 laminas prendidas nas pontas (de três tamanhos diferentes) e um uma ponta amolada e afiada nas 4 pontas da madeira, onde se leva nos braços e pode ser lançado em direção a uma determinada caça. Apu Tsakamɨka-kɨchɨ-tsakaripu. O chefe usa o escudo cortante do chefe.
Espingarda (Puna) [puna]: designa a arma, também é chamado de “ayatata”. Puna tsai upuka animaru umanutatara. O cartucho da espingarda explode e mata o animal. Ajan puna na y+umi tsa chikaritsen inamu. Me dar essa arma para buscar macucaua.
Faca (Kɨchikɨra) [cüthicüra]: Kɨchikɨra ɨpɨkapa tsa puwa ipira pichitapuka. A faca corta minha mão quando tico o peixe.
Facão de açougueiro (Rapatse) [rapatisi]: Y+umi rapatse y+anamata tsa kupetara. Dar-me o facão de açougueiro para plantar a erva.
Facão; Terçado (Kɨchi) [cüthi] - Variante: (kɨchɨ) [cüthü]: arma cortante. Tsakɨta ipia kɨchɨpu. Corta lenha com o facão. ɨwɨratatan tsakɨtapuka, kɨchi tsakarika. Quando corta madeira dura, se quebra o facão.
Fazer malha ou cerca rala (Pɨtsataka) [pütisataga]: armadilha, por exemplo, para agarrar pirarucu. Também se aplica a fazer tecido de guarda-sol e abano. Iwatsu y+apichikatata awanu tɨkɨtaka pɨtsatakanan. A gente faz malha de buraco grande para agarrar pirarurucu. Tsementutsui ɨwatata inu tɨkɨta pɨtsataka aramepu. As colunas de cimento se amarram com arame como malhas ralas. Pɨtsataka tsa y+auki atawari uka y+uta. Cruzando como malha faço a cerca do galinheiro.
Ferro (Y+uema) [zuima]: Y+uematsui y+aukin wapurunu y+ai kɨchinu. Essas lanchas e facões são feitos de ferro. Eretsen tupa ukitapa awanu y+uema y+apichikari y+apuka. O relâmpago queima forte a gente quando estamos segurando no ferro.
Flecha (Uwa) [uúa]: Uwa ipira ayatata. A flecha é para balear peixe.
Frasco de veneno (Y+uwachiru) [zuúatiru] - Variante: (y+uachiru) [zuatiru]: recipiente feito de madeira onde se guarda o veneno da sarabatana. Y+uwachiru, takuara y+atsɨka, punepiara y+uwa erata chiru. Frasco de veneno, pedaço de palmeira macaúba, onde se guarda os dardos envenenados.
Furar, bicar, picar, perfurar (Y+atɨka) [zatüca]: ferir com um elemento pontiagudo-cortante como uma agulha, flecha, sarabatana e inclusive uma espingarda. Não implica com o andamento do instrumento porque o objetivo geralmente se encontra perto. Também se aplica a ação de picar dos insetos que tem lancetas como o carapanã, a formiga e etc. Peixes bagres também picam com seus esporões. Tukanɨra y+atɨka tsa pɨetaui. A tucandeira pica meu pé. Y+atiu y+atɨkatsui. O carapanã me picou. Y+atɨka ɨwɨrapu y+ukun kupea kakuara y+a petsekakatsen. Fura com o pau o buraco de cupim para partir-lo.
Garça (Umari) [umari]: nome genérico para esta espécie. As garças por ser de corpo grande são caçadas para alimento. Umaripuranu kakɨrɨ ɨpatsu tsɨmara ipira chikariari ra ey+umira. As garças vivem nas margens dos lagos buscando peixe para sua comida.
Huaca-huaca (Waka) [úaca]: planta venenosa (Clibadium asperum). O povo Kokama extraia o sumo de folha para fazer veneno. Este veneno se usava para pescar. Se preparava machucando a folha de huaca-huaca com um pilão de madeira. Este machucado de folha se diluía na água e logo se regava na água aonde se vai pescar. Também se colocava nos limites de uma roça para curar e espantar cobra (jibóia, anaconda, sucuri), evitando assim que entre para comer os animais domésticos. Antes se cultivava esta planta, porem agora, já quase tem desaparecido. ɨmɨnaminu tiniari ipira ukuatsuri wakapu. Os antigos pescavam peixes com huaca-huaca.
Introduzir um objeto (Y+utsuka) [zutisuca]: meter um objeto em algum lugar ou orifício. Por exemplo, meter o tacape na terra para fazer buracos (para plantar mandioca). Ini y+atɨma y+awiri ɨwa y+utsuka tuy+ukakuara. Plantamos o talo de mandioca metendo na terra. Iruti tsemuta y+a memɨra y+utsuka y+a tsaikuara. O pombo dar de comer a seu filhote metendo (a comida) em seu bico.
Ir; Vai (Utsu) [utisu]: ɨpɨtsa tsa iriwa utsu. Eu vou voltar à noite. Tsa papa utsu awiunkuara. Meu pai vai de avião. Ipurakarinu utsu ɨwɨrati. Os caçadores vão a floresta.
Jaula (Y+utsana) [zutisana]: significa também armadilha de pau grosso; armadilha utilizada na floresta para caçar a diferentes aves como: mutum, saracura, socó, etc. Esta armadilha pode ser elaborada de diferentes materiais como: paus, malhas e cipós. Tsa memɨra y+apichika iruti y+utsanapu y+atsen. Meu filho pega pomba tapando com jaula.
Lança (ɨwɨratsu) [ïúüratisu]: pau de lança, feito de âmago comprido que em sua ponta apresenta um arpão. Arma utilizada para caçar animais na água e na floresta. ɨwɨratsu ɨati itatsapa y+apu niapitsaranu aya iwatsu. A lança tem sua ponta arpão com isso os homens baleiam pirarucu. ɨwɨratsu ɨmɨnan wijunu ikua y+aukitsuri ɨwɨtira ipukuntsui, tsanata mukuika iwa tsɨikakanpu. Os velhos de antes só faziam lanças de âmagos compridos, mediam duas braçadas esticadas.
Lança (ɨwɨratsu) [ïúüratisu]: pau de lança, feito de âmago comprido que em sua ponta apresenta um arpão. Arma utilizada para Caçar animais no rio ou na floresta. ɨwɨratsu ɨati itatsapa y+apu niapitsaranu aya iwatsu. A lança tem em sua ponta o arpão, com isso os homens acertam o pirarucu. ɨwɨratsu ɨmɨnan wijunu ikua y+aukitsuri ɨwɨtira ipukuntsui, tsanata mukuika iwa tsɨikakanpu. Os velhos de antes saiam para fazer lanças de âmago comprido, mediam duas braçadas esticadas. Kumatsɨwa ɨwɨtira tatan y+atsui niapitsaranu y+auki ɨwɨratsu ipuchin. Os homens fazem lanças pesadas do tronco duro da paracanaúba.
Lançador de lança (Tiapɨwɨratsu) [tiapüúüratisu]: Arma base de madeira usada pelo guerreiro arpoeiro para disparar a Lança para atingir longas distancias. Ay+ukaka Uaranu itatsapatsurin tiapɨwɨratsupu. O guerreiro arpoeiro usa lançador de Lança.
Lançar (Tiapi) [tiapi]: lançar algo; pode ser também lançar água ou outro líquido, jogar, disparar, se recolhe a água com algum depósito e daí joga. Aplica-se também para jogar água suja, tirar a água que está dentro da canoa ou jogar o veneno de timbó da minha canoa ao rio. Tiapi uni ɨarakuaratsui. Joga a água que tem dentro da canoa. Timu tɨa pichitakan ɨarakuara tiniaritara aipu ini tiapi tɨmatsukuara ipira emete tupaka. O timbó moído dentro da canoa para pescar, com isso se joga ao cano donde tem peixes.
Machado (Yɨ) [iü] – variante (Y+ɨ) [zï]: ferramenta cortante. Penu ɨpɨru Kutse yɨ ipia y+aukitara. Nós emprestamos o machado de José para fazer lenha.
Marajá (y+uwa tsuni) [zuúa tisuni]: palmeira de vários talos espinhosos cujo tronco e espinhos são de cor escura (Bactris concinna). Os frutos desta palmeira são pequenas, redondo e de cor marrom. O tronco deste tipo de palmeira se usa para construir armações de casas ou fabricar varas para a caça. Y+uwa tsuni chita tɨmatsa tsɨmara. O marajá dar em abundancia na margem da quebrada. Y+uwa tsuni iy+a y+achuka itsa mɨtɨta y+a erutsu ey+umira. O mico leva arrancando o fruto em cacho do marajá para comer.
Martelo (Takɨtata) [tacütata]: ferramenta com uma cabeça de ferro e um cabo de madeira. Temente tsa takɨtata. Eu não tenho martelo.
Meter algo (Akita) [aquita]: significa também introduzir; por exemplo, coisas na casa ou em algum lugar. Amana uri, akita y+ukun chirunu. Vem a chuva, mete essa roupa.
Mutum (Mɨtu) [mütu]: Sua plumagem é cinza escuro com manchas brancas no abdômen (Crax globulosa). Ave de carne muito agradável, por isso é apreciada pelos Caçadores (carne de caça). Tɨma uy+ari mɨtu emete tsa ritamarupe, upa y+a ukaimapa. Já não tem mutum por minha aldeia, já está desaparecido.
Paxiubinha-de-macaco (Patiwarana) [patiúarana]: tipo de palmeira parecido a paxiúba. É uma palmeira de tamanho médio, com vários talos, suportado por um cone aberto de raízes bases de 20 a 50 centímetros de altura (Wettinia augusta). Antigamente, era utilizado para fabricação de flechas e lanças. Também, se utiliza como combustível para defumar peixes e carnes. Patiwarana ai tɨma ria patiwa, mirinan y+a ɨwa tɨma ipukun ai. Paxiubinha-de-macaco não é legítima paxiúba, fino é seu tronco e não é alto.
Pimenta forte (Makutsari) [macutisari]: Espécie de pimenta muito ardosa que não se utiliza em comida, se planta para medicina e para veneno de sarabatana. Com esta pimenta pode curar um pajé/sábio/taita ou até matá-lo. Makutsari ukuatseme tain, y+ikua ɨmɨnuaminu y+auki punipiara tsai mutsanara y+ukuatsuri. Esta pimenta é extremamente ardosa, por isso os antigos utilizavam para veneno de sarabatana.
Preparar-se (Y+umutsani) [zumutisani] - Variante: (Y+umatsani) [zumatisani]: também significa arrumar-se; enfeitar-se; alistar-se; organizar-se. Tsa papa y+umutsani ipurakaritara utsun. Meu pai se prepara e sai a caçar. Etse y+umutsani tsa utsuntsen westaka. Eu me arrumo para ir a festa.
Quebrar (Ay+uka) [azuca]: bater alguma coisa de dimensão redonda como as tigelas de barro, os ovos. Este termo não se aplica para as coisas grandes como os paus. Tsa muritsu ay+ukaui y+a ɨtsɨmakaikua puwatsui. Minha tigela de barro se quebrou porque se escorregou de minha mão.
Sarabatana (Punepiara) [punipiara] - Variante: (punipiara) [punibiara]: ferramenta ou arma de caça que se utiliza em animais terrestres e aves. É um instrumento em forma de canudo em que se introduz o veneno ou dardo venenoso (punepiara y+uwa) para fazer sair impetuosamente, soprando com força por um de seus extremos. Existem três variedade de sarabatanas: sarabatana pequena (Punepiara kɨra), sarabatana média e sarabatana comprida (Punepiara watsu). Punipiara puna ɨwɨtupu awanu ayatata. A gente usava a sarabatana para disparar com ar.
Saracura (Tsarakura) [saracura]: ave de tamanho médio (Aramides cajanea), seu corpo é de cor cinza, peito é pardo, e suas patas são vermelhar. Anda em pare e se alimenta de sementes. Esta ave trás prejuízo a roça, pois gosta de comer os grãos que se semeia. Ele gosta de atacar as sementes de milho e arroz, por isso os Kokama caçam com armadilhas. Tsarakura ey+upa awati kukuara y+atɨman. A saracura come o milho que tem sido semeado na roça.
Soco (Mutiki) [mutiqui]: golpe com o punho. Niapitsara mutiki tsachi, iy+an waina mutiki tɨma tsachi. O soco de um homem dói, porém o de uma mulher não dói.
Tacana (ɨwɨwa) [üúüa]: tipo de herbácea de folhas alargadas em forma de penas (Gynerium sagittatum), crescem nas margens dos rios. Antigamente as varas da tacana eram utilizadas para haste de flecha, para ele eram assadas em fogo e depois se guardavam em rolos em cima da fumaça do fogão de lenha. ɨwɨwa katupe ɨpuakuara y+ai tsey+uni chita. A tacana aparece e aumenta nas ilhas. ɨwɨwa tsetsa awanu tseta inu uwa ɨwara. A gente utiliza a flor da tacana para haste de flecha.
Tacape (Takari) [tacari]: pau pesado de madeira, que dependendo do pau que se utiliza pode ser fino ou grosso. Serve para fazer buracos na terra e plantar sementes. Tsai erutsu takari kukuara tsa y+atɨmatsen awati y+atɨka. Eu levo tacape para semear milho furando.
Timbó (Timu) [timu]: árvore que tem veneno (Lonchocarpus utilis). Tem um látex de cor branco extraído da raíz. Antigamente, os Kokama utilizavam o veneno de timbó para pescar. Este veneno se prepara machucando as raízes da árvore. Logo, se molha o machucado até que a água tome uma cor branca. O contato com esse preparado, ou com o cheiro que emite, produz adormecimento do corpo. Por esta razão o povo Kokama não alimentavam os seus doentes com peixe pescado com timbó. Ikian awakana y+apichika ipirakana ukuatsuri timupu. Esta gente pescava peixes com timbó.
Tirar ponta; colocar ponta (Tsapuaka) [sapuaca] - Variante: (Tsapaka) [sapaca]: Tsapuaka ikian y+uema na itatsapara. Tira a ponta deste ferro para teu arpão.
Veneno (Kawiri) [caúiri]: substancia nociva de algumas plantas que é utiliza para flechas. Y+awiri iy+un emete y+a kawiri ai timitapa iy+a. A mandioca amarela tem seu veneno que nos deixa tontos.
Veneno (Tsurima) [surima]: substancia nociva para a saúde. Y+uwa tsurimapanpu ini umanuta miara. Com dardos envenenados matamos macaco. Takuara y+atsɨka ini y+auki tsurima y+anukachirura. Fazemos recipiente de pedaço de palmeira para colocar o veneno.
Exercício da Aula nº 44:
01 – Relate sobre a caça no povo Kokama.
02 – Quais as plantas fazem veneno para pescar?
03 – Quais instrumentos se usam veneno na ponta para caçar?
04 – Qual é o símbolo máximo do povo Kokama? Explique e desenhe.
05 – Quais os tipos de sarabatana? Desenhe.
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Até a próxima! Iniaparari!
Ainan ta! Obrigado!!!
Prowetsuru Tsamia. Professor Samias.
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TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AOS FALANTES MATERNOS DE TABATINGA-AM E AO PATRIARCA CACIQUE GERAL KOKAMA.
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sexta-feira, 4 de junho de 2021

Curso da Língua Kokama. Aula nº 43: Sábado, 05 de junho de 2021. A música tradicional Kokama.

Aula nº 43: Sábado, 05 de junho de 2021.
Ikara ɨmɨnapan Kukamɨe.
A música tradicional Kokama.
A música Kokama surgiu das conversas com o Criador (Tiutsu Muki Y+ara), que disse que para se comunicar com Ele era necessário assobiar (y+urutsapu), cantarolar resmungando suave (gemendo), cantar (orar) suave, baixo, calmo e ligado com um chocalho de palha (Shakapa) ou flauta (Tiama) para poder seus cânticos de oração pudesse chegar até Ele e ser atendidos seus pedidos. Daí dos primórdios tempos Kokama o cântico oração faz parte da vida Kokama. Quando os pedidos eram atendidos eles reunião para agradecer através de danças (Ratsantikana).
Ancestrais (ɨmɨnuan) [ümünuam]: termo usado por homens e mulheres. ɨmɨnuan y+apurachitsuri titirapa. Os ancestrais dançavam a sós.
Andar (Ukua) [ucua]: transladar de um lugar a outro. É a pessoa que anda de um lugar a outro sem ficar em um lugar fixo. Pode significar andarilho ou nômade. Mitan tua ukua ɨwɨratɨkuara tutu inupawa y+apurachiwa. A mãe-do-carnaval anda pela floresta tocando o bombo e dançando.
Assobiar (Tsapu) [tisapu]: também significa soprar. ɨwɨtu tsapun kuatiaran uwe mesatsui y+ai eretsen ɨwɨtu itika tsa chiru ikanarin ɨwɨrari. O vento soprou o papel e caiu da mesa, também o vento forte fez voar minha roupa que estava secando no varal.
Consertar; Curar algo estragado (Mutsanaka): Y+ukuchi upukan ini mutsanaka paun kaipu. Curamos (consertamos) a panela esburacada com resina de fruta pão. ɨara chautakan ini mutsanaka iratunapu. Consertamos a canoa destroçada com breu.
Curar (Erata) [irata]: significa também “ajudar alguém a melhorar sua saúde”, ajudar a melhorar ou curar. Tsa memɨra kunia aikuapan tsa erata mutsanaka. Minha filha que esta doente curando-a se sara (melhora). Tsumi erata ta mirikua aikuan ra mutsanakapu. O Sábio curou a minha mulher doente com sua medicina.
Curar um doente (Mutsanaka) [mutisanaca]: o povo Kokama cura as pessoas através de “icaros” como estratégias preventivas, para protegê-las de possíveis males ou para que os seres espirituais os dêem alguns poderes. ɨmɨnan amuinu ikua mutsanaka churaminu ukuatsuri inu ikua ipurakaritsen, iy+an wainakɨranu inu ikua y+aukitsen upi mari ukakuara. Os avôs de antes sabiam curar as crianças para que sejam bons pescadores e as meninas para que façam tudo em casa.
Dança tradicional (Ratsanti) [ratisanti]: inclui uns passos e uma coreografia em particular. Esta dança se realiza nas celebrações religiosas como o Natal, a dia da Santíssima, dia de Santa Rosa e etc. Se dança em filas frente ao altar. Tsa y+aparachi ratsantipu. Estou bailando dançando. Tsa nai amɨra ratsantitsuri Niniu artaru chitsaka. Minha avó finada dançava diante do altar do Menino.
Dançante (Ratsantiwara) [ratisandiwara]: significa também bailarino. Ratsantiwara y+apurachi tutumisha y+atinpu. O dançante dança tocando o tambor e a flauta.
Dançar (Ratsanti) [ratisanti]: Etse ratsantiari. Estou dançando.
Dançar qualquer outra dança (Y+apurachi) [zapurati] -Variante: (Y+aparachi) [zaparati]: dançar qualquer tipo de música, não necessariamente tradicional. ɨmɨna y+aparachinpura y+awatikana. Antigamente os jabutis dançavam. ɨmɨnuan wainakana y+apurachitsuri titirapa. As mulheres de antes dançavam sozinhas. ɨmɨnan y+aparachipura aipukatu ukaimapa. Os bailes antigos se tem perdido nestes tempos.
Dar voltas (Y+atatamanika) [zatatamaniga]: girar sobre si mesmo; rodear; dar voltas ao redor de algo. Por exemplo, dançando ao redor do pau de açaí de carnaval. Y+ukun awa y+apurachi y+atatamanika unisha tsa pɨetari. Essa gente dança dando voltas ao pé de açaí de carnaval. Churankɨra y+umatsarika y+atatamanika raepe rɨway+upan uwari. Esse menino joga girando, dando a volta e cai com tontura.
Fazer curar (Y+upita) [zupita]: mandar(se) curar de maneira tradicional através de um Sábio ou Pajé. Estas curas, é realizada por um Médico tradicional a través de icaros, sopros, fumadas, chupadas da doença, etc. Curar num hospital ou curar paciente na casa não é “y+upita”. Awa inu aitsetan y+upita wepe tsumika y+a eratsen. Uma pessoa a quem tenham feito dano (feitiçaria), se manda curar por um sábio para que se cure. Tsa memɨra kunia inu aitsetapan tsa erutsu tsumika y+upitatara. A minha filha, a que fizeram dano (feitiçaria), levamos ela para um sábio para poder curá-la.
Movimentos sensuais (Tsemuni) [tisimuni]: ação de movimentos do quadril e outras partes do corpo. Por exemplo, a dança de alguns pássaros que ao buscar seu par se movem e dançam. Ikun kuarachi awanu y+apurachi tsemunika. Hoje em dia a gente dança fazendo movimentos sexuais.
Oração (Maria) [maria]: também significa “Reza”. Ai tɨma tsa y+akuarara maria. Já não me lembro de nenhuma oração. Ta wanakari y+ukan wainiu ra ikuatsen maria. Mandei essa mulher aprender a oração.
Orar (Mariata) [mariata]: também pode ser “rezar por alguém”. Ikun ɨpɨtsa penu mariata aikuan utsu. Esta noite vamos orar pelo doente.
Pau de açaí para dançar carnaval (Unisha) [Unicha]: pau de açaí enfeitado que se dança ao redor no dia de carnaval. Na véspera do dia do carnaval os Kokama vão ao mato para trazer uma árvore açaí. As folhas do açaí são tecidas e colocadas em formas de arcos, logo é decorado com frutas, carnes, telas, etc. Logo, se finca a árvore e se dança até o dia seguinte. No dia de carnaval, se derruba a árvore. Y+uitsaratsui ini y+auki ipamata “unisha” era warimatan. Do açaí fazemos a “unisha” bem enfeitada.
Pular dançando (Upupurika) [upupuriga] - Variante: upurika [upurica]: saltar, brincar no mesmo lugar reiterativamente. Pode se referir também a uma forma de dançar. Kirimata ipirakua y+ay+akati parana tsɨmara upupurikawa. A piracema de curimatã atravessa pela margem do rio saltando. ɨmɨnua, ratsanti upupurika. Antes, dançavam saltando.
Pulseira (Iwarin) [iúarim]: significa também bracelete, adorno do braço que colocam as mulheres e os homens nas danças. Tsa nai chirata iwarin puwa tsapɨta warimata. Minha avó chama pulseira ao adorno do braço. Waina warimata iwarin y+a puwa tsapɨtari y+anukatan. A mulher coloca a pulseira no punho.
Rezar (Mariay+ara) [mariazara]: termo usado por Kokama católicos. Tsa pai ikua mariay+ara. Meu tio sabe rezar. Inu mariay+ara tsantu chitsaka. Eles rezam diante do santo.
Sofrer (Tsapiru) [sapiru]: significa também chorar gemendo, com lamentos, sentimento de desolação. O povo Kokama tem um choro característico. Por exemplo: chorar quando alguém morre. Tsa mamakɨra tsapiru y+a mama umanun y+akuarara. Minha tia chora gemendo ao lembrar-se de sua mãe falecida.
A música Kokama esta intrusivamente ligado a cura. Mas atualmente falar em música Kokama, tenho que falar também de instrumentos musicais tradicionais e as danças tradicionais que são muitas (este último tema para uma aula futura).
A dança nasceu primeiro, antes dos instrumentos musicais, quando o Kokama descobriu que batendo uma coisa em outro produzia sons e que isso não era simplesmente, um tanto de barulhos e levava às maiores estímulos nas danças.
Também observavam os animais que dançava e os pássaros que cantavam lindas melodias, então pediram para ao Criador como fazer lindas melodias para agradecer-Lo, então enviou um tipo de flauta que levava seus agradecimentos aos céus.
Quando velavam um Kokama, enquanto a família chorava, a comunidade fazia uma dança fúnebre para que durante a travessia fosse bem recebido pelos ancestrais. Choravam, sorriam e dançavam. Depois de enterrado como símbolo de agradecimento honroso colocavam as melhores frutas ou um prato de comida em cima da tumba. Jogavam perfumes no caixão durante o enterro e nos final todos se abraçavam e se despediam.
A música Kokama tem funções importantes como para louvar, pedir, celebrar e agradecer ao Criador. A música tradicional Kokama tem o objetivo curar alguém. Também de exaltar autoridades, guerras, sucessos na caça ou pesca, missões, plantações, mutirões, lutar, homenagear uma planta ou um oficio da comunidade, bem como lembrar ou celebrar uma vitoria, derrota, nascimento ou morte.
O povo Kokama celebrava tudo, tanto a vitoria quanto a derrota, tanto o nascimento, a vida ou falecimento de alguém. Dalí nasce os contos. E dos contos nascem muitas musicas.
Conto (ɨmɨntsara) [ümüntisara]: relato tradicional ou antigo. Aplica-se geralmente a relatos tradicionais, histórias antigas. Ra ɨmɨntsara eran. Seu conto é lindo. Ta nai ɨmɨntsara ta erukua aipukatuka. O conto de minha avó demorou até agora.
Desde os tempos primórdios de nosso Povo Kokama, temos as notas musicais que foram entregues pelos anjos a nós Kokama para fazer lindas musicas de agradecimento ao tudo ao Criador: LÁ - DÓ – RÉ – MI – FÁ – SOL – SI, que se assemelham as notas usadas pelos não kokama. Mas não foram os brancos que trouxeram as notas musicais para nós. Quando esses brancos invadiram nossa grande casa nós já tocávamos flautas e cantávamos. Tocamos de forma natural e não como tocam os brancos.
Cantar (ikara) [icara]: ação dos sábios, taitas ou pajés quando realizam cantos curativos tradicionais. Atualmente a palavra “ikara” signfica musica, cântico e canção. Tsumi ikara mutsanakapuka. O sábio canta quando vai curar.
Ação de fazer soar um objeto (Ipuari) [ipuari]: significa também “está soando algo”. Ipuari y+urutsapu. A sirena soa. Ta tsenu wapuru pitu ipuarin. Eu escuto o apito da lancha que está soando.
Assobiar (Wiy+uta) [uizuta] - Variante: (wiuta) [uiuta]: chamar, produzir o som “wiii”. Baseado na onomatopéia para o assobio da jibóia “wiii”. Unikuaratsui wiii na ra wiy+utaura ikiara ra taɨratu tsapukiarin. A jibóia assobia desde a água chamando a sua cria. Y+ukan niapitsara wiy+utapa ta mirikua rikua ta y+umɨra ra tsu. Esse homem assobiou a minha mulher, por isso me chateei com ele.
Assobiar (Y+urutsapu) [zurutisapu]: produzir assobios. Também pode ser suspiros, apitos e sons de sirenes. Composição de “y+uru = boca” e “tsapu = soprar”, que significa “Soprar com a boca”. Y+urutsapu, ikaran awa, ai y+umita amua awa quina tsapuari. A pessoa que canta assobiando (soprando), ele ensina a entoar quena a outra pessoa.
Enfeitar (Warimata) [uarimata]: consertar, decorar colocando objetos. O povo Kokama se enfeitam com tiaras (todos os Kokama), cocares (somente os líderes), colares, brincos (somente as mulheres), pulseiras e roupas tradicionais para dançar. Cada kokama sem cargo usa um cocar sem pena, com pena de arara somente os Caciques, com pena de garça somente os músicos e com pena de gavião somente os pajés. Mainu warimata memɨra kunianu namichirupu. Os mestiços enfeitam com brincos a suas filhas. Wɨra tsa pɨtaninkɨranu tsa y+akɨ warimata. Enfeito minha cabeça com penas vermelhas.
Soar (Ipu) [ipu]: zombar; produzir um som. Tutu ipui amutse. O bombo soou longe. Rana tsapu maniamaniakan ipunkana urutsapu. Eles tocam toda classe de sons com a flauta pan (flauta de 11 canos).
Soar (kutsuta) [cutisuta]: significa também barulho; fazer ou causar ruído, por exemplo, sons de folhas secas no mato, pisadas ao caminhar. Também os sons de líquidos como a caiçuma. Kutsuta ɨwɨratikuara ikanan iputaka ini uwatapuka y+ai animaru pɨta ipu uwata. Soa dentro do mato seco quando caminha, também soa as pisadas de animal. Tsa kaitsuma kutsuta, irawarin. Minha caiçuma soa quando está fermentado.
Som do bombo (Tintin) [tindin]: Tsupaikana uwata ɨwɨratikuara ra tutu y+atiwa tintin, tintin, tintin ra iputaka. Os demônios andam no mato tocando seu bombo soando tintin, tintin, tintin.
Som; Tocar instrumento; Soprar para fazer Som; Soar (Tsapu) [tisapu]: Ai ikian tiy+ama y+aran tsapu ra utsu epe y+aparachitsen. Este vai soprar sua flauta de dois furos para que dancem.
Tocar batendo (Y+ati) [zati]: toque, por exemplo, do bombo. Uri y+ati tuntu rana y+aparachitara. Ele toca este tambor para que eles dancem.
O músico também usa cocar (coroa). Para diferenciar dos poderes tradicionais Kokama o cocar dos músicos são de pena de garça. Só pode usar cocar com pena branca de garças os que participam da banda musical tradicional, fica proibido aos demais Kokama usar a pena de garça. Todos podem cantar e dançar, mas existem os que são os membros da banda tradicional, por isso temos essa divisão de organização. O pajé não é cantor de musica para dançar, somente de musica para curar, então seu cocar é de águia ou gavião ou falcão para diferenciar.
Para saber o que é música (Ikara), é preciso primeiro ter conhecimento do que é som (kutsuta), e, som, nada mais é do que a vibração produzida nos corpos elásticos e essas vibrações podem ser:
- Sons regulares: aquelas que possuem altura definida, ou seja, quando conseguimos ouvir que ali foi produzida uma nota musical, como “dó, ré, mi, fá, sol, lá, si,” bem como suas variações com sustenidos e bemóis;
- Sons irregulares: as vibrações irregulares são todos aqueles barulhos que ouvimos no dia-a-dia, que podem ditar o ritmo para uma música, como a batida de um instrumento de percussão (tutu, que produzem sons regulares) ou barulhos do dia-a-dia, que compõem a paisagem sonora, como som de cortar uma árvore, o som de nadar, o som de cair algo, o som da de algo fervendo e outros inúmeros sons, na qual não podemos distinguir a altura (onomatopéia – tema de aula futura).
Agudo (Miri) [miri]: Waina kumitsa miri. A mulher fala fino (tem a voz más aguda que a do homem).
Quanto mais agudo e mais baixo o timbre de voz, mas poder tem o individuo Kokama.
O que é musica?
A música é combinação de sons simultânea e sucessivamente, em ordem, em equilíbrio e dentro de um tempo determinado. A música deve ter harmonia (sons tocados ao mesmo tempo), melodia (sons que são tocados um após o outro) e ritmo (o andamento, velocidade da música).
A música pode ser usada em ritual tradicional de cura como a Ayahuasca onde só de ser combinado ao cântico suave e tom baixo do que preside o ritual e tocado suavemente um chocalho de palha e pode ser usado também um tipo de flauta durante um ritual, mas deve ser tocado baixinho.
Num som mais alto em danças celebrativas de agradecimentos ou de acontecimentos onde se dança combinados em grupos ou em duplas.
Existem também os cânticos de homenagens onde não se dança.
A música e a dança na escola indígena:
Na Escola Indígena temos a missão de formar bons ouvintes, que tenham noções daquilo que forma a música (harmonia, melodia e ritmo), bem como as suas propriedades que são:
- Altura: através dela podemos identificar se um som é grave (grosso) ou agudo (fino);
- Intensidade: através dela podemos perceber a força com que o som foi produzido, ou seja, o volume do som, que muitos chamam erroneamente de altura;
- Timbre: através dele podemos identificar os instrumentos que compõem a música;
- Duração: através dela podemos ter uma noção do tempo utilizado na música, podendo identificar compassos ou andamentos.
Na cultura Kokama a música sempre esteve muito ligada à oração para falar com o Criador, antes enquanto era executada, eram recitadas a orações de cura. Com o passar dos tempos elas passaram a se unir com escritos que falavam do dia-a-dia ou um fato para ser lembrado, ou um líder a ser homenageado na letra da musica, se tornando uma poesia. Então a musica para dançar na Comunidade se torna música combinada com os instrumentos musicais tradicionais, a parte instrumental/vocal e a poesia, a letra da música em si numa só sintonia. E todos dançam.
Na escola indígena atual podemos trabalhar o ensino da música, que ajuda a criança na coordenação do ritmo do corpo, como o andar, caminhar, correr, saltitar, balançar, podendo sincronizar-se com o som dos banzeiros; sons dos ventos, sons da chuva, sons dos galopes de cavalos e outros ritmos da natureza que pode-se explorar e criar novos ritmos e novas coreografias, desde que respeitando a tradição milenar.
Na escola indígena podemos trabalhar com a música, que envolve a voz, que por sua vez cuida da respiração. Ao se produzir sons com objetos, inventando uma linguagem própria, dirigindo a educação indígena no rumo da experiência e da descoberta.
Ouvir (tsenu) [tisinu]: também significa escutar. Ikian wɨrakɨrakana ikatu ra tsenu kanatari utsupuka. Escucha estes passarinhos cantam quando vai amanhecer.
Para se ter uma boa noção de tudo isso é importante que o estudante Kokama seja treinado auditivamente, pois, treinando o seu ouvido, conseguirá identificar as propriedades do som. Temos que levar os alunos Kokama não apenas a ouvir a música, mas sim, identificará os elementos que a compõem. Deve-se explorar a criatividade.
Como o aluno Kokama vai aprender tudo isso?
Assim, como em tudo na vida, para se aprender música e necessário muito treino, seja para entendê-la ou para se tocar ou cantar bem. Para que a pessoa aprenda música, existem várias formas e métodos, um deles, que é muito utilizado na educação básica, é o método da utilização de jogos e brincadeiras, que funciona muito bem, principalmente com as crianças.
Na escola indígena Kokama podemos utilizar cantigas de roda, criar com elas escritas musicais alternativas, etc., traduzir em Kokama e em português, fazendo com que elas tenham uma noção rítmica, harmônica e melódica do que estão realizando.
Outra coisa importante para aprender música, é ouvir bastante e imitar os sons que são ouvidos, adquirindo influências das musicas tradicionais de André Samias (In memória), para com o tempo, poderem criar a sua própria identidade musical. No canto, por exemplo, para se adquirir afinação, é preciso treinar bastante a respiração (ela deve ser igual à de um bebê, diafragmática), além de se imitar as notas musicais, para afinar a voz e ter hábitos saudáveis de alimentação.
Uma atividade que pode integrar música e artes plásticas é a criação de instrumentos musicais tradicionais com objetos considerados reciclados, que vão trabalhar com a criatividade dos alunos, obtendo sonoridades diferenciadas e estilos diversificados, além de desenvolver o consciente dos alunos quanto à preservação do meio ambiente. Ao invés de usar bambu para fazer as flautas podemos usar tubos PVC.
Nossos instrumentos musicais tradicionais milenares são: Urutsa, Tiama, Kina, Maraka, Shakapa, Patakura, Tutu, Tutu tuan.
Flauta de 11 canos; Flauta pan Kokama (Urutsa) [urutisa]: instrumento musical de sopro elaborado de bambu de diferentes tamanhos ou de uma palmeira que dar para fazer tubinhos. Awa y+auki urutsa. A gente faz flauta pan Kokama.
Flauta de dois furos (Tiama) [tiama] - Variante: (tiy+ama) [tizama]: instrumento musical parecido a uma flauta, porém somente com dois furos, um do lado da frente e outro no lado de baixo. Faz-se de bambu, madeira ou tacana. Tsa papa ikua tsapu tiama awanu y+apurachitara. Meu pai sabia tocar a flauta de dois furos para que pessoal dançasse.
Flauta quena (Kina) [quina]: é um instrumento musical de sopro, da família das flautas. É feita de bambu ou madeira e executada através do sopro em uma reentrância em sua extremidade superior. Possui 6 furos por onde são obtidas as digitações para as notas. É um instrumento transpositor com afinação na tonalidade sol maior (G). Embora tenha se originado como um instrumento pentatônico, desenvolveu-se para permitir a execução cromática. ou seja, permite a execução de todas as notas (bemóis e sustenidos). Sua escala estende-se por 3 oitavas. Existe a versão grave da quena, chamada quenacho (Kinashu). O quenacho é um instrumento transpositor com afinação na tonalidade de “ré maior” (D). Tsa kiwi ikua tsapu kinatsuri ɨmɨnua. Meu primo sabia tocar a quena antigamente.
Maracá (Maraka) [maraca]: A maracá completa é um par de maracás. O povo Kokama não pode tocar somente uma maracá, devem ser tocados os dois por uma só pessoa. Proibido usar separadamente. Purupurukuy+a emete katupe ɨpatsunu tsɨmarupe, tseruwishka yauki maraka. A cabaça aparece as margens dos lagos, serve para fazer maracás.
Shacapa (Shakapa) [chacapa]: conhecido como espada espiritual, é um instrumento musical de cura que serve para conectar o ayahuasqueiro as suas visões e a conversa com os elementais e os espíritos divinos. Ikuan, Pay+un riai Patriarka May+uru Kana ikua mutsanaka awanu shakapapu. O sábio, o pajé e também o Patriarca Cacique Geral sabem como curar a gente com shacapa.
Shacapa para enfeitar a canela (Patakura) [patacura]: instrumento musical tecido de tucum que se enfeitam com sementes e tento que soam no momento de dançar (também pode amarrar nos braços ou numa vara para socar no solo). Pai amɨra ratsandi ukuatsuri patakura tɨkɨtanpu y+a kaɨari. Meu tio finado costumava dançar depois de amarrar a shacapa ao redor de sua canela. Patakura ɨmɨnan kunuminu warimata y+apurachipuka. A shacapa dos jovens antigos era seu enfeite quando dançavam.
Tambor (Tutu) [tutu]: bombo pequeno. Segundo o povo Kokama, quando se faz bombo de couro de onça às festas terminam em brigas e confusões; Se o bombo é de couro de veado, a festa é pacifica, e se é de macaco, os assistentes fazem muitas piadas, brincadeiras e dançam alegres. Ikian ra tutukɨra ra iputa uwata puka tin, tin, tin. Tun, tun, tun, assim faz soar seu tamborzinho quando caminha.
Tambor grande (Tutu nuan) [tutu nuam]: bombo grande. Tutu nuan ipu eretse. O tambor grande soa forte.
Exercício da Aula nº 43:
01 – O que é musica?
02 – Quais são as notas musicais?
03 – Qual é o tipo de cocar do musico?
04 - Quais os instrumentos musicais tradicionais Kokama? Responda o nome em Kokama e faça o desenho de cada instrumento.
05 – Relate sobre os tipos de couro do bombo.
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Até a próxima! Iniaparari!
Ainan ta! Obrigado!!!
Prowetsuru Tsamia. Professor Samias.
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